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 Os lusitanos

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Nantumaurus
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MensagemAssunto: Os lusitanos   Seg Jul 04, 2011 11:16 pm

Os lusitanos

Quem foram os lusitanos?


Foram um povo celtibero que surgiu durante o Bronze Final e se estabeleceu na parte ocidental da Península Ibérica, mais concretamente entre os rios Douro e Tejo. Primeiramente, uma única tribo, a qual subsequentemente deu origem a vários clãs, cuja área que ocupavam se estendia a sul do rio Tejo, até à actual província espanhola de Cáceres. A norte do Douro limitavam com os gallaeci e os astures dos quais descende a maior parte dos habitantes do norte de Portugal actual. A sul com os celtici e ao oeste com os vettones (outro povo celtibero) que ocupava a região da actual Estremadura espanhola.

Quais eram os clãs lusitanos?


Entre muitos outros destaco:

Igaeditani – Clã lusitano que ocupava a região entre os rios Ponsul e Elga. Os seus Deuses tutelares eram Erbina e Igaedo. Cultivam a terra e dedicavam-se a transacções comerciais. Na época romana sobre o seu território nasceu o povoado de Igaeditania, o qual veio a ser um importante posto mercantil de todo o império, só não tinha aceso directo ao rio como também todas as estradas a cruzavam.

Tapori – Clã lusitano que habitava a região circundante à actual cidade portuguesa de Castelo Branco, tendo como vizinhos os elbocori a oeste e os igaeditani a este. Pensa-se que a sua capital seria Verurium. A sua Deusa tutelar era Oipaingia.

Elbocori – Clã lusitano, cujo território que ocupava é actualmente a região onde se pode encontrar a cidade portuguesa de Abrantes. Dedicavam-se ao gado cavalar e veneravam Epona.

Coerenses – A Norte limitavam com os Vettones, a Oeste com os Lancienses Oppidani, a Este com os Caluri e a Sul com os Calontienses.

Calontienses – Clã lusitano, cujo território que ocupava é actualmente a região onde se pode encontrar a cidade espanhola de Valência de Alcântara.

Caluri – Clã lusitano, cujo território que ocupava é actualmente a região onde se pode encontrar a cidade espanhola de Plasencia.

Paesuri – Clã lusitano, residente entre os rios portugueses Vouga e Douro.

Ocelenses Lancienses – A Norte e a Este limitavam com os Lancienses Transcudani. A Este com os Lancienses Oppidani. E, a Sul com os Igaeditani e Tapori.

Lancienses Transcudani – Situados no planalto da Guarda/Sabugal, os Lancienses Transcudani viriam até ao rebordo desse planalto ou, mais concretamente, até às alturas de Cabeço das Fráguas

Lancienses Oppidani – Clã lusitano que ocupava a região da Cova da Beira.

De onde proveram os lusitanos?


Na sua grande maioria, os lusitanos, eram gentes nómadas que vagueavam sem rumo pelas fragas e montes. Subsistindo da pastorícia e de tudo aquilo que a natureza lhes proporcionava. De onde proveram ninguém sabe ao certo, no entanto há quem diga que faziam parte integrante da sua terra, tal como os rios e as serras que a cruzam, tendo-se congregado à posterior com gentes forasteiras, ou que invadiram ou que simplesmente imigraram para a região ocupada pelos nossos ancestrais, oriundas do centro da Europa, as quais nutriam fortes ligações com a cultura celta de Hallstatt.

Como viviam?


Eram excelentes cavaleiros, os seus passatempos preferidos eram a musica, a dança e, acima de tudo as provas de destreza física, as quais os preparavam para fazer a guerra com os povos vizinhos. Através da qual punham à prova a sua bravura. Possuíam uma cultura muito própria, a célebre cultura do javali, a qual distinguia a sua etnia das demais. Idolatravam Deuses poderosos e únicos.
Na montanha a liberdade era absoluta, e a companhia dos Deuses reconfortante. O seu modo de vida era muito austero, mas a pureza da serra e tudo o que a ela é inerente purificava-lhes a alma e enobrecia-lhes o coração, fazendo com que se desembaraçassem com facilidade da cupidez e das suas iniquidades, tornando-nos assim unos com os Deuses. Contudo, com a chegada dos Fenícios ao sul da península e com o estabelecimento de vários postos mercantis tudo mudou. Os forasteiros trouxeram o bronze, já mais tarde o ferro, e também os iniciaram no cultivo da terra, brindando-os assim com uma ténue brisa daquele que era o mundo civilizado da época.
Consequentemente, sob a regência dos clãs mais influentes e mais abastados surgiram por toda a parte dentro dos seus domínios vários povoados castrejos, nos quais se concentrou o seu parco poder, quer politico quer económico. Os desterrados e menos abastados, os quais permaneceram fiéis ao nomadismo, nos Invernos de maior escassez apenas com o intento de subsistir, tinham o mau hábito de se organizarem em numerosos bandos e de descer a montanha a fim de empreenderem bravas campanhas às povoações mais abastadas, situadas a sul. Tendo como principal objectivo a depredação, dividindo à posterior os despojos por todos. Apesar de as fronteiras da Lusitânia não coincidirem perfeitamente com as de Portugal de hoje, os povos que aqui habitaram são uma das bases etnológicas dos portugueses do centro e sul e também dos estremenhos (da Extremadura espanhola).

O seu herói


A figura mais notável entre os lusitanos foi Viriato, Virius, Viranus, Vironus, Vironicus, Virotus ou ainda Viriathus (179-139 ac), um dos seus líderes no combate aos romanos. Tal nome deriva da palavra viriae, um nome celtibero, viriolae em celta, o qual significa braceletes. Portanto Viriathus seria aquele que usava viriae. Um nome comum que mais tarde se tornou próprio.
Após a segunda guerra púnica (218-201 a.C.), Roma dominava o Leste e o Sul da Península Ibérica. As zonas Oeste e Norte eram ainda dominadas por populações indígenas (iberos) e celtas. Uma federação de tribos lusitanas, que habitavam as regiões mais ocidentais, resistiu à penetração romana, sob a brilhante liderança de Viriato, de 147 a 139 a.C.
As batalhas entre a cofederação de tribos lusitanas e o império romano tiveram início cerca do ano 193 ac. Supõe-se que Viriato pertencia a um dos clãs lusitanos, não se sabendo exactamente qual seria. Filho de Cominio, chefe do seu clã, terá tido de algum modo acesso a vários aspectos culturais e experiências, para além das actividades de pastor de rebanhos e caçador, que lhe permitiram desenvolver a guerra de guerrilha, com estratégias e tácticas sofisticadas, chegando mais tarde a dialogar positivamente com os representantes de Roma, e alcançando inclusive a designação de "Amicus Populi Romani", ou seja, aliado em paz com Roma.
Relegião


Embora sejam de ascendência celta, não se reconhece a existência de Druidas entre os Lusitanos. No entanto é certo que teriam um género de classe sacerdotal, constituída por homens e mulheres sábios, os quais presidiam aos mais variados rituais de carácter religioso, tais como casamentos, baptizados e festivais sazonais. O festival mais conhecido entre os clãs lusitanos era a festa de Bel, semelhante ao Beltane celta que era um antigo festival lunar de fertilidade, festejado no primeiro dia de Verão. A estes homens dava-se o nome, consoante a região e o clã de onde eram provenientes, de homens da árvore, serpentes ou ainda corvos. A imolação era uma realidade entre si, quando não eram apenas cortadas as mãos aos prisioneiros de guerra, estes eram oferecidos em sacrifício aos Deuses, sendo geralmente arremessados de um precipício ou escarpa.

Quais os seus Deuses?



Os três Deuses principais dos Lusitanos

ARENCIA (ARENTIA, ARANTIA, ARENGIA) – Deusa guerreira Lusitana, Ela representa a vitória dos que lutam pelo seu povo. Ela é a esposa de Arencio, e é representada por uma égua.


ARENCIO (ARENGIOTANGINAECO, ARENTIO, ARENTIUS, ARANTIO) – Deus da Guerra e nacional dos Lusitanos. Representa a força. Juntamente com sua esposa, a Deusa Arencia, formam o par divino principal dos Lusitanos.

QUANGEIO (QUANGEIUS, KUANIKIO) – Deus criador, da fertilidade, dos campos e protector dos animais. É o terceiro Deus mais importante dos Lusitanos


TREBARUNA (TREBARUNE, TRIBORUNIS, TRIBORUNNI, TRIBARONA) – Deusa Guerreira e Protectora dos heróis, é também a Protectora da propriedade, do Lar e das Famílias. É a divindade feminina mais importante do Panteão Lusitano, esposa de Brigo, Ela é a Deusa lunar e do destino.

Humildem-se os homens!
Nós os servos da Fé Eterna
Apenas procuramos a luz divina...
Para partilhar a sabedoria do coração
Com todos aqueles que sabem amar...
Levantem-se os Deuses!

Outros Deuses

BRIGO (BRIGUS) – Deus da Criação. É um Deus protector e fomentador da civilização humana. É o destruidor do caos, das trevas e do inferno, está ligado à criação do Cosmo. É o símbolo da vitória do homem racial sobre a natureza selvagem. Ele representa a ordem, a estabilidade e a felicidade. Os cristãos adoptaram-no como S. Miguel que vence o dragão. É o esposo de Trebaruna.

DURBEDICO (DURBEDICUS, DURBEICUS) – Deus ligado a cultos aquáticos. É uma divindade dos rios, lagos e fontes, assim como do tempo e da chuva.

ICCONA (ICCONALOIMINA, EPONA) – Deusa guerreira e dos cavalos, muito venerada pelas tribos Lusitanas que vivem nas montanhas ocidentais.

LURU (LURUNI, LURUNIO) – Deus dos infernos ligado aos cultos ctónicos. Deus da morte que liberta os vivos do seu corpo, no sentido da orientação e de procura a luz atravessando as trevas e o caos, é também um Deus dos viajantes, dos caminhos, das águas, da caça e dos comerciantes. Como divindade que nasce da terra é o símbolo da imortalidade que desafia o poder dos deuses tutelares como Banda e Brigo.

VORDO (VORDUS, VORDIUS) – Deus do trovão, das trovoadas e tempestades, e salutífero adorado pelos Lusitanos nas zonas rurais.

Algumas Divindades de origem estrangeira veneradas na Lusitânia

BEL – Deus de origem Fenícia adorado pelas classes mercantis da Lusitânia, como Baal ele representa o deus das batalhas, da fertilidade e fecundidade.

CERNUNOS – Deus cornudo guerreiro dos Celtas e da Realeza Lusitana, muito venerado na parte oriental do país.

CYBELE (CIBELES, MATRI DEUM) – Deusa mãe de Origem Oriental (Trácia) muito venerada pelos jovens das cidades Lusitanas.

EPONA (EPANE) – Deusa de origem Celta.

MITRAS (MITHRAS, MITRA) – Divindade Oriental muito venerada pelos Lusos.

NEMESIS – Divindade Oriental venerada pelos Lusitanos do litoral.

Deuses marciais


ARUS (ARO) – Deus Lusitano da guerra equivalente ao Ares romano.

CARIOCECO (CARIOCIECO, CARIOCECUS) – Deus Lusitano da Guerra, da caça, dos animais, dos mistérios e do futuro. Bodes, cavalos e prisioneiros eram muitas vezes sacrificados a este Deus.

COSSUE (COSUS, COSO, COSUE) – Deus guerreiro e marcial equivalente ao Consus Martiano romano, adorado pelos Lusitanos.

Curiosidades


O vestuário de um guerreiro lusitano era composto por um sago de lã (antigo saio militar) que os guerreiros usavam debaixo da couraça, geralmente de pele ou linho grosso. Como protecção serviam-se ainda de polainas, peça de vestuário em couro ou pele, para resguardar a parte inferior das pernas.
A principal arma de um guerreiro lusitano era a falcata. Como protecção usavam um pequeno escudo redondo com o tamanho de dois pés, muito bom também para atacar. Este era preso ao braço do guerreiro através de correis de couro ou correntes de ferro.Para a luta corpo a corpo e também como arma para guerreiros montados, tinham ainda o Soliferrum (Uma lança toda em ferro, mais ou menos com o tamanho de um homem, tendo em conta que os lusitanos eram baixos e um pouco atarracados). Como arma de arremeço usavam a trágula, uma lança de madeira apenas com a ponta em ferro ou bronze. Quando iam para combate apanhavam os seus compridos cabelos na nuca, cobrindo a sua face com pez ou um outro pigmento. Os seus trajes eram tingidos de escarlate por uma pigmento importado da Fenícia, o qual apenas muito mais tarde foi adoptado pelo exercito romano que na altura da republica trajava em tons de cinzento.
No seio dos clãs lusitanos existiam excelentes ourives, assim como ferreiros. Os aristocratas e/ou chefes militares (eleitos em caso de guerra entre os melhores, pois na Lusitânia não se conheceram reis) usavam grossos torques que os distinguiam dos demais, assim como as já aqui referidas virias. Quantas mais virias usa-se um guerreiro maior era a sua bravura.


Fontes: http://pt.wikipedia.org/wiki/Lusitanos

http://revvane.com.sapo.pt/panteaodeus.html



Última edição por Nantumaurus em Sab Jul 16, 2011 1:11 am, editado 5 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Ter Jul 05, 2011 12:05 am

Excelente post Nantumaurus
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Ter Jul 05, 2011 12:10 am

Podia estar melhor, acredita! No entanto conto com todos voçês para o melhorar!
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Ter Jul 05, 2011 12:28 am

Muito bom, gostei de ler! Estás de parabéns pela colectânea! Very Happy Very Happy
Mas algumas questões:
Não referes Endovellico, Runescencio e Ataegina que eu pensava serem dos seus deuses mais importantes, assim como as Bandue (espíritos da natureza), significa que segundo a tua pesquisa estes são atribuídos a outras tribos?

Acho que embora não seja muito consensual a teoria que eu achei mais suportada seria que os Lusitanos seriam povos pré-celtas mas com elevada influência da sua cultura.


Citação :
A principal arma de um guerreiro lusitano era a falcata. Como protecção usavam um pequeno escudo redondo com o tamanho de dois pés, muito bom também para atacar. Este era preso ao braço do guerreiro através de correis de couro ou correntes de ferro.Para a luta corpo a corpo e também como arma para guerreiros montados, tinham ainda o Soliferrum (Uma lança toda em ferro, mais ou menos com o tamanho de um homem, tendo em conta que os lusitanos eram baixos e um pouco atarracados). Como arma de arremeço usavam a trágula, uma lança de madeira apenas com a ponta em ferro ou bronze. Quando iam para combate apanhavam os seus compridos cabelos na nuca, cobrindo a sua face com pez ou um outro pigmento. Os seus trages eram tingindos de escarlate por uma pigmento importado da Fenicia, o qual apenas muito mais tarde foi adoptado pelo exercito romano que na altura da republica trajava em tons de cinzento.
Bem, a falcata e a caetra (escudo pequeno) são certamente das suas armas mais características mas não se deve desprezar a sua renomeada perícia com lanças de arremesso em que usavam não só dardos mais comuns como a referida trágula como os próprios Soliferruns (destinados a penetrar armaduras), ou até primitivos dardos de madeira afiada ao fogo (simples mas eficaz para usar contra inimigos mal equipados).



Já agora faço também uma contribuição mas sou mais preguiçoso e faço copy paste da minha fonte favorita Wink
Citação :
The Lusitanii

Strabo defined the Lusitanii as "the greatest of Iberian tribes, that the Romans fought for a long time". Considered as the finest Iberian warriors in terms of guerrilla tactics, their influence extended through the fertile lands around the river Tagus, comprising what is now north and central Portugal, and wide regions of west central Spain. Independent and warlike, Lusitanii tribes were also under strong influence of the Celtic world - both in religion and material culture - and as their Celtiberian neighbours, were at constant strife and competition.

Master in ambushes, and in the use of light and throwable weapons, the Lusitanii rarely fought in an open battlefield, though they were able to do so, as was known on several ocasions. A very frequent tactic consisted of harassing the enemy army using fast hit-and-run incursions to strike specific detachments at unexpected places and situations. This had the objective of tiring and trimming down their forces before a previously planned encirclement and assault was made by the whole army. These disorientating tactics, enhanced by their supreme knowledge of the terrain, their determination and sometimes blind ruthless ferocity ensured that even the wisest opponent would be put on the defensive.

"They say that the Lusitanii are skilled in ambushes and chasses, swift, quick and sthealthy; they wield small shields two feet wide and concave in their outside, being manouvered with the help of two straps around the neck, and, so it seems, without grips. Beyond that they use daggers or knives. Most of them wear linen armours and leather caps, very few others mail armours and three feathered helms. Some infantrymen also use greaves, and each of them carries several short spears; some of them with bronze tips".
- Strabo of Amasya (Pontus), Greek historian, 63 BC - 24 AD

"The Lusitanii are the strongest amongst Iberians; to war, they carry very small shields, made out of esparto (a natural hard vegetable fiber), with which can easily defend their bodies. During battle they wield it skilfully, moving it from one side to the other of their bodies, defending themselves with ability from every blow that falls upon them. They also use spears, entirely made of iron with harpoon-shaped tips, and ware helms and a sword very similar to the Celtiberians; they throw their spears with precision and to a great distance, very frequently causing grevious wounds. They are swift while moving and fast while running, so they flee and chase quickly (). With these light armours, being able to run very fast and being very sharp-minded, they can only be defeated with difficulty. They consider the rocks and ranges their homeland and so seek refuge in them, because they are impracticable to large and heavy armies. So, because of that, the Romans, who have organized countless expeditions against them, although being able to counter their daring, have not, dispite of their commitment, been able to end their pillaging".
- Diodorus Siculus of Sicily, Sicilian historian, 80 BC - 20 AD

A unique characteristic about the Lusitanii was their ability to adopt foreigners in to their own population. This was known by the Romans as hospitium and led them to believe that among Lusitanii there was something similar to the devotio. In particular, among the Lusitanii, we must mention a very special protection given by the powerfull, the Ambactii that, according to Julius Caeser, were soldiers linked to their respective patrons by oaths of personal dependency, sworn in religious vows and faithful to the death to their chiefs.

Lusitanii were known by their neighbours as expert pillagers and raiders. This behaviour was motivated by the uneven distribution of wealth among them, the lack of open and fertile agricultural fields in their own territory, as well as the greater material wealth displayed by their more industrious and commercial southern and coastal populations. It is this permanent stress that will serve as a catalist to the later Roman conquest.

Although their social organization was built up of noble and non-noble classes, in times of war their military leaders were chosen by an assembly of the whole population. Contrary to many other tribes or tribal confederations, the caudilho (military commander) of the Lusitanii could be or not of the noble class. He was choosen for his bravery, skill in battle, inteligence and popularity amongst the population, before his ascendency was taken in to consideration. The Romans and Greeks designated them as Dux or Hegoumenos respectivelly.

Romans were not welcome. They learned the errors of challenging some of these famous caudilhos like Punico, commander of an alliance of Lusitanii and Vetonii that devastated the Beaturia and Betica in 154BC. Or of the likes of Cesaro, commander of the northern Lusitanii tribes, whose victories against the Romans motivated the Celtiberian tribes and the southern Lusitanii (commanded by Caucenos) to join in their efforts against Rome. These victories lead to the pillaging of Turdetania that would continue during the time of Viriatus.

In 150BC, a group of Lusitanii tribes forced by war devastation to seek fertile lands, were promised peace and lands by consul Servius Sulpicius Galba. He invited the Lusitanii to attend unarmed to an open field, and once there, he ordered his troops to attack and annihilate the defenceless crowd. Very few survived to the slaughter. One of them was a brilliant tactician called Viriatus.

Viriatus never forgot the treason. He rose as a popular leader and persuaded his countrymen to resist Roman rule. Gathering the Lusitanii under his command, he defeated the Romans in 147BC and started an elusive war that surprised and humiliated the Roman invaders. During the next two years he established control over a vast area. One Roman defeat followed another. Legion after legion crushed. The victories of Viriatus encouraged the Celtiberians to renew their resistance to Rome. Then, in 140BC, the senate sent an army under Fabius Maximus Servilianus, which Viriatus succeeded in trapping. Instead of destroying this army, he concluded a peace and allowed the Romans to leave. But he demanded to Fabius that he and the Lusitanii would be considered amicus populi romani and that their conquered territories would have to be recognized by Rome and never attacked again (something that had never happened, Rome being dictated peace terms, that are analogous to admitting defeat to a bunch of barbarians). Within a year the humiliated Roman Senate would break, as usual, that treaty.

Finally, in 139BC, a tired and disenchanted Viriatus sent three men to negotiate peace to the Roman quarters. When they got back, the bribed emissaries killed Viriatus. They never enjoyed their reward. When they got back to consul Quintus Servilius Scipio, he ordered them to die, saying: "Rome does not reward traitors". The death of Viriatus marked the beginning of the end of Lusitanii resistance, but not of its myth.
Fonte: Europa Barbarorum


E vou adicionando umas coisinhas mas por agora não posso perder muito tempo.

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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Ter Jul 05, 2011 12:53 am

Ya. Ataegina, Endovellicus e Renuscecesio são a trindade dos celtici, embora e/ou talvez alguns lusitanos (principalmente os clãs mais a sul) tab os venerassem.
Quanto as bandue assossio-as mais aos povos do norte aso galaeci.
Não sabia que os escudos eram designados por caetras.

Obg pela ajuda!
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Ter Jul 05, 2011 9:26 am

Movido a pedido do Nantumaurus. Grande post! Keep it up Very Happy

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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Ter Jul 05, 2011 11:04 am

Muito interessante.
Só é pena os erros ortográficos aqui e ali e as cópias de outras fontes sem menção à origem mesmas (p.ex., a parte dos deuses, que tem algumas coisas ipsis verbis daqui: http://revvane.com.sapo.pt/panteaodeus.html ).

Fora isso, e se não tivesse estes problemas, fiquei tentado a destacar este tópico (e os outros dois sobre os túrdulos e os celtici) num fixo. Smile O que acham?
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Ter Jul 05, 2011 1:19 pm

Kraft durch Freude escreveu:
Fora isso, e se não tivesse estes problemas, fiquei tentado a destacar este tópico (e os outros dois sobre os túrdulos e os celtici) num fixo. Smile O que acham?
Basta o Nantumaurus fazer uma revisão para tratar desses erros e força nisso, é um bom tópico.

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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Ter Jul 05, 2011 3:36 pm

Gostei imenso do tópico e é cativante, bem como a participação dos restantes

Fiquei com uma dúvidas (por ser ignorância minha) em relação ao Deus Estrangeiro Nemesis (divindade grega)

Apesar de existirem referencias da Grécia antiga sobre Lisboa (Olissipo), não conhecia que deuses, como Nemesis, que tinham sido assimilados e venerados pelos Lusitanos... onde arranjaste essa informação?

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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Ter Jul 05, 2011 6:52 pm

Kraft durch Freude escreveu:
Muito interessante.
Só é pena os erros ortográficos aqui e ali e as cópias de outras fontes sem menção à origem mesmas (p.ex., a parte dos deuses, que tem algumas coisas ipsis verbis daqui: http://revvane.com.sapo.pt/panteaodeus.html ).

Fora isso, e se não tivesse estes problemas, fiquei tentado a destacar este tópico (e os outros dois sobre os túrdulos e os celtici) num fixo. Smile O que acham?

Olá,
escrevi isto a duzentos há hora, daí os erros!
Quanto às fontes, pura e simplesmente não as coloquei porque isto já é material muito antigo que tenho para aqui!
Não me importo de dar um jeito aos erros, acrescentar as fontes que conseguir recuperar e ainda quem sabe acrescentar mais umas coisitas! Talvez um resumo da historia de Viriato, quem sabe!
Respondendo à questão do shat. Já ouviste falar em Sagunto na costa este da peninsula, antes de pertencer aos romanos era um porto grego. Para alem de tal facto, os gregos e os fenícios navegaram pelo Tejo muito antes da chegada dos romanos, é provavel que tenham ocorrido algumas viagens por parte dos aristrocrats e/ou chefes lusitanos pela península, daí a adopção de alguns Deuses estrangeiros. Pois na sua grande maioria quem venerava estes Deuses eram os aristrocatas e chefes, não o povo!
Ainda me falta acrescentar umas coisitas ao post dos celtici e ainda vou fazer um sobre os galaecios e os kónios, abordando assim todos os povos que ocupavam o territorio que é hoje Portugal.
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Qua Jul 06, 2011 1:18 am

Done!!! Errus corrrijidos e fontes mencionadas! Cool
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Seg Jul 18, 2011 5:30 am

Bem, agora que já tenho algum tempo já posso comentar e adicionar alguns detalhes a este tópico. Todas as sociedades célticas não eram unificadas num único povo, eram sempre constituídas por vários clãs que tinham em comum a herança cultural e hábitos sociais. Por exemplo quando falamos em Gauleses, estamos a falar de diversas tribos ou clãs, Vercingentorix por exemplo era da tribo dos Arverni, que era apenas uma de muitas. O mesmo sucede nos Celtas britónicos da Grã-Bretanha e nos irlandeses. Os Lusitanos, como bem referiste, não eram diferentes, e havia diversas tribos. O que sucedia era por vezes efectuarem-se confederações, unidas pela resistência contra um povo invasor (Romanos) como Vercingentorix fez na Gália e Viriato na Lusitânia. Infelizmente, é esta característica de desunião que levou à queda dos Celtas perante os Romanos. Mesmo em tais confederações, a união não era total e outras tribos chegavam mesmo a efectuar pactos com os Romanos e a agir como mercenários contra o seu próprio povo (algo que chegou a suceder com o próprio Viriato relativamente a outros povos celtiberos). Vi as fontes que apontaste, e realmente verifica-se essa divisão de clãs mencionadas na wikipédia, mas encontro outras divisões étnicas noutras fontes, retirados de inscrições em castros, pedras romanas e aros em zonas antigamente povoadas por povos lusitanos, (a questão é se podemos agrupá-los como Gallaeci por vezes, porque é comum agruparem-se os três grupos num só por habitarem a zona definida pelos romanos como Lusitânia) nomeadamente:

Magareaicoi - habitavam a serra de S. Macário, nos concelhos de S. Pedro do Sul e Castro Daire.

Veaminicori - supostamente habitavam numa zona próxima aos Magareaicoi, talvez no grande castro que se localiza no sítio onde hoje é a vila de Castro Daire.

Caielobricoi - habitavam junto à zona de Lamas de Moledo, onde faziam a exploração e trabalho do ferro (que depois os Romanos aproveitaram).

Petranioi – também perto da zona de Lamas de Moledo, há indícios de um antigo castro, da Idade do Bronze.

Tatibeaicui – habitavam um castro localizado em Queiriz.

Nacosi – habitavam em Mangualde, há uma ara onde são mencionados numa inscrição, onde está a capela da Senhora do Bom Sucesso seria o seu castro.

Oilienaici – supostamente seriam bons criadores de ovelhas, e habitavam em Esmolfe, num castro localizado na serra da Paramuna.

Araocelenses – Mangualde também, são conhecidos por uma inscrição na povoação de S. Cosmado. Negociaram com os romanos porque há existe o registo de uma oferenda por parte de Caius Caielianus Modestus. E nesta povoação encontrou-se a única representação do deus Banda lusitano (falarei mais tarde deste Deus).

Nilaicui e Vacoaici – há poucos dados sobre ambas as tribos, mas habitariam na região de de Mangualde e Viseu respectivamente.

Ocelenses – conhecem-se, novamente, devido a uma inscrição numa ara, pouco se sabe sobre eles.

Ireucoutiori, Seareasi e Arvoni – agrupo os três porque todos habitavam na serra do Caramulo, chegaram a ter uma divisão de águas entre eles, habitavam respectivamente os castros de Guardão, Outeiro e Alcofra.

Sulenses – habitavam o castro de Pinho, em S. Pedro do Sul.

Brialeaici – habitavam na Covilhã, e já pertencem à Idade do Ferro.

Mustinaci – adoravam o deus Nabia, também habitavam a zona da Covilhã.

Enfim, ainda há mais uns, mas nomeá-los todos seria exasperante, diferem dos que referiste, e estes grupos étnicos ou clãs são definidos em arqueologia pelas inscrições encontradas, e pelos castros onde foram encontrados que indicam um povoamento lusitano. A julgar pelos castros que existiriam (pelo registo da sua destruição pelos romanos), estes chegariam às centenas, agora poderiam é haver castros que pertenceriam a um mesmo clã. Há discrepâncias entre os achados arqueológicos e fontes históricas como os registos escritos romanos (que como sabemos eram ao gosto do inimigo romano). Já agora para não haver confusão, um castro é um povoamento fortificado, como já referiste no post dos Gallaeci, que normalmente é de forma circular. Quando é mais evoluído, chegando quase a ser um pequeno forte ou castelo, com forte povoamento interior, passa a designar-se de citânia. Os castros eram comuns aos povos celtas, um castro famoso e fácil de exemplificar era a fortificação onde vivia a tribo do Ásterix. Os Gauleses também habitavam em imensos castros, e nos povos celtas das ilhas britânicas era mais comum que já estivessem evoluídos na forma de citânias (o que faz sentido visto que a invasão romana foi mais tardia, e na zona norte da Grâ-Bretanha e Irlanda nem sequer lá chegaram).



Já que referiste que os Lusitanos eram bons cavaleiros, convém referir a importância do cavalo lusitano nesse aspecto. Os Lusitanos, ou tribos lusitanas, se assim preferirem, eram um povo que culturalmente eram criadores de cavalos, sendo a criação de cavalos protegida por um par de divindades lusitana que referiste, Arentius e Arentia, dai que talvez também importassem a divindade Epona (Rhiannon do País de Gales), que era uma deusa associada aos cavalos (na sua lenda galesa, Rhiannon nunca poderia ser apanhada a cavalgar no seu cavalo branco, a não ser que lhe pedissem para parar). O cavalo lusitano não é muito grande, mas é muito rápido, o que era um apoio à táctica de fuga e ataque dos Lusitanos, e era além disso motivo de cobiça por parte dos romanos. Pormenor curioso, que já te disse em PM, é a tal conferência onde o orador revelou fortes indícios de influência espartana na educação dos guerreiros lusitanos (que os distancia pelo menos neste ponto da influência céltica e indica fortes contactos com o mediterrâneo), e a criação de cavalos também era uma característica espartana, mas aqui já estamos um pouco na realidade da especulação.



Algo que me parece relevante, é a forma como os Lusitanos travavam batalhas. Praticavam uma guerra de guerrilha, que foi comum em toda a guerra com os romanos. O exército romano era um exército convencional, eram bons em campo aberto, porque usavam artilharia mais pesada e tinham uma disciplina dura e rígida (basta pensar nas formações em quadrado com os escudos alinhados). Mas a guerra de guerrilha lusitana baseava-se na surpresa, em apanhar os romanos quando menos esperavam e em situações improváveis. Sem falar que conheciam bem os terrenos montanhosos e serras onde se moviam. Um dos planos de batalha mais utilizados era a táctica do “toca e foge”, a emboscada baseada no fingimento da fuga e o regresso repentino ao combate, principalmente quando os romanos já os tinham perseguidos para terrenos mais inóspitos que conheciam bem. Quando falo assim desta característica dos Lusitanos, também se estende aos Celtici e Gallaeci. Os Celtas do Norte da Grã-Bretanha usavam este mesmo tipo de táctica, e os Picts (outro povo que também habitava essa zona) também o faziam.

Em relação à religião referiste muito bem os Deuses, e também nos tópicos dos Celtici e Gallaeci. Além das divindades estes povos também adoravam as forças da Natureza (das quais os Deuses acabam por ser uma representação), como as florestas, a lua e o sol, os rios, os animais, típico de sociedades célticas. Usavam muitas vezes, novamente de forma semelhante aos celtas, locais naturais como santuários de culto. Mas respondendo ao que o Signatus disse, Banda não era mais típico dos Gallaeci, mas sim comum a todos os três grandes grupos que habitavam a Lusitânia. Em relação a Endovélico e Ataecina ou Ataegina, realmente a última era mais presente a Sul, mas Endovélico tem santuários a Norte, e na zona da Serra da Estrela. Os Lusitanos adoravam Endovélico e faziam-lhe um forte culto. Mas Banda não era bem relativo a espíritos da Natureza como disse o Signatus, há várias interpretações, mas são mais relativas a Banda como sendo o/a protector/a (há também várias interpretações se era divindade masculina ou feminina) dos caminhos, da ligação entre as coisas e territórios, ou como a Fortuna romana, uma divindade que protege as colheitas e a família, há diversas interpretações. Banda era um pouco como a Nossa Senhora cristã, ou seja, cada terra tem a sua, dai que estivesse espalhada por todo o território da Lusitânia e abrangesse culto por parte dos três grandes grupos. O Vordo que referes, pelos estudos que têm sido feitos, acabou por ser absorvido no culto de Banda, ou seja, a divindade foi desaparecendo, e as suas características foram sendo agrupadas às de Banda.



Fontes:
ELLIS, Peter Beresford (2007), O Império Celta. Zéfiro
LASCARIZ, Gilberto de (2009), Deuses e Rituais Iniciáticos da Península Ibérica. Zéfiro.
VAZ, João Luís Inês (2009), Lusitanos no tempo de Viriato. Ésquilo
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Seg Jul 18, 2011 5:53 am

Excelente complemento, Diarmuid! Wink
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Seg Jul 18, 2011 8:57 am

Muito bom!
Relativamente à influência espartana na educação lusitana: já tinha ouvido falar dos Lusos serem considerados os Espartanos Hispânicos devido aos seus hábitos austeros mas suponho que seja um caso de "evolução convergente" e exagero. Assim como os historiadores romanos tinham tendência para chamar a qualquer tipo de soldado de infantaria que usasse escudo grande oval/rectangular, cota de malha e lutasse em formação bem ordenada de "Imitação de Legionário" também os gregos tinham a mania de que era tudo influência deles.
Até porque a rígida organização da sociedade espartana (que era suportada pelo trabalho dos hilotas, escravos) que permitia a sua cultura bélica não tem nada a ver com a Lusitana, que pelo que sei seria muito mais flexível. O que os lusitanos tinham era uma necessidade permanente de complementar os produtos da sua terra com frutos de raids a terras vizinhas daí que tivessem tanta experiência bélica. Nisso diria que são muito mais parecidos com por exemplo os Vikings. Ou connosco que actualmente importamos mais do que produzimos Laughing

E os espartanos bons a criar cavalos???????? Suspect Essa era suposto ser uma piada, certo? Laughing Mesmo a elite espartana denominada de Hippeis (cavaleiros) lutava geralmente a pé, com os restantes hoplitas.
Havia cavaleiros famosos na Grécia mas mais para norte, na Thessalia, Macedónia e Epiro, agora a sul, e especialmente os Espartanos....... Razz
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Seg Jul 18, 2011 3:04 pm

Signatus escreveu:
Muito bom!
Relativamente à influência espartana na educação lusitana: já tinha ouvido falar dos Lusos serem considerados os Espartanos Hispânicos devido aos seus hábitos austeros mas suponho que seja um caso de "evolução convergente" e exagero. Assim como os historiadores romanos tinham tendência para chamar a qualquer tipo de soldado de infantaria que usasse escudo grande oval/rectangular, cota de malha e lutasse em formação bem ordenada de "Imitação de Legionário" também os gregos tinham a mania de que era tudo influência deles.
Até porque a rígida organização da sociedade espartana (que era suportada pelo trabalho dos hilotas, escravos) que permitia a sua cultura bélica não tem nada a ver com a Lusitana, que pelo que sei seria muito mais flexível. O que os lusitanos tinham era uma necessidade permanente de complementar os produtos da sua terra com frutos de raids a terras vizinhas daí que tivessem tanta experiência bélica. Nisso diria que são muito mais parecidos com por exemplo os Vikings. Ou connosco que actualmente importamos mais do que produzimos Laughing

E os espartanos bons a criar cavalos???????? Suspect Essa era suposto ser uma piada, certo? Laughing Mesmo a elite espartana denominada de Hippeis (cavaleiros) lutava geralmente a pé, com os restantes hoplitas.
Havia cavaleiros famosos na Grécia mas mais para norte, na Thessalia, Macedónia e Epiro, agora a sul, e especialmente os Espartanos....... Razz

Não referi o uso de cavalos em termos bélicos, apenas em termos de criação. Os cavalos eram muito cobiçados pela Grécia (a guerra de Tróia em muito era motivada pela lendária criação de cavalos troiana, Helena era uma desculpa). E estás um pouco equivocado em relação ao treino bélico lusitano. Não vivia apenas de raids, e a parecença com os Vikings desvanece no sentido em que os Vikings criavam raids por afirmação pessoal perante a sociedade escandinava e não tanto por necessidade. O Professor Manuel J. Gandra apresentou uma palestra na Casa do Fauno em Sintra, no dia Celta que a Zéfiro organizou, em que apresentou numerosos indícios e estudos actuais sobre a educação lusitana, encontrados em velhas zonas de habitação lusitana. Os rapazes lusitanos em pequenos eram isolados da sua família e povoamento, para receberem treino bélico, tal como os espartanos, havendo até o mesmo tipo de iniciação por guerreiros mais velhos (em que a homossexualidade, tal como nos espartanos, tinha presença). Como vês, a sociedade lusitana também não era assim tão flexível, e diferenciava-se de outras sociedades celtas neste aspecto da educação, e a sua experiência bélica obtinha-se na sua educação, e não devido a raids, nesses raids já eles tinham grande treino bélico desde pequenos. Alguma dúvida sobre isto posso dar-te o facebook do Professor Gandra, ou podes questionar a Queen que ela também esteve nessa conferência. Aproveito para referir que a sociedade espartana também não era assim TÃO inflexível, mas isso é motivo para outro tópico, isso é a imagem que se criou dos espartanos. Já agora deixo aqui uma descrição de Estrabão sobre os Lusitanos. Estrabão descreve os costumes dos lusitanos aqui entendidos como os povos situados ao norte do Douro, isto é, os Calaicos (Galegos), Astures, Cantabros, até aos Vascões e Pirinéus como o autor da Geographica declara no final da sua descrição:


"Os lusitanos são peritos nas ciladas, destros e ágeis. Usam um pequeno escudo redondo e côncavo, suspenso do pescoço por correias e uma espada curta ou punhal. Para defender o corpo empregam saios de linho ou couraças e capacetes de bronze ou metal e polainas nas pernas. Como arma de arremesso têm setas e a lança com ponta de bronze.

Os que habitam nas margens do Douro vivem segundo os usos dos lacónicos [lacedemónios] untando o corpo, lavando-se com água fria e comendo com sobriedade.

Fazem sacrifícios, crêem nas adivinhas do futuro, tiram presságios do pulso das veias e entranhas das vítimas e do modo como tomba o corpo destas ao ser ferido pelo sacrificador.

Cortam as mãos direitas aos inimigos vencidos e oferecem-nas aos deuses. Todos estes montanheses são frugais, bebem água e dormem no chão.

Deixam crescer os cabelos, como as mulheres, mas quando vão para a guerra atam-nos com uma fita em volta da cabeça.

Alimentam-se principalmente com carne de bode; sacrificam bodes, cavalos, e mesmo os prisioneiros ao seu deus da guerra e praticam hecatombes como os gregos, imolando vítimas às centenas.

Nas festas organizam jogos, corridas a pé, a cavalo e lutas, pugilato. danças de destreza com passagens por entre armas e obstáculos.

Durante duas terças partes do ano comem bolota torrada e moída, fazendo pão da farinha e guardando-a para gastarem pelo ano adiante.

Usam manteiga em vez de azeite. Comem sentados em bancos arrumados às paredes das casas, dando os primeiros lugares aos velhos e às pessoas de maior categoria, indo a comida passando de mão em mão em toda a volta.

Fabricam uma bebida fermentada semelhante à cerveja.

Colhem pouco vinho e gastam-no logo em festas com os amigos.

Servem-se de vasos de cera como os celtas. Quando bebem dançam e cantam ao som da flauta e da buzina dando grandes saltos com o corpo direito, dobrando depois as pernas pelo joelho ao cair.

Os bastetanos usam danças de roda, homens e mulheres de mãos dadas. Por vestimento têm hábito preto chamado sagum e com ele se cobrem quando se deitam no chão sobre palha.

O vestido das mulheres é de variadas cores floridas.

Os habitantes do interior não têm moeda, trocam os objectos uns por outros, ou pagam com pedaços de prata cortados de barras em bruto.

Casam à maneira dos gregos.

Põem, como os egípcios, os doentes fora de casa para tomar conselho com os passageiros que padeceram doença idêntica.

No tempo de Bruto usavam ainda barcos de couro para navegar nas lagoas ou ocasiões de enchentes; agora têm alguns de troncos de árvores.

Os condenados à morte são precipitados dos rochedos e os parricidas, são mortos à pedrada e cobertos de pedras fora de seus terrenos e rios.

Lavam-se com urinas que deixam apodrecer nas cisternas e homens e mulheres limpam com elas os dentes.

Adoram um deus desconhecido nos plenilúnios dançando em frente das casas toda a noite.

As mulheres trabalham nos campos, e quando dão à luz os filhos fazem deitar os maridos e elas os servem.

De uma erva semelhante ao ópio, que parece ser o napelo ou o mata-lobos extraem um veneno activíssimo que mata sem dor, e têm-no sempre à mão para o usar em qualquer adversidade. Parecem-se aos celtas, aos da Trácia e da Sicília.

Tal é a vida dos montanheses entre os quais os do Norte da Hispânia, como os Calaicos, Astures, Cantabros, até Vascões e Pirinéus."

Gostava ainda de referir que os famosos Pauliteiros de Miranda, hoje em dia vistos como uma dança, são derivados de um costume que chegou até aos nossos dias desde os dias dos Lusitanos, só que para os Lusitanos, não era uma dança, mas sim uma competição de treino de combate. Isto foi outro ponto referido pelo Prof. Gandra.
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Seg Jul 18, 2011 4:47 pm

Sim, já conhecia essa passagem de Estrabão e as origens da dança dos paulieiros (cada peça de roupa é equivalente a uma peça do equipamento dos soldados).
Posso estar equivocado em relação aos espartanos até porque a cidade e a cultura não há de ter permanecido sempre igual ao longo dos seus séculos de existência. E estava a associar boas criações de cavalos à tradição militar equina mas não tem necessariamente de ser, por exemplo havia tribos germanicas conhecidas por terem cavalos de fraca qualidade mas excelentes cavaleiros. Mesmo assim, continuo a achar estranho que em Esparta houvesse uma assim tão famosa criação equina mas podem ser as minhas noções sobre a cidade que estão erradas.

Esquece os vikings, foi uma comparação infeliz e não era para ser levada a sério. Laughing

Não conhecia os estudos desse sr. e fiquei curioso, mas temos de ter em mente que a arqueologia não é uma ciência exacta e requer muita interpretação subjectiva que pode estar certa ou errada. E quanto a Estrabão, volto a repetir que os historiadores gregos e romanos tinham muito a mania de atribuir a tudo e mais alguma coisa influência helénica/romana como se os restantes povos não pudessem inventar nada. Embora tenham influenciado muito os chamados "povos bárbaros" também foram muitíssimos influenciados por eles e para além disso se uma coisa é parecida não significa que tenha que ter a mesma origem. Em biologia chama-se Evolução convergente

E quanto ao treino dos jovens lusitanos duvido que isso fosse uma coisa assim tão comum, talvez entre as classes mais altas ou nalgumas tribos em particular mas aplicar isso a toda a população parece-me pouco provável. Da mesma forma que quando Herodoto diz que os persas educavam os seus filhos dos 5 aos 20 anos em três coisas ainda "montar a cavalo, atirar ao arco e dizer a verdade" decerto não se estava a referir a toda a população ocupada pelo vasto império persa (provavelmente estaria até a falar de alguma tribo nómada das estepes e não de verdadeiros Persas)
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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Sex Set 30, 2011 12:21 am

Maciel escreveu:
Caro amigo , os Lusitânos não eram nómadas.Cada tribo vivia no sêu Castro .Os Pastôres de cada castro movimentavam-se naturalmente com os sêus rebanhos , como os seus descendentes , ainda hoje fazem . Depois , os Lusitânos , nada têm a vêr com Halstaat ou com os "celtas" . Eram(são) um Pôvo proto-"celta" (coloco em cÔmas porque o têrmo "celta" está exageradamente inflacionado e não significa nada do que hoje - digo , nos últimos 100 anos - desejariam podêr significar) , aqui presente muito antes dos bandos de bárbaros , a que se chama de celtas , chegarem á nossa Sagrada Península .
Na minha perspectiva , antes das célebres migrações Indo-europeias , houve um movimento de Povos em sentido inverso a que eu chamo de Luso-Indianas , ou seja , da Sagrada Península da Hispânia , para o Norte da Europa (os tais ditos "celtas" , não vieram das Ilhas para cá , mas o contrário é que acontecêu) , para o Leste , Mediterrânio e Oriente . Quanto ao resto , partilhamos do mêsmo Amôr pelos nossos Ancestrais Lusitânos .Pode sêr que possâmos vir a aprofundar o que aqui disse , se quiseres .
Um Abraço Lusitâno

Eu não disse que eram nomadas, mas sim que nos seus primordios haviam praticado o nomadismo, o que são duas coisas distintas!
Quanto à questão de Halstaat, se também tivesse lido atentamente iria reparar que eu não digo que os lusitanos vieram de lá, mas sim que parte dos imigrantes e ou invasores de Halstaat se congregarm com os povos já existentes desde da idade da pedra por assim dizer, bem como outros forasteiros que ocuparam a região antes. Os descendentes de Halstaat properaram na galécia e no nordeste da celtibéria, onde ainda hoje a cultura celta está mais patente.

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MensagemAssunto: Re: Os lusitanos   Sex Set 30, 2011 8:37 am

Maciel escreveu:
Quanto ao resto , partilhamos do mêsmo Amôr pelos nossos Ancestrais Lusitânos .Pode sêr que possâmos vir a aprofundar o que aqui disse , se quiseres .
Um Abraço Lusitâno
Por favor Very Happy
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