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 Filiação política/social da música que ouvimos.

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Averróis
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MensagemAssunto: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qua Set 14, 2011 9:35 am

Aproveitando, já que estamos com a mão na massa, este tópico serve para abordar um assunto por vezes problemática onde as opiniões prometem ser bastante dispares e que já tenho pensado em abrir.
Aqui vão algumas perguntas para lançar a discussão:

1) A ideologia política/social promovida activamente por uma banda deve ser sempre consentida? Será que a arte fala mais alto que tudo o resto?

2) Será legítimo deixar de apoiar e divulgar (boicotar) o trabalho de uma banda quando se acha que esta promove ideologias políticas ou sociais que consideramos nefastas para a sociedade? (por exemplo o fascismo/neonazismo). Se sim, qual o critério?


Darei a minha opinião mais lá para a frente.

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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qua Set 14, 2011 10:46 am

Bolas @averróis tu só fazes perguntas dificeis! xD

Penso que as bandas podem defender o que quiserem, e por serem consideradas Arte podem até exagerar um bocadinho. xD
Cabe aos ouvintes ter o bom senso de saber discernir a Arte do que é a realidade.
Trata-se do mesmo que para quem vai ver um filme de terror, quando o filme termina, não irá replicar aquilo que viu no filme. Laughing

Logicamente que as pessoas são livres de apreciar ou não o trabalho da banda, e apoiar ou não o seu projecto, recorrendo aos critérios que entenderem.
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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qua Set 14, 2011 11:10 am

Oua Averrois conheces bandas com posição politica tens de me mostrar essas preciosidades .

Mas é inegável que no mundo actual ganha quem for mais popular e as bandas mais alternativas ou estão muito bem organizadas com uma minoria muito solida ou então simplesmente passam despercebidas. Eu pessoalmente gosto de bandas que ligue a religião ás temáticas líricas seja qual for a religião e de preferência que defendam os valores tradicionais e conservadores (um dos motivos pelo qual gosto de folk o que não tem nada haver com os restantes participantes).

Mas gostava de ter influencia suficiente para organizar um movimento ideologicamente meu Razz uma banda tipo dazkarieh ligeiramente com mais distorção e com tematicas tradicionais e religiosas, só nºao teria muitos seguidores
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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qua Set 14, 2011 11:37 am

Sinceramente cago um bocado para ideologias políticas, a arte fala mais alto. Se estou a apoiar artistas com atitudes duvidosas? Sim, porque aprecio a sua arte e acredito que toda a gente tem direito a mandar bitaite. A censura de tais pessoas só nos torna como eles. E eu apoio tanta merda, duvido que me consigam meter um rótulo político por causa disso.


Vou criar uma banda de metal politico do CEPO.

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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qua Set 14, 2011 1:51 pm

Váli escreveu:
Eu pessoalmente gosto de bandas que ligue a religião ás temáticas líricas seja qual for a religião e de preferência que defendam os valores tradicionais e conservadores (um dos motivos pelo qual gosto de folk o que não tem nada haver com os restantes participantes).

Porque achas que a música folk transmite valores conservadores?

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Averróis
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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qua Set 14, 2011 4:57 pm

Urânia escreveu:
Bolas @averróis tu só fazes perguntas dificeis! xD

Penso que as bandas podem defender o que quiserem, e por serem consideradas Arte podem até exagerar um bocadinho. xD
Cabe aos ouvintes ter o bom senso de saber discernir a Arte do que é a realidade.
Trata-se do mesmo que para quem vai ver um filme de terror, quando o filme termina, não irá replicar aquilo que viu no filme. Laughing

Logicamente que as pessoas são livres de apreciar ou não o trabalho da banda, e apoiar ou não o seu projecto, recorrendo aos critérios que entenderem.


Claro que faço perguntas difíceis. Sei que são mas também é uma questão interessante de debater, pode dar uma boa discussão.
Esta questão para algumas pessoas é uma fonte de uma grande dissonância cognitiva: Por um lado não querem deixar de ouvir, por outro não querem apoiar socialmente, noutros domínios, nada do que é advogado por tais bandas. Isso cria um dilema que só tem duas soluções: Ou se boicota, ou então fecha-se os olhos/ignora-se ao que está a ser promovido.
A própria pessoa pode ser perfeitamente imune à propaganda mas, directa ou indirectamente, está a dar o seu apoio e a ajudar à promoção de uma banda que pode vir a afectar outras pessoas. E como tal a contribuir para a promoção dessas ideologias.

Eu também penso que as bandas podem defender o que quiserem. Esta pergunta que fiz é referente à posição pessoal de suporte ou boicote ao material que advogue ideologias com as quais a pessoa não concorda nem deseja promover na sociedade.
Pessoalmente acho que é totalmente legítimo boicotar uma banda por não se querer apoiar/suportar a ideologia que ela está activamente a tentar promover na sociedade.

Referiste filmes de terror, mas repara que há uma diferença fundamental entre filmes de terror/bandas do estilo brutal death metal/goregrind e bandas que advogam ideologias políticas... É que os filmes de terror e as bandas de goregrind que lidam com tópicos de terror/gore/etc não estão a apelar às pessoas que vão à casa do vizinho e desmembrem quem lá estiver. Já as bandas com posições políticas activas estão realmente a promover algo que querem ver propagar-se e sair para além do palco artístico para ser difundido socialmente como posição política activa. E isso é bem mais do que uma questão puramente artística, é um incentivo ao quotidiano de cada um e não uma situação hipotética, uma ficção de carácter artístico.
Propaganda política é muito diferente de um contexto puramente artístico, de ficção.

Váli escreveu:
Oua Averrois conheces bandas com posição politica tens de me mostrar essas preciosidades .


Exemplos de bandas de esquerda/liberais: Dying Fetus, Cephalic Carnage, Napalm Death, Sepultura, Misery Index
Exemplos de bandas de (extrema) direita: M8L8TH, Burzum, Graveland, Ad Hominem, Satanic Warmaster

(Referi maioritariamente bandas de National Socialist Black Metal, com auxílio do Last.fm... Já agora: Black Metal Nacional Socialista é um grande paradoxo a meu ver.)


Floresta, Ex-Odal escreveu:
Sinceramente cago um bocado para ideologias políticas, a arte fala mais alto. Se estou a apoiar artistas com atitudes duvidosas? Sim, porque aprecio a sua arte e acredito que toda a gente tem direito a mandar bitaite. A censura de tais pessoas só nos torna como eles. E eu apoio tanta merda, duvido que me consigam meter um rótulo político por causa disso.


Não percebo essa lógica do "tornarmo-nos como eles". Será que eu por escolher boicotar a Zara (temporariamente ou permanentemente, não interessa) na sequência do que foi descoberto recentemente estou a ser como eles?
O acto de boicote diz respeito apenas ao indivíduo e limita-se a uma simples rejeição de consumir/apoiar/promover/divulgar uma determinada empresa, banda, movimento social, iniciativa, etc... Em causa não está exigir que esse agente seja destruído, impedido de se pronunciar, ou destituído dos seus direitos! Em causa está somente a cessação do apoio da pessoa perante esse agente.
Não é roubar o direito à liberdade de expressão, é dar uso ao acto de boicote para não apoiar aquilo com que não se concorda. E neste aspecto, pessoalmente acho que a arte não pode ser desculpa pois a ideologia política promovida por estas bandas não se fica pelo palco, como já disse, é algo que é transposto para a sociedade. A desculpa da arte é uma falsa questão a meu ver. Não se trata minimamente de ficção artística mas sim de uma apologia efectiva a uma ideologia política com a qual a pessoa não concorda nem deseja promover normalmente.


Além do mais acho que ao não nos importarmos com isso estaremos a dar espaço para que determinadas ideologias tomem gradualmente conta de um género ou de um subgénero de música. Da mesma forma que o neonazismo acabou por tomar conta e privar o movimento skinhead das suas verdadeiras origens e filosofias de vida e tomar conta dele. Essa é apenas mais uma das grandes razões pelas quais me levam a boicotar, não para censurar, mas para me desmarcar: eu não apoio isso e sou fiel aos meus valores tanto quanto possível, principalmente quando estou ciente do que se trata.

Para mim boicotar bandas é tão legítimo como boicotar empresas ou o que quer que seja pelas devidas razões. Acho que se toda a gente fosse mais proactiva neste aspecto e boicotasse quando efectivamente não concorda, se calhar evitava-se muitas merdas que acontecem por ninguém está a fim de se importar com isso. Martin Niemöller deu-nos um excelente alerta sobre os perigos da inactividade e ausência de reacção perante algo como isto.


Aproveito para fazer umas ressalvas e observações:

Spoiler:
 

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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qua Set 14, 2011 9:37 pm

Averróis, aprende um pouco comigo: boicotar é diferente de censurar. Boicotar é tu não ouvires, não comprares e fazeres, possivelmente, propaganda negativa à banda/marca/wtvr. Censurar é tomares acções para impedir a dita banda/marca/wtvr de fazer o que quer que seja. Os casos mais óbvios são os das bandas de folk metal de leste que estão fartas de levar com antifas nos seus concertos que querem que elas não toquem e usam meios violentos para esse fim. Isto não é boicote, é censura, e a meu ver, um acto desprezível.

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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qua Set 14, 2011 11:49 pm

A unica vez que decidi que ia deixar de ouvir um determinadas músicas por causa de razões semelhantes foi este FDP.



Pedófilo merdoso, quem o mandou fazer música tão boa Mad Mad

Agora em relação a questões politicas faço minhas as palavras do Floresta

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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qui Set 15, 2011 1:54 am

Se a promoção de ideias das quais discordo estiver presente na música, não ouço. Nem é por boicote consciente, mas porque isso é um major turn-off artisticamente.
Já músicos com posições das quais discordo mas que não as incluem na sua arte não tenho problemas em ouvir (Burzum é o exemplo óbvio, não me lembro de referências a extrema direita ou seja o que for na sua música).

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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qui Set 15, 2011 2:40 am

Ceinwyn escreveu:
Se a promoção de ideias das quais discordo estiver presente na música, não ouço. Nem é por boicote consciente, mas porque isso é um major turn-off artisticamente.
Já músicos com posições das quais discordo mas que não as incluem na sua arte não tenho problemas em ouvir (Burzum é o exemplo óbvio, não me lembro de referências a extrema direita ou seja o que for na sua música).


É a minha posição, também.

Se uma banda for New Age (o exemplo do nazismo está muito batido Razz ) e os membros da banda andarem por aí a defender coisas como as vacinas serem a principal causa de morte entre as crianças e que os ET's vêm buscar os escolhidos em 2012, por mim tudo bem, desde que essas ideias não estejam expressas nas suas músicas.

Mas uma coisa é certa, mesmo que esses ideias não estejam implícitos ou explíticos nas letras das suas músicas, se calhar vou ficar um bocadinho de pé atrás com a banda. Mas depende, claro, da "gravidade" dos ideais que defendem e da frequência ou insistência com que o fazem.
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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qui Set 15, 2011 2:42 am

Signatus escreveu:
A unica vez que decidi que ia deixar de ouvir um determinadas músicas por causa de razões semelhantes foi este FDP.



Pedófilo merdoso, quem o mandou fazer música tão boa Mad Mad


Signatus, o Oliver Shanti é pedófilo??? Neutral Ora aí está algo que eu não sabia.
Eu às vezes ainda oiço uma música ou outra, mas é cada vez mais raro. Fartei-me.
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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qui Set 15, 2011 2:43 am

Nuno escreveu:
Ceinwyn escreveu:
Se a promoção de ideias das quais discordo estiver presente na música, não ouço. Nem é por boicote consciente, mas porque isso é um major turn-off artisticamente.
Já músicos com posições das quais discordo mas que não as incluem na sua arte não tenho problemas em ouvir (Burzum é o exemplo óbvio, não me lembro de referências a extrema direita ou seja o que for na sua música).


É a minha posição, também.
(...)
Mas depende, claro, da "gravidade" dos ideais que defendem e da frequência ou insistência com que o fazem.


Exacto. Concordo com a @ceinwyn e com o @nuno. Smile
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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qui Set 15, 2011 2:46 am

Citação:


Músico alemão, actualmente com 59 anos, cujos nomes artísticos mais conhecidos são Oliver Serano-Alve e Oliver Shanti, Ulrich Schulz viveu durante duas décadas numa quinta em Vila Nova de Cerveira, sendo o seu paradeiro desconhecido desde 2002, relata a Lusa.

Desde 2003 tinha pendente um mandado de detenção europeu, emitido pelas autoridades alemãs, por suspeita da prática, no seu país de origem, de, pelo menos, 116 crimes de pedofilia.

As autoridades alemãs destacam a sua "elevada perigosidade", já que cinco dos seus alegados abusos sexuais de menores terão envolvido um elevado grau de violência.

Os alegados crimes terão ocorrido no âmbito da seita que o próprio fundou na década de 80, na Baviera, e que poderá ter dado cobertura a mais mil abusos sexuais de menores.


http://quiosque.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ae.stories/10496

Foi um choque para mim quando descobri, de new age era o que eu mais ouvia....

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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qui Set 15, 2011 2:52 am

Signatus escreveu:
Citação:


Músico alemão, actualmente com 59 anos, cujos nomes artísticos mais conhecidos são Oliver Serano-Alve e Oliver Shanti, Ulrich Schulz viveu durante duas décadas numa quinta em Vila Nova de Cerveira, sendo o seu paradeiro desconhecido desde 2002, relata a Lusa.

Desde 2003 tinha pendente um mandado de detenção europeu, emitido pelas autoridades alemãs, por suspeita da prática, no seu país de origem, de, pelo menos, 116 crimes de pedofilia.

As autoridades alemãs destacam a sua "elevada perigosidade", já que cinco dos seus alegados abusos sexuais de menores terão envolvido um elevado grau de violência.

Os alegados crimes terão ocorrido no âmbito da seita que o próprio fundou na década de 80, na Baviera, e que poderá ter dado cobertura a mais mil abusos sexuais de menores.


http://quiosque.aeiou.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ae.stories/10496

Foi um choque para mim quando descobri, de new age era o que eu mais ouvia....


affraid affraid Yah, eu também. Era uma das coisas que mais ouvia. Neutral Mas não sabia dessa história. pale
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MensagemAssunto: Re: Filiação política/social da música que ouvimos.   Qui Set 15, 2011 5:14 am

Eu costumo dar mais importância à música, deixando a letra para segundo plano (em parte devido à diversidade de línguas das bandas/artistas que ouço), mas não deixo de ouvir banda x ou artista y por este expressar nas suas letras ideais político-sociais que até posso nem estar de acordo. O mais importante para mim (e sempre foi no meu percurso musical) é a experiência sonora, seja através das notas dos instrumentos ou da entoação da voz, remetendo as letras para segundo plano. Dou o exemplo de uma banda do chamado "National Socialist Black Metal" (seja lá isso o que for), Temnozor. Aprecio bastante a parte musical dessa banda, mesmo cantando eles em russo sei quais os ideais que prezam e que transmitem na sua música. Não os vou deixar de ouvir por essa razão, e no aspecto lírico há também que ter senso daquilo que transmitem e se te deixas influenciar por isso ou se concrodas e segues esses ideais.
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