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 A licenciatura de Miguel Relvas. Crónica de um bode expiatório.

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MensagemAssunto: A licenciatura de Miguel Relvas. Crónica de um bode expiatório.   Sex Abr 05, 2013 2:05 am

As comunidades humanas, independentemente do seu formato, sempre necessitaram de atribuir um rosto, um corpo, enfim, alguém, a cada realidade, demasiado podre e incómoda, para que apeteça aprofundá-la. Um problema sistémico e tentacular, é algo, quase sempre, demasiado abstracto, trabalhoso, e aborrecido. Logo, é muito mais agradável apontar o dedo à bruxa de serviço, e pessoalizar nela uma situação, da qual ela, na melhor das hipóteses, é apenas um peão, uma amostra grátis e inofensiva. Insulta-se a bruxa - faz-nos sentir melhor - , solta-se a raiva. A bruxa é proscrita, qual maldita, e por fim, queimada. A populaça adora ver a queima da bruxa, porque, para além da sede de sofrimento própria da natureza humana, bebe também da ilusão que diz: Pronto, o mal já se foi. Agora sim a comunidade é outra vez sã. Já não há rostos malvados, nem vozes cacarejantes, portanto, se nada de disfuncional está à vista, perfeito. Olhos que não vêem, coração que não sente. Para mais, aqueles que secretamente partilham a natureza da bruxa, podem continuar mascarados. Ou enganar-se a si próprios.

O ex-ministro Miguel Relvas, como político, foi um verdadeiro vírus que assolou os interesses da Nação. A todos os níveis. Bom, quanto aí, não possui grande originalidade, relativamente aos seus companheiros de classe, ou ao expectável programa político do PSD.

Mas, o linchamento público foi a propósito da sua licenciatura.

Segundo percebi, a situação de Miguel Relvas não é original. Há dezenas, julgo que centenas até, de processos semelhantes ao seu, a serem analisados. Houve fraudes e irregularidades, habituais nas Universidades privadas - e que também existem nas Públicas. - Falcatruas essas, que se apoiaram numa lei, verdadeiramente absurda, que permite a equivalência de tudo quanto é cadeira, a habilitações profissionais. Não foi Relvas que fez essa lei. E não foi Relvas que se atribuiu a si próprio a licenciatura, muito menos foi ele que atribuiu à Universidade Lusófona, à Independente, e a outras pérolas, o estatuto de cooperativas particulares do Ensino Superior.

E todos estes domínios é que deviam ser alvo dos boicotes, debates e preocupações dos Portugueses sérios, esforçados, transparentes, justos e honestos.

Relvas é o protótipo do bode expiatório. Sofre do efeito Sócrates. Tem uma personalidade arrogante, desagradável, o que faz com que seja mais fácil para o "povo" misturar ódio e revolta contra a essência da pessoa, do que propriamente usar dois dedos de testa, - ou de visão - e olhar, como dizem os americanos, para a Big Picture.

E a Big Picture é esta: Vivemos num regime de cunhas, de favores, perfeitamente aparentado com o modus operandi da máfia. Relvas, há muitos, por esse país fora. O país tem 11 milhões de habitantes, o que constitui um relvado muito grande. E todos nós sabemos o que é que a casa gasta. Há promiscuidade no Ensino Superior, - e em todos os restantes sectores da sociedade. Há várias maneiras de tirar uma boa nota. - Quem não se lembra do mítico arquitecto Taveira, e dos seus vídeos. O mesmo homem que projectou o estádio do Sporting. - e há também vários caminhos para entrar num curso. Quem não se lembra de um antigo ministro de Sócrates, que, através de uma cunha, conseguiu que a sua filha entrasse no curso de Medicina - Público! - Bom, foi descoberto, e a miúda lá teve que dar meia volta.

No contexto do Governo, e do Regime, como disse, e bem, o director do Expresso, Relvas foi queimado. - Mais uma bela metáfora. O Miguel é dado a estas coisas. - Das duas uma, ou o senhor Relvas é um completo mentecapto, ou um verdadeiro inocente. De qualquer das formas, não é pior que Paulo Portas, ou que Cavaco Silva, que, aparentemente, têm as suas licenciaturas "bem tiradas", o que não os impede de seguirem, constantemente, percursos venenosos, vaidosos, a soldo de interesses repulsivos e nojentos. Políticos que têm sempre o apoio do povo nas urnas, de resto. E se o conselho é "Estuda, Relvas!", parece-me bem, mas, bem mais do que o Miguelito, principalmente o senhor Cavaco faria bom uso dele. É um homem inculto, ignorante, bruto, inimigo de toda e qualquer manifestação livre de arte, de literatura e de conhecimento. É economista de bandeira, está tudo dito. Quanto a Portas e companhia, é incrível como conseguem ser tão imbecis, com as suas licenciaturas legítimas. Mas enfim, dir-me-ão, e com razão, não é essa a questão. É certo, mas não resisti a fazer o apontamento. Os amigos de Cavaco foram os ladrões do BPP, e do BPN. O amigo Portas foi o vendedor dos submarinos.

Miguel Relvas é um garoto. Um verdadeiro pateta, que serviu de testa de ferro às políticas de Passos Coelho, Gaspar, e de Portas. Este último, ao contrário de Relvas, um perfeito anjinho, com certeza. Longe, bem longe da acção. Ao passo que o falso licenciado dava o peito às balas, e provavelmente, estava mesmo convencido que o seu canudo era tão bom como qualquer outro, e cantava a Grândola de forma ainda mais desafinada que o resto da malta, e enfim, seguia o seu caminho de areias movediças, o hábil Portas - em terra de cego quem tem olho é rei, - caladinho, em bicos de pés, e número 2 do Governo, como já foi número 2 do Governo de Durão e número 2 do Governo de Santana, lá conseguirá, no fim desta torrente, dar a volta à situação, e com jeitinho, convencerá a populaça que nem sequer foi o passaporte para o poder de Passos Coelho. Ele nunca tem nada a ver com isto! E é vê-lo numa próxima campanha eleitoral, de boina à lavrador, a dar beijinhos. Numa feira bem perto de si. Enfim.

"Estuda, Relvas!" - dizem os Portugueses. Eu concordo. Mas, como também é hábito deste nosso povo: Olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço. Estudem os Portugueses, porque, e infelizmente, ainda são eles que colocam esta gente no Governo. E, aparentemente, após 40 (!) anos de "democracia", a lição ainda não foi aprendida. Um povo que coloca Cavaco, 4 - QUATRO! - vezes no poder, sinceramente, não tem moral para mandar estudar seja quem for.

Quanto ao senhor Relvas, que se faça homem, e vá para Paris, como o outro. Bom, talvez seja melhor Moscovo ou Estocolmo, onde ninguém o conhece. E se quer estudar - o que eu duvido - que o faça com brio e elevação. Talvez se surpreenda, e perceba que até nem é tão estúpido como julga ser.
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