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 A lamentável abordagem mercantilista do Ensino Superior, da Cultura e do Conhecimento em Geral. Sintoma de uma sociedade em decadência.

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Aelle
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MensagemAssunto: A lamentável abordagem mercantilista do Ensino Superior, da Cultura e do Conhecimento em Geral. Sintoma de uma sociedade em decadência.   Qua Dez 26, 2012 10:51 am

Há uns tempos li um artigo intitulado "10 cursos (superiores) com menos saída profissional." No mesmo artigo, apresentavam-se esses cursos como não apresentado garantias de emprego estável e bem remunerado, a curto, médio, ou até a longo prazo. Deplorável o facto de haver um incentivo, não sei se a sério ou a brincar, aos pais dos alunos em idade pré-universitária, para convencerem os filhos a, precisamente, não escolherem qualquer um desses cursos.

É óbvio que isto é um sintoma da autêntica Idade das Trevas que vivemos. Volta Idade Média, estás perdoada. Até pelos teus detratores.

Há vários pontos que é preciso esclarecer, em defesa do direito à cultura e ao saber.

Uma Universidade não deve ser um centro de formação profissional, ou uma instituição tão e somente orientada para o tão famoso e omipotente "Mercado". Como conhecedor da História, não faço bandeira do avanço cronológico da Humanidade como garante da evolução e elevação da mesma. Mas ainda assim, não resisto a dizer: Em pleno século XXI, seria bom que, pelo menos certos sectores da sociedade, compreendessem certos aspectos.

Em primeiro lugar, o argumento óbvio: Qualquer aluno, ou estudante, deve optar pela área pela qual tem preferência. Nem que seja um curso de línguas mortas. Vedar às pessoas o direito à sua busca pelo conhecimento, é negar-lhes, em primeiro lugar, a sua natureza, e a longo prazo, a sua felicidade. Depois, do ponto de vista da sociedade, é igualmente um erro estúpido. Um académico apaixonado pela sua área, contribuirá muito mais e melhor no seio da mesma. Será mais útil, empenhar-se-á mais, investigará e criará com melhor qualidade. Mais: um indivíduo que estuda, ou que estudou, mesmo que não exerça na sua área, está sempre, em princípio, mais apetrechado para enfrentar a sociedade competitiva. O saber não ocupa lugar, e as mais variadas formas do mesmo, podem ser úteis em inúmeras etapas da vida.

Do ponto de vista filosófico, é, repito, um verdadeiro atentado aos direitos e dignidade humanas, tentar banir cursos, formas de divulgação de cultura e saber, porque dão prejuízo, ou não têm saída profissional. Numa altura em que o Regime vigente destrói o planeta, desperdiça toneladas de alimentos, e em que a indústria bélica é uma das mais lucrativas, e portanto, pilar que sustenta o Capitalismo, haja consciência daquilo que ainda nos podemos orgulhar, enquanto seres Humanos, e proteger esses mesmos tesouros.

O bastonário da Ordem dos Advogados, o popular (e populista) Marinho Pinto, disse numa entrevista que se devia fechar os cursos de Direito por um ano, porque há excesso de advogados. Bom, independentemente da sua ignorância, que omite o facto de haver um défice de Magistrados, acaso um cidadão não tem (passo a expressão), o direito de se formar em Direito? Independentemente de não pretender fazer uso do "canudo" na sua vida profissional? Fome de saber à parte, é até um curso que pode ser bastante útil. Tal como o de História. Se certos governantes conhecessem a mesma, pensariam duas vezes antes de dar certos passos, perigosíssimos, na sua política externa. E até interna. Apenas para dar alguns exemplos.

Temos também o outro lado da moeda, que é igualmente perigoso: As pessoas escolherem os seus cursos, precisamente, baseados nas garantias de emprego bem remunerado, e claro, numa posição social mais gratificante. Para quem ainda dá um grande valor a esses pormenores. Será que os estudantes de Medicina, e futuramente, os Médicos, se esforçam assim tanto para tirar os seus Dezoitos ou Dezanoves, porque querem dedicar as suas vidas a salvar outras? Ponho sérias dúvidas. E é grave, a meu ver, que se opte por ser Médico, apenas pelos motivos atrás enunciados. Por muito bom tecnicamente que seja um médico, se não olhar para cada um dos seus pacientes com verdadeira vocação, acabará, mais tarde ou mais cedo, por cometer alguma negligência. Que pode ser mais, ou menos grave. É a minha opinião, e penso que poderá justificar alguns casos gritantes de desprezo pela dignidade, saúde e sofrimento de alguns doentes. Eu já assisti a isso, e penso que muitos de vós também.

A mesma situação se aplica a todos os cursos com mais gratificação social e financeira. Alguém gostaria de confiar a construção da sua casa a um engenheiro formado pelo regime-Relvas? Bom, com efeito, Relações Internacionais mal tiradas não são perigosas, mas aquele rapaz envolvido em construção civil, seria perigo lesa pátria. Aliás, basta dar uma passeata pelo país, e estar atento às notícias dos últimos anos, para verificar a quantidade de edifícios, que, além de serem autênticos atentados à harmonia urbanística, estão também em rápida decadência. Muitos deles até caem. São pessoas que não têm brio profissional. Porque, antes de mais, provavelmente, não exercem aquilo que gostam.

E claro, uma menção honrosa - ironia - aos bandos de ratos, perdão, economistas, que, realmente, são tantos, e crescem mais rápido que cogumelos. Continuam a ser uma espécie de Senado do Regime. Quando falam, convém ouvir, porque deve vir coisa sábia. Bom, cá temos a tão famosa Crise Financeira, filha da corrupção, sim, mas também da estupidez e ignorância desses senhores. E, verdadeiramente fantástico, continuamos a ouvi-los, acima de tudo o resto. Um chimpanzé, um gato, ou qualquer outro animal que tem a capacidade de aprender com os erros se envergonharia.

Em conclusão: A sabedoria, a cultura, e a perseverança em perseguir a Felicidade, e aquilo que cada um é, devem ser defendidos. Contra tudo e contra todos. Leiam, e estudem. O que quiserem.



Última edição por Aelle em Sab Mar 02, 2013 4:35 am, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: A lamentável abordagem mercantilista do Ensino Superior, da Cultura e do Conhecimento em Geral. Sintoma de uma sociedade em decadência.   Sex Mar 01, 2013 11:18 am

Aelle só agora dei uma olhada no que escreveste. Percebo o que queres dizer mas discordo parcialmente.

Está na natureza do ser humano idealizar para si cenários hipotéticos, sempre perfeitos, do que irá ser a sua profissão do futuro e muitas vezes os jovens não têm em conta as probabilidades de emprego porque acham que conseguem se forem melhores. Não quero com isso dizer que quem tem possibilidades não deva de estudar, mas acho que também existe muita falta de esclarecimento em relação ao futuro. Sempre que oiço os mais novos a dizer que querem ser "isto" ou "aquilo" fico sempre com a impressão de que "oh como já fui assim". Hoje tenho uma visão do mercado muito mais real e pragmática e quero seguir um curso de acordo com a minhas possibilidades (cozinha e pastelaria). Em suma aquilo que me custou a adquirir, a noção das minhas capacidades, da empregabilidade e do mercado real, foi adquirido às minhas custas e batendo com a cabeça na parede e tarde. Mesmo os livros psicotécnicos parecem incentivar o jovem para cenários hipotéticos.

Para além disso existem sempre certos preconceitos que põem nas cabeças das crianças como ser medico é uma profissão de renome, ser engenheiro também, os cursos tecnicos são só para quem não consegue melhor, o pessoal da noite é todo chanfrado etc (nesse aspecto posso dizer que uma das pessoas mais intelectuais que conheço, conheci quando estudava de noite. Ao contrario do que pensava não existe grande diferença entre o tipo de pessoas que estuda a noite e de dia).

A culpa a meu ver é da sociedade de tecnocratas portugueses. Se eles próprios vivem num mundo cor de rosa como podem orientar as crianças de uma forma realista, de acordo com as possibilidades de cada um? Não acho que o factor económico deva ser tido em conta mas o factor empregabilidade e deve-se combater o idealismo natural das pessoas.

Não acho também que o ensino seja mercantilista, mas idealista e preconceituoso. Deveria de ser mais objectivo como nos países nórdicos e nos EUA e mais simplificado como defendem a maioria dos psicólogos.

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