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 Ferro forjado

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Glam
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Ter Out 16, 2012 5:30 pm

Averróis escreveu:

Nesse respeito creio que não há grandes discórdias: a tecnologia, e particularmente a internet, revolucionou completamente o nosso acesso à informação para um nível nunca antes visto, de todo. Aproveito até para citar Benjamin Franklin: "We are all born ignorant, but one must work hard to remain stupid". Se no tempo dele isto fazia sentido, hoje em dia ainda mais sentido faz pois a informação está mais do que acessível -- e isto se não nos entrar directamente mesmo sem nossa iniciativa, ao sermos bombardeados com ela. É o oposto total das sociedades feudais, durante a Idade Média, onde apenas uma pequena parte da população tinha acesso à informação, aos estudos, às bibliotecas.

E com isto quero dizer que a Internet satisfaz-nos, melhor que nunca, a nossa sede de conhecimento, que é uma das principais essências do ser humano, deste cérebro que possuímos.
Por todas estas razões e mais algumas, eu sou um grande apologista de mais e melhor acesso à internet, à informação, à tecnologia. Possivelmente um dia talvez venha a ser gratuito de direito em vários países.

Concordo contigo na revolução que a Internet nos trouxe, mas discordo completamente que a "Internet satisfaz, melhor que nunca, a nossa sede de conhecimento." A Internet fornece maior quantidade de informação do que qualquer outro media, o que não é necessariamente bom. Essa informação pode ser útil, mas também pode ter origem duvidosa, competindo ao utilizador ter espírito crítico sobre isso (o que nem sempre é fácil). Concordo com "mais e melhor acesso à internet, à informação, à tecnologia", mas acho que não são esses os meios que sozinhos transmitirão educação, formação e conhecimento aos utilizadores. Acho que é preciso consciencializar o utilizador dos riscos das vantagens desses mesmo meios e é importante haver até formação nesse sentido. Pode parecer ser senso comum, mas a quantidade de fontes duvidosas com que me cruzo e a quantidade de pessoas que vejo a assumi-las como certas leva-me a crer que não o é.
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Averróis
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Qua Out 17, 2012 6:21 pm

Glam escreveu:
Concordo contigo na revolução que a Internet nos trouxe, mas discordo completamente que a "Internet satisfaz, melhor que nunca, a nossa sede de conhecimento." A Internet fornece maior quantidade de informação do que qualquer outro media, o que não é necessariamente bom. Essa informação pode ser útil, mas também pode ter origem duvidosa, competindo ao utilizador ter espírito crítico sobre isso (o que nem sempre é fácil). Concordo com "mais e melhor acesso à internet, à informação, à tecnologia", mas acho que não são esses os meios que sozinhos transmitirão educação, formação e conhecimento aos utilizadores. Acho que é preciso consciencializar o utilizador dos riscos das vantagens desses mesmo meios e é importante haver até formação nesse sentido. Pode parecer ser senso comum, mas a quantidade de fontes duvidosas com que me cruzo e a quantidade de pessoas que vejo a assumi-las como certas leva-me a crer que não o é.

Sim, como tenho dito várias vezes, depende muito do uso que se dá às ferramentas, pois a Internet não está apenas repleta de informação válida e útil, está também cheia de charlatães que espalham informação falsa, veja-se as promessas de curas milagrosas com certos produtos. Longe de mim afirmar que não existem perigos de falsa informação na internet.
O que quero dizer é que quem gosta de se informar, e sabe informar-se de forma minimamente consciente e racional, a Internet reúne facilmente autênticas bibliotecas à distância de um clique. Há muita informação mesmo.
E concordo que deve haver formação, pois, como em tudo, o uso que se dá às coisas pode ser comprometido e ficar aquém do que seria recomendável. Por vezes até em ética existem inúmeras falhas na formação das pessoas.

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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Seg Out 22, 2012 9:26 pm

Desculpem a demora na resposta. Ando metido em burocracias até aos cabelos Smile

Embora a conversa sobre os efeitos da tecnologia moderna sobre a sociedade e a maneira de estar das pessoas seja interessante, gostava de voltar a encaminhá-la para o trabalho manual.



Concordo que como sociedade temos um domínio muito superior da Terra do que tínhamos há um século. Acontece que só um subconjunto da sociedade é que lida com esse trabalho - subconjunto esse associado às classes operárias e aos países em desenvolvimento. É, também, um trabalho mais indirecto, seja pela utilização de ferramentas eléctricas ou pela manipulação de maquinaria pesada.

Também não me refiro ao nosso conhecimento científico sobre a Terra, o verdadeiro aprofundamento do qual reside nas mãos de uma restrição muito forte da população no geral.

Em boa verdade, nem me estou a referir a uma propriedade da sociedade. Estou a referir-me a uma propriedade de maior parte dos indivíduos da sociedade. É algo muito mais pessoal e íntimo; algo perigosamente perto daquilo que nos diferencia dos outros animais.

Temos hostes de gente que só sabe atender telefonemas e fazer mexer papel - funções necessárias - mas estamos a esquecer, no geral, as nossas origens.

Mais uma vez, não quero que voltemos a ser homens das cavernas. Para além disso, confesso que não tenho argumentos racionais fortes: não acho que haja uma necessidade de sabermos trabalhar o ferro ou a madeira directamente. Já há quem o faça por nós. Mas estamos a perder o elo que temos com a terra, que passa pela nossa capacidade de a trabalhar pessoalmente (o que nos distingue dos demais animais). Estamos, progressivamente, a sentirmo-nos mais distanciados da "Terra", de parte do que nos torna humanos, e do que estamos a fazer à Terra para termos os confortos que temos.

Enfim, desculpem os devaneios. Hoje ainda por cima estou cansado e com dificuldade em me exprimir Smile
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Dom Out 28, 2012 5:01 pm

A propósito deste tópico, estive a ler este artigo, cujo original podem encontrar no blog Urgrund.
A versão editada em revista, em PDF, pode ser sacada a partir do mesmo blog. O artigo está na página 11.

Citação :
O FERRO E OS FERREIROS: Carácter Sagrado e Imaterial

Por Júlio Mendes Rodrigo
10 de Janeiro de 2008


O Ferro: Dávida dos Deuses


O ferro é um metal duro e ao mesmo tempo nobre. Tem actualmente uma ampla utilização quotidiana, por exemplo, nas actividades agrícolas de práticas ancestrais, em ferramentas de trabalho como a enxada e a charrua, é também usado na construção e decoração de edifícios, entre outras.
Na morte surge na ornamentação da campa, onde por vezes se coloca o simbolismo da cruz e a própria representação de Cristo. Na guerra o ferro e outros metais servem igualmente sobre a forma de armas para a defesa contra o inimigo.1
O ferro também é utilizado num contexto mais sagrado, neste caso no templo, onde se exerce o culto religioso, onde o Homem medita e reza.
O ferro tem, portanto, um sentido religioso. Metal celeste (meteoro), foi considerado uma dádiva generosa dos Deuses, na época do domínio do bronze. Esta concepção aparece em várias culturas, por exemplo na egípcia, com referências no texto sagrado de Abu Simbel (séc. XII a.C.).
Acerca da crença da origem celestial do ferro, já os povos ‘primitivos’ trabalhavam o ferro meteórico muito antes de saberem utilizar os minerais de ferro encontrados à superfície da terra. Antes de descobrirem a fusão, os povos pré-históricos tratavam esses materiais como pedras, ou seja, considerando-os como materiais brutos para o fabrico de utensílios líticos.

Quando Cortez (séc. XV) perguntou aos chefes Astecas como obtinham as suas facas, eles mostraram-lhe o céu. Como os Maias do Iucatão e os Incas do Perú, os Astecas utilizavam unicamente o ferro meteórico, valorizando-o mais que o ouro. Ignoravam igualmente a fusão dos metais.
Os povos da antiguidade oriental compartilharam muito provável-mente ideias análogas. A palavra sumeria An-bar, o vocábulo mais antigo que designa o ferro, é constituída pelos sinos pictográficos ‘céu’ ‘fogo’, que é traduzido geralmente por ‘metal celeste’ ou ‘metal estrela’.
Durante muito tempo também os Egípcios apenas conheceram o ferro meteórico. O mesmo se passa com os Hititas: um texto do séc. XIV afirma que os reis Hititas utilizavam o ‘ferro negro do céu’.

O Triunfo do Ferro

No entanto, a utilização dos meteoritos não estava em condições de promover uma ‘Idade do Ferro’ propriamente dita. Enquanto durou, o metal manteve-se raro (sendo tão precioso como o ouro), e o seu uso foi antes de tudo, ritual.

Foi necessária a descoberta da fusão dos minerais para inaugurar uma nova etapa na vida da humanidade – a Idade do Metal. Isto é especialmente verdadeiro no que diz respeito ao ferro. Uma vez descoberto, ou aprendido o segredo de fundir a magnetite ou a hematite, não foi difícil conseguir grandes quantidades de metal, pois as jazidas eram muito ricas e de exploração fácil.
Só após a descoberta dos fornos e sobretudo após o aperfeiçoamento da técnica de ‘endurecimento’ do metal aquecido ao rubro é que o ferro atingiu a sua posição predominante. Pode-se apontar para 1200-1000 a.C., nas montanhas da Arménia, os primórdios desta metalurgia à escala industrial. Foi então que o segredo da fusão se propagou através do Próximo Oriente, do Mediterrâneo e da Europa Central.
Até muito tarde, o trabalho do ferro manteve-se fiel aos modelos e estilos da Idade do Bronze (tal como a Idade do Bronze prolongou primeiro a morfologia estilística da Idade da Pedra). O ferro aparece sobre a forma de ornamentos, amuletos e estatuetas. E conservou durante muito tempo o seu valor sagrado, que sobrevive aliás entre muitos ‘primitivos’ actuais.
Analisando os simbolismos e os complexos mágico-religiosos, pode-se concluir que antes de se impor na História militar e geopolítica da Humanidade, a ‘Idade do Ferro’ deu origem a um grande número de ritos, mitos e símbolos que se reflectiram na História espiritual da Humanidade.
O aparecimento tardio do ferro, seguido do seu triunfo industrial, influenciou profundamente os ritos e os símbolos metalúrgicos. Toda uma série de tabus ou de utilizações mágicas do ferro derivam da sua vitória e do facto de ter suplantado o bronze e o cobre, que representaram outras idades e outras mitologias.
Segundo Mircea Elíade 2 quer se julgue ter caído da abobada celeste, ou ter sido extraído das entranhas da terra, o ferro está carregado de potência sagrada. O autor cita mesmo o exemplo dos reis Malaios guardarem uma ‘barra sagrada de ferro’, que fazia parte das suas regalias, sendo objecto de uma veneração extraordinária a par de um terror supersticioso. De acordo com Elíade, factos como este não se tratam de simples ‘fetichismo’, da adoração de um objecto per si, de superstição, mas antes de respeito sagrado em relação a um objecto estranho, que não pertence ao universo familiar, que vem de algures e que é portanto um sinal do ‘Além’, uma imagem aproximativa da transcendência.
O ferro conserva ainda um extraordinário prestígio mágico-religioso, mesmo entre os povos que possuem uma História cultural bastante avançada e complexa. Plínio escrevia que o ferro é eficaz contra os noxia medicamentam e também adversus nocturnas limphationes 3.

Em 1907, Goldzinger acumulava já uma quantidade de documentos respeitantes ao uso do ferro contra os demónios. Vinte anos depois Seligmann aumentou em muito o número de referências. No nordeste da Europa, os objectos de ferro protegiam as colheitas das intempéries, dos sortilégios e do mau olhado.
Verificamos o prestígio da mais recente das ‘Idades do Metal’ – a ‘Idade do Ferro’ vitorioso, cuja mitologia, em grande parte submersa, sobrevive ainda em costumes, tabus e superstições muitas vezes insuspeitos. O ferro conserva o seu carácter ambivalente: pode encarnar igualmente o espírito diabólico ou divino. Em muitos locais, recorda-se obscuramente que o ferro representa não só a vitória da civilização (ou seja da agricultura), mas também da guerra.

O Ferreiro: Senhor do Fogo

O ferreiro era acima de tudo um trabalhador do ferro com uma condição de nómada, porque ele se deslocava permanentemente em busca do metal bruto e do trabalho, colocando-o em contacto com populações diferentes.
Assim o ferreiro era o principal agente de difusão de mitologias, de ritos e dos mistérios metalúrgicos.
As ferramentas do ferreiro participam igualmente da sacralidade. Assim o próprio fole possui o seu simbolismo, mantendo um estreito relacionamento simbólico como sopro; desempenha no Taoísmo o papel de símbolo das relações entre o Céu e Terra, tendo o Céu como tampa e a Terra como fundo.4
A bigorna também possui um simbolismo; interpretada frequentemente como a contrapartida feminina do martelo, que é visto como activo e masculino. A bigorna também aparece como atributo da valentia, uma das virtudes cardeais.5
O Martelo-ferramenta, originalmente arma: simboliza, por essa razão, o poder e a força. É geralmente relacionado com o trovão, sendo por isso, na mitologia germânica, um atributo de Thör, deus do trovão. Na Antiguidade, o martelo era o utensílio de Hefaístos (Vulcano), deus do fogo e da forja. Em algumas culturas, são conhecidos os martelos ritualmente forjados a que se atribuía um poder mágico de protecção contra o mal. No Norte da Europa, inúmeros martelos figuram, por exemplo, nas pedras funerárias; trata-se talvez de um sinal com a função de defender o repouso do defunto contra influências malignas. Eventualmente, encontram-se também martelos na qualidade de símbolos disfarçados de cruz. Na Franco-maçonaria, é um símbolo da vontade orientada pela força da razão. No mundo jurídico, o martelo possui um significado simbólico e obrigatório nos leilões e em outros negócios. Após a morte do Papa, bate-se três vezes com um martelo de ouro nas paredes do quarto mortuário, proclamando-se assim o facto oficialmente.6


O martelo, o fole e a bigorna revelam-se animados e maravilhosos. Julgava-se poder operar pela sua própria força mágico-religiosa, sem ajuda do ferreiro. Elíade cita-nos o exemplo do ferreiro do Togo que fala, a propósito das suas ferramentas, do martelo e sua família. Em Angola, o Martelo é venerado, porque ele forja os instrumentos necessários à agricultura.
Os Ogowe, não conheciam o ferro e portanto não o trabalhavam, veneravam o fole dos ferreiros das tribos vizinhas. Estas crenças não se detêm apenas no poder sagrado dos metais, estendem-se á magia das ferramentas. A arte de fabricar ferramentas é de essência sobre-humana, quer seja divina ou demoníaca (o ferreiro também forja armas mortíferas). O martelo, sucessor do machado dos tempos líticos, tornou-se o símbolo dos deuses fortes, os deuses da tempestade. Assim pode-se compreender a razão pela qual os deuses da tempestade e da fecundidade agrária são por vezes imaginados como deuses ferreiros.
Todavia os próprios metais possuem o seu simbolismo: O Bronze, mais acessível à imaginação do fundidor e do artista, era o valor feminino da metalurgia, devido a tantos cuidados e melindres que exigia; o Ferro, por contraste duro, resistente, bárbaro, apenas cedia ao fogo e ao martelo, tomava a forma sempre mais simples que o ferreiro pretendia, e só de novo ao fogo dobrava e redobrava para ser deposto nas sepulturas do guerreiro, que usara dele as armas indomáveis. Era o elemento másculo.7
O ferreiro, assim como o alquimista, bem como o oleiro, era um ‘Senhor do Fogo’. É através do fogo que ele opera a passagem do elemento de um estado bruto até ao estado de obra final.

Hefaístos é considerado pela mitologia clássica como deus do Fogo, protector dos ferreiros e dos trabalhadores de todos os metais. Era ainda o deus da metalurgia e deus da saúde, por se aplicar o ferro ao rubro no tratamento de todas as feridas. Eram os coxos que trabalhavam o ferro nas forjas, assim Hefaístos era representado coxo, de camisa, com tenazes nas mãos e gorro na cabeça. Os próprios ciclopes eram considerados ferreiros.
Na mitologia hagiográfica cristã aparece-nos S.Clemente como advogado dos ferreiros e do Fogo. Mas também S. Jorge, como patrono dos ferreiros.8

Segundo Augusto P. Lima 9, Vulcano também seria considerado como deus dos ferreiros. Assim no fim do mês de Outubro, realizavam os pagãos festas ruidosas, chamadas ‘Chalius?’, consagradas ao deus Vulcano pelos ferreiros, caldeireiros, e outros artífices deste género.
Ainda existem reminiscências nas tradições populares relativas aos ferreiros, pois as cerimónias do paganismo perduram muitas vezes nas procissões, nas festas e nos arraiais, apesar de muitas vezes terem sido aplicadas medidas proibitivas pelos poderes eclesiásticos.

A Forja

«A forja é o lugar onde trabalha o ferreiro… está instalada numa casa térrea, longe da cozinha. Sobre uma pequena construção de pedra fica a fornalha, onde se coloca o carvão ardido. Dum lado leva uma pedra vertical, com um buraco no fundo, onde entra e apoia o bico do fole. Este, de grande proporções, é de couro nos lados e, em cima, debaixo e no meio, de madeira, accionado por meio de uma alavanca.

O ferro só se pode trabalhar em quente, para lhe dar as formas pretendidas. Por isso, o ferreiro tem uma gama variadíssima de ferramentas.
Os utensílios usados pelo ferreiro, são, de certo modo, rudimentares. Efectivamente, entre eles, conta-se, uma pia com água para temperar o ferro.
A cinza ou pó de carvão e de ferro são bons para as amatas dos burros. A bigorna, cavalete ou çafra, está no chão ou sobre um tronco de pau. O malho é o que bate no ferro, podendo bater duas pessoas alternadamente, por vezes o homem e a mulher, um filho e ajudante, ou o dono da ferramenta.
Encabados em ‘bergueiros’ de carvalho, rachados numa ponta e apertados por argolas ou arames, há o calcador, a talhadeira, o ponteiro, respectivamente para calcar, cortar, furar sobre a çafra.
Os tufos são tacos de ferro, para fazer o olho do enchadão, da sachola, da machada, etc. A sufrideira ajuda a dar as formas ao ferro. A craveira para fazer as cabeças dos cravos e pregos. A rosca faz as roscas e os parafusos. O berbequim para furar o ferro, a serra de aço e ferro, as tenazes de vários tamanhos e formas.
Têm alguns ferreiros, a forma de pedra, para fazer colheres de lançar a sopa, e o rebolo, para rebolar e afiar a ferramenta. É uma pedra redonda, como uma mó pequena de moinho, apoiada no centro e de cada lado por um ferro, que dum lado termina em manivela accionada pelo pé. Sobre o rebolo está um cornato a pingar água, enquanto se rebola a ferramenta. Quanto mais se bate no ferro, mais cresce.
A maior ciência desta arte é caldear o ferro, que antes se fazia com areia e carvão e hoje é com pasta – a calda. Ao ter o calor suficiente é necessário bater rapidamente. A têmpera da ferramenta é de muita perícia. Ao sair do lume, mete-se na pia de pedra e depois, com o chifre dum carneiro, unta-se a ferramenta, para dar melhor têmpera, amaciar e não estalar o ferro».
10

Património Imaterial: Os Ferreiros em Penafiel





Os artífices do ferro – os Ferreiros como todos os artesãos são uma classe muito peculiar, com um universo muito próprio. Com o seu património sobretudo imaterial, como as práticas, conhecimentos e aptidões, depois expresses em arte performativa, ritual e festiva – a sua herança cultural de classe transmitida de geração em geração.
Um exemplo muito concreto é aquele que se verifica por ocasião das Festas do Corpo de Deus em Penafiel no Norte de Portugal, com o Baile dos Ferreiros ou das Espadas. O baile dos Ferreiros assim designado, era apresentado pelos artífices desta especialidade, tanto nas referidas festas, como em outras de carácter nacional.

Durante a procissão de Corpus Christi em Penafiel realiza-se uma saída ao meio-dia desde os Paços do Concelho até à Igreja Matriz, onde o ofício dos ferreiros é (era) responsável da guarda de honra em duas filas à figura de S. Jorge a cavalo, realizando a ‘Dança das Espadas’, esta “Santa dança, que é realmente muito antiga e que o povo diz ser a única que pode entrar na igreja.” 11
Abílio Miranda 12 estudou este assunto em 1940, e citando os Tombos das Festas do Corpo de Deus (seiscentista – 1657 e setecentista – 1705), descreve:
“A dança das Espadas constará de quinze homens todos bem aparatados e todos com seus panetes brancos na cabeça e suas capelas de flores como sempre foi costume; esta dança dará os ferreiros e serralheiros, e entre todos escolherão quinze homens para dançarem dos melhores e não dançando alguns deles pagarão dois mil reis de cadeia, e o juiz que for da dita dança, a solicitará, e porá na rua mui perfeita sob a mesma pena de dois mil reis.A dança dos ferreiros, com capelas de flores na cabeça e fitas nas costas com espadas, fazendo muitas evoluções investidas e retiradas, era uma dança guerreira animada pelo tambor e pela gaita de fole.” 13
Nas palavras de Ângelo Pimentel 14:
“O baile dos ferreiros era o primeiro. O mestre de calção vermelho, presidia ao acto, que era acompanhado pela caixa de rufo e pela gaita de foles, que tinha percorrido a cidade pela manhã que, nos melhores tempos, vinham expressamente da Galiza para as festas do Corpo de Deus de Penafiel.”
Segundo Teresa Soeiro 15:
“O baile dos ferreiros, era ainda o tradicional, com os homens vestidos de casaco e calção brancos, faixa vermelha enrolada à cintura. Só o mestre envergava calção e colete vermelho. Dançavam ao som da agita de foles e de tamboril, uma complexa coreografia. Eram os membros deste baile dos ferreiros que faziam, a guarda de honra à Câmara durante a procissão, sendo por isso a única dança que sempre a pode integrar, mesmo depois de todos os interditos contra a presença de invenções nos actos religiosos. Este baile tem de ser necessariamente organizado todos os anos.”

A organização dos ferreiros nos burgos europeus fazia-se por ruas desde a Idade Média, sendo esta uma classe forte e possidente. Esta importância era devido ao facto da necessidade destes artesãos por parte da sociedade rural mas também da citadina, anteriormente à revolução industrial do séc. XIX.

Verso cantado nos bailes (acompanhado de gaita de foles)16:
A nossa arte é um ferro
Com ele vimos dançar;
Vimos a esta cidade
Procurar que trabalhar


A nossa arte é um ferro
O salário p’ra ganhar:
Sem trabalharmos primeiro,
Ninguém pode trabalhar.


Nem o rei pode ser rei
Sem haver o tal ferreiro;
Com ferro se vence a guerra,
Co’ele se ganha dinheiro.


Em Penafiel, os oficiais ferreiros encontravam-se sediados na Rua do Carmo, era aí que antes da grande industrialização se fazia sentir e se trabalhava a chapa de vergalhão, batido na bigorna, e de noite para que melhor se distinguisse o rubro onde as pancadas teriam de cair certeiramente para não se cortar a chapa. O barulho seria ensurdecedor, sendo o trabalho dirigido pelo mestre com o martelinho, batendo no ponto onde seguidamente descia a roda dos malhos (cinco). Forjado assim o ferro em chapa fina, era esta cortada e sujeita a formas e moldes especiais, e, rematando o trabalho, passava a ser garantido pelos peritos escolhidos pela câmara para este fim.17

Conclusão: Á Atenção das Consciências

Todos os estudiosos desta questão apontam Penafiel como importante centro de produção, especificamente de candeias, utilizadas na iluminaria, até ao advento da electricidade e da afirmação da ‘Luz’. Com o fim da utilização das candeias no uso doméstico, regista-se o ‘agoniar’ dos ferreiros, e da arte e cultura que encerram.
O que queremos é que a herança e tradição dos ferreiros perdure nas gerações futuras. Esperemos que de quem responsável se deslumbre igual desejo.
Contudo o despertar para a consciência desta realidade tarda. A herança deste património imaterial 18 que se pretende transmitido, recriado e continuado, fortalecerá o sentido de identidade da classe e da comunidade. Bem como, a sua preservação promove, sustém e desenvolve a diversidade cultural tão procurada actualmente, numa clara resposta à ameaça da homogeneização cultural fruto da Globalização.

Corpus – Christi, 2006
Júlio Mendes Rodrigo



Notas:
1 Ferreira, J.A. Pinto. Os Metais. A Arte Popular em Portugal. Editorial Verbo, p. 175-205.
2 Mircea Elíade (1907-1986), nascido em Bucareste (Roménia), filósofo, actuou principalmente no campo da História das Religiões, sendo durante 30 anos Director de Departamento na Universidade de Chicago (EUA). A sua análise assumia a existência do Sagrado como objecto de trabalho na religiosidade humana.
Apoiamo-nos grandemente na edição portuguesa da Relógio D’Água [Lisboa, 1987] da sua obra O Ferro e os Ferreiros (Forgerons et Alchimiste).
3 Nat. Hist. XXXIV, 44.
4 Helder Lexicon. Symbole. Verlag. Freiburg: Herder, 1990.
5 Idem.
6 Idem.
7 Chaves, Luís. Arte nos Metais. Arte Portuguesa: Artes Decorativas. Lisboa, Vol. 1.
8 Lima, José Augusto Pires. Os Ferreiros. Estudos Etnográficos, Filológicos e Históricos. Junta Província do Douro Litoral. Porto, 5 (1950), p.19.
9 Lima, José Augusto Pires de. Obra citada, p.19 e segs.
10 Direcção Geral da Divulgação. Artes e tradições de Bragança. Lisboa: Terra Livre, 1979. [Descrição de como trabalhavam os ferreiros do distrito de Bragança.]
11 Miranda, Abílio. Origem das danças nas festas de Corpus – Christi. In Penha – Fidelis. Penafiel, 1(4), 1927, p. 66-71.
12 Abílio Miranda (1893-1962), figura fulcral da vida cultural de Penafiel, autodidacta, investigador bairrista, arqueólogo, etnógrafo e historiador, actividades que manteve a par com a gerência da Pharmacia Miranda. Foi o grande impulsionador da actividade museológica no concelho, sendo Conservador do Museu e a partir de 1947 Director da Biblioteca-Museu. Em 1929 foi Presidente da Associação dos Bombeiros Voluntários de Penafiel, mais tarde foi Secretário e depois Presidente da Comissão Municipal da Cultura, bem como Vereador da Câmara Municipal e Delegado Concelhio da Junta Nacional de Educação. A sua actividade como autor foi extensa desde a colaboração em Jornais (O Penafidelense, O Marcoense, Jornal de Lousada), passando pela publicação da revista Penha-Fidelis, até aos fascículos culturais. Sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, membro da Associação de Arqueólogos Portugueses e da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnografia, recebeu a título póstumo a ‘Medalha de Honra da Cidade e Concelho’.
13 Miranda, Abílio. O Baile dos Ferreiros de Penafiel e o dos Pauliteiros de Miranda. Boletim do Douro Litoral. Porto, 2 (1940), 1ª Série.
14 Pimentel, Ângelo. Penafiel Antiga. Penafiel, 1970, p. 25-60.
15 Soeiro, Teresa. Os dias grandes. In Cadernos do Museu. Museu Municipal de Penafiel, Penafiel, 6-7 (Dias Festivos: O Corpo de Deus em Penafiel), 2000-2001, p. 168.
A Prof.ª Dr.ª Teresa Soeiro é a actual Directora do Museu Municipal de Penafiel.
16 Miranda, Abílio. Origem das danças nas festas de Corpus – Christi. In Penha – Fidelis. Penafiel, 1 (4), 1927, p. 66-71.
17 Lima, José Augusto Pires de. Obra citada.
18 A Convenção para a Preservação do Património Imaterial (Convention for the Safeguarding of the Intangible Cultural Heritage) define património imaterial como as práticas, expressões, bem como conhecimentos ou aptidões, que as comunidades, grupos e nalguns casos indivíduos, reconhecem como parte da sua herança cultural. Tais como: expressões orais, incluindo a língua como veículo do património imaterial; artes performativas; práticas sociais, rituais e eventos festivos; e artesanato.
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Dom Out 28, 2012 6:40 pm

Um artigo muito engraçado! Boa descoberta, e obrigado pela partilha! Algumas das referências são bem interessantes...

Tenho pena que não se diga no artigo se alguns destes eventos ainda perduram nos dias de hoje. A dança dos ferreiros em particular deve ser bem engraçada de ver! Smile



Entretanto lá consegui (finalmente) forjar este fim de semana. Vim com mais uma série de peças feitas. Vou ver se coloco fotos amanhã Smile
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Seg Out 29, 2012 12:55 am

Anvilfolk escreveu:
Tenho pena que não se diga no artigo se alguns destes eventos ainda perduram nos dias de hoje. A dança dos ferreiros em particular deve ser bem engraçada de ver! Smile
Tens bom remédio... Vai aos locais e está presente! Very Happy
Se ainda houver a tal dança, até podes ter a oportunidade de falar com os tais ferreiros (se é que algum ainda o é actualmente).
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Qui Nov 01, 2012 4:36 pm

Bem, depois de 5 semaninhas muito pobres no que toca a trabalhos manuais, lá voltei o fim de semana passado à forja.

Primeiro, acabei uma ferramenta que cabe no buraco quadrado das bigornas, e que serve para cortar material. Este material é muito grosso, tornando-o muito difícil de forjar à mão. Mas isso não é desculpa, portanto aqui estão algumas fotos do processo, agora com um ar extra de estupidez por causa da banda de suor...





E aqui está o resultado final, já endurecido, temperado e com o gume feito.












Ficou um bocadinho tosco por causa do cansaço do braço, mas funciona! Utilizei-o para cortar o material das seguintes peças.

Estamos a pensar fazer um workshop para alunos de escultura em madeira. Queremos que eles aprendam a fazer as suas próprias ferramentas, que às vezes é preciso mandar vir de fora a custo muito elevado. Achei que seria simpático eles terem umas tenazes que os ajudassem, portanto forjei-lhes umas:









Ficaram bem pequeninas, mas extremamente sólidas. Estão adaptadas para o espigão da goiva que eles aprenderão a fazer. Está aqui um vídeo de eu, já cansado, a trabalhar as pernas das tenazes:




Finalmente, aqui está um protótipo de goiva que fiz para descobrir um bom processo de fabrico para ensinar quem tem pouca experiência. Há uma série de erros que serão corrigidos na próxima iteração Smile








Espero que tenham gostado Smile
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Ter Nov 06, 2012 8:52 pm

Isto dá-me pena de não ter tempo/jeito/inspiração para artes manuais, deve ser fantástico ver algo surgir das nossas próprias mãos.
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Ter Nov 06, 2012 9:23 pm

Vi agora o tópico, e achei fantástico. Não sabia que ainda havia pessoas dedicadas a esta actividade, e a paixão com que a descreves é quase comovente, Anvilfolk.

Muita sorte para os teus projectos, e que consigas manter esta arte viva. Smile Vai continuando a dar notícias e a mostrar-nos o que fazes!

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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Ter Nov 06, 2012 9:32 pm

Anvilfolk, já agora, queria só fazer-te um pedido de ordem técnica: Será que é possível publicares as tuas fotos maiores da primeira página num tamanho um pouco mais pequeno, por favor? É que assim o layout fica mais largo, o que obrigada a fazer scroll na horizontal, tornando a leitura do texto pouco prática.

Obrigada. Smile

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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Qui Nov 08, 2012 11:29 am

Ártemis, isso não é desculpa! Eu nunca tinha feito nenhum trabalho manual, e dificilmente passei de aluno medíocre no curso de ferreiro. Se conseguirmos o nosso objectivo de ter uma oficina de ferreiro aberta ao público, ainda menos desculpa terás Wink Sei de uma ou outra ferreira profissional que faz coisas espectaculares, caso estejas interessada. Posso arranjar os sites delas Smile


RedHead, muito obrigado pelas palavras. Li-as com muito apreço Smile Vou tentar modificar as fotografias iniciais, mas tenho andado super ocupado.
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Nov 16, 2012 12:51 pm

Vou deixar isto aqui: http://www.facebook.com/APFerreiros

Se quiserem, podem ajudar a divulgar fazendo like ou partilhando Smile E, com um bocado de sorte, daqui a umas horas já existe oficialmente uma Associação!

Pelo menos uma ou duas pessoas já fizeram like... obrigado!

E também já actualizei o post inicial para ficar mais legível, como tinham pedido Smile
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Nov 16, 2012 1:07 pm

Anvilfolk escreveu:
Vou deixar isto aqui: http://www.facebook.com/APFerreiros

Se quiserem, podem ajudar a divulgar fazendo like ou partilhando Smile E, com um bocado de sorte, daqui a umas horas já existe oficialmente uma Associação!


Já deixei o meu like. Very Happy Divulguei na página de Facebook do Folk Lusitânia também.

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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Nov 16, 2012 1:10 pm

Mais uma vez, muito obrigado!

Como é que se faz uma página fazer like a outra? Já tentei fazer isso, mas acabo sempre por fazer like com a minha conta pessoal :\ Sou muito tanso... quem diria que venho de informática. NO MEU TEMPO AS COISAS ERAM MAIS SIMPLES
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Nov 16, 2012 1:19 pm

Anvilfolk escreveu:
Mais uma vez, muito obrigado!

Como é que se faz uma página fazer like a outra? Já tentei fazer isso, mas acabo sempre por fazer like com a minha conta pessoal :\ Sou muito tanso... quem diria que venho de informática. NO MEU TEMPO AS COISAS ERAM MAIS SIMPLES


Hehe, no problem. Isso acontece porque estás a entrar no Facebook como tu próprio, e não como "página". No canto superior direito do layout do Facebook, encontras uma barra com os seguintes menus: o teu nome, "Página Inicial", e uma setinha para baixo. Clicando nessa seta, tens, entre outras, a opção "Entrar no Facebook como:", e aí podes escolher se queres usar a tua conta pessoal ou a conta das páginas que administras. Escolhes a da APF, abres este link para a nossa página, e fazes like com a conta da APF. Tcharam! cheers




Espero ter ajudado. Depois diz se resultou. Wink

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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Nov 16, 2012 1:22 pm

Vitória! Obrigado Smile Estava a usar o link que aparece na própria página da APF, mas não muda o Facebook inteiro. Thanks Smile
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Nov 16, 2012 1:27 pm

Anvilfolk escreveu:
Vitória! Obrigado Smile Estava a usar o link que aparece na própria página da APF, mas não muda o Facebook inteiro. Thanks Smile


Pois, confere, dá para editar o conteúdo da página mesmo usando a nossa conta pessoal, mas depois para outro tipo de coisas tem mesmo de ser assim.

Não tens de quê. Wink

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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Nov 16, 2012 8:44 pm

Anvilfolk escreveu:
Ártemis, isso não é desculpa! Eu nunca tinha feito nenhum trabalho manual, e dificilmente passei de aluno medíocre no curso de ferreiro. Se conseguirmos o nosso objectivo de ter uma oficina de ferreiro aberta ao público, ainda menos desculpa terás Wink Sei de uma ou outra ferreira profissional que faz coisas espectaculares, caso estejas interessada. Posso arranjar os sites delas Smile


RedHead, muito obrigado pelas palavras. Li-as com muito apreço Smile Vou tentar modificar as fotografias iniciais, mas tenho andado super ocupado.

Oh, obrigada, mas não seria algo que tencionasse seguir profissionalmente, apenas de forma recreativa, e referia-me às artes manuais em geral... há por aí cada coisa gira. Acredita, eu já estou metida em demasiada coisa para o meu próprio bem Razz mas sim, é uma arte peculiar por estar a entrar em extinção, acho que é de valor haver jovens interessados a esse nível.
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Nov 16, 2012 8:51 pm

Eu também não planeio seguir isto a nível profissional! Acho que ia imediatamente à falência Wink Continuo a fazer o meu trabalhinho, e quando tenho tempo vou para a forja. Infelizmente isto tem sido menos de uma vez por mês, e está-me a destruir Sad

A artes manuais no geral são uma excelente maneira de desanuviar... usas uma parte do cérebro completamente diferente da do dia a dia, e fazem esquecer as preocupações. Toda a gente devia ter um hobby destes, onde em vez de consumir, se cria!

Eu ando a limitar as coisas que faço de propósito, senão não durmo Razz Isso, e acho que temos hoje em dia mais tendência a fazer muitas coisas mais básicas do que poucas coisas mas bem feitas Smile
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Nov 16, 2012 10:58 pm

Anvilfolk escreveu:
Eu também não planeio seguir isto a nível profissional! Acho que ia imediatamente à falência Wink Continuo a fazer o meu trabalhinho, e quando tenho tempo vou para a forja. Infelizmente isto tem sido menos de uma vez por mês, e está-me a destruir Sad

A artes manuais no geral são uma excelente maneira de desanuviar... usas uma parte do cérebro completamente diferente da do dia a dia, e fazem esquecer as preocupações. Toda a gente devia ter um hobby destes, onde em vez de consumir, se cria!

Eu ando a limitar as coisas que faço de propósito, senão não durmo Razz Isso, e acho que temos hoje em dia mais tendência a fazer muitas coisas mais básicas do que poucas coisas mas bem feitas Smile

Depende das actividades que preenchem o teu dia-a-dia! Mas sim, pessoalmente, acho que ter hobbies distintos da actividade profissional torna as pessoas mais "completas". Mas tens toda a razão, acho que também há demasiada gente a fazer demasiada coisa com pouca qualidade... e dormir também é um investimento Wink


Última edição por Ártemis em Seg Nov 26, 2012 7:37 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Seg Nov 26, 2012 7:16 pm

Que boss! É porreiro saber que ainda há pessoas dispostas a investir parte de si para recuperar de certa forma algo que se está a perder.
Força nisso! Wink
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Dez 07, 2012 12:13 pm

Obrigado pelas palavras!

Tenho andado super ocupado, mas queria apenas dar a notícia de que a Associação Portuguesa de Ferreiros foi finalmente criada dia 19 de Novembro 2012! Fica mais uma vez o convite de virem participar neste maravilhoso mundo, juntando-se a nós em www.ferroforjado.org Smile Estamos a começar a organizar alguns eventos pequenitos, sobretudo internos, para começarmos a ganhar mais experiência a forjar. Não saber forjar não é desculpa, estamos quase todos nessa situação!


Tenho andado super ocupado portanto não tenho forjado grande coisa, mas acho que vou conseguir tirar uns diazitos mesmo antes do fim do ano para me dedicar a isto mais a sério... depois coloco fotografias do que sair. Provavelmente vão ser mais ferramentas, mas estou com alguma esperança que se conseguir tirar uma semanita saia uma peça que não seja apenas utilitária Smile
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sex Dez 07, 2012 2:53 pm

Muitos parabéns pela criação da Associação Very Happy

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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sab Dez 08, 2012 12:10 pm

Há tempos passei junto a algumas tabuletas que publicitavam esta casa. Pode ser que haja aqui algo de interesse:


http://www.forjarte.pt


Têm alguma informação sobre a sua história:
Forjarte escreveu:
Empresa

Temos que remeter ao século passado para percebermos como tudo teve inicio, Paulo Jorge Freitas Pessoa Bonito é assim o nome do fundador da empresa forjarte este senhor como um jeito magnificente para moldar o ferro e um gosto estupendo pela sua arte, foi ao longo de muitos anos trabalhando o ferro numa oficina improvisada na garagem de sua casa em Meãs do Campo, uma vila no conselho de Montemor-o-Velho, este produziu peças com uma beleza surpreendente não deixando o publico indiferente, as encomendas não paravam de chegar e passado uns 10 anos o artesão viu-se obrigado a expandir o seu negocio.

Construir umas instalações na Ladeira dos Caiados na Carapinheira no ano de 2001 e assim nasceu seguramente a melhor impressa no ramo de ferro forjado da zona centro e quem sabe do pais a FORJARTE Ferro Forjado, Lda.
E para percebermos melhor o que fazem (sinceramente eu não percebi se o que fazem é principalmente à mão como o Anvilfolk ou se usam máquinas para a maioria das peças):
Forjarte escreveu:
Forjados

Esclarecimento sobre Ferro Forjado.

Ferro forjado (também conhecido como ferro batido), é ferro comercial (aço corrente).

O nome de ferro forjado deve-se ao facto de ser conformado a quente recorrendo a um aquecimento (por ex. numa forja). Depois de aquecido pode ser martelado numa bigorna, tradicionalmente, ou em prensa para que se obtenha a forma pretendida.

As cores muitas vezes confundidas com ferro forjado são preto que pode ser brilhante ou mate. Mas a designação de Forjado vem da forma como ele é trabalhado e não pela sua cor.

Muitas vezes o que se vê como Ferro Forjado é Ferro Maquinado e não forjado. Ferro que é moldado sem ser aquecido e por isso menos trabalhoso e de menor importância.

Na nossa oficina também dispomos de peças maquinadas, no entanto nunca as utilizamos sem o conhecimento do cliente.

O trabalhar o ferro recorrendo à forja, bigorna e martelo é uma forma de artesanato. Se lhe restarem dúvidas visite-nos e poderá ver ao vivo como se trabalha o ferro.
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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   Sab Dez 08, 2012 12:19 pm

Uau, tem aí coisas giríssimas. Very Happy







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MensagemAssunto: Re: Ferro forjado   

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