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 A percepção da dimensão dos países

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MensagemAssunto: A percepção da dimensão dos países   Sab Jun 28, 2014 9:50 pm

De tempos a tempos lá ouço alguém dizer que "somos um país pequeno", e que isso, por algum motivo, serve como justificação para o nosso fraco desempenho nesta ou naquela área.

Primeiro que tudo, não é verdade que sejamos um país pequeno, seja de que perspectiva for: Portugal fica na 20ª posição em termos de área, e é o 16º mais populoso, dos 58 países com território em espaço europeu. Acima e abaixo nestes rankings estão tanto países mais ricos como países mais pobres, pelas mais variadas métricas.
Por exemplo: a Suíça, Holanda, Luxemburgo, Escócia e Bélgica têm menos área do que Portugal. Em termos de população estamos acima da Suécia, Áustria, Suíça, Finlândia, Dinamarca, Escócia, Noruega, etc. Todos estes exemplos são reconhecidos por estarem acima ou melhor do que nós numa ou outra métrica, e é comum dizer-se que "eles é que estão bem".

Desfeito este mito, sempre tive vontade de perceber o porquê de nos acharmos tão "pequenos".
Estou convencido de que uma explicação plausível pode estar na cartografia e na forma como nos vemos nos mapas que habitualmente temos à nossa disposição.

Como certamente saberão, a projecção habitual que costumamos ver é a de Mercator. É mesmo a projecção que todos os motores de mapas mais populares da Internet usam (Google, Bing, Yahoo, Baidu, Sapo). Esta projecção deforma os países mais a Norte e Sul do globo, "esticando-os", e encolhe as áreas mais próximas do equador. É muito conhecida porque foi (e é) muito útil para os navegadores, uma vez que a tal deformação permite traçar rotas rectas tendo em conta a curvatura do globo. A Wikipédia explica melhor que eu.
(click para ver originais em ponto grande - vale a pena! Smile)

Posto isto, que alternativas haverá que não provoquem este efeito? Podemos ver uma lista interessante, também na Wikipédia: https://en.wikipedia.org/wiki/List_of_map_projections

A projecção intuitivamente mais realista parecia-me ser (a mim, que sou leigo nestas matérias) a projecção equirectangular, que projecta as distâncias entre meridianos como espaços iguais na projecção:
No entanto, ao ler um pouco sobre a mesma, percebi que era bom demais se o problema fosse assim tão simples. Smile
Esta projecção também deforma a dimensão real das áreas: apesar de as áreas mais próximas do equador estarem mais próximas da escala entre si, as zonas mais próximas dos pólos encontram-se imensamente "esticadas" horizontalmente.

Na verdade, ao que parece todas as projecções deformam a área do globo e é impossível projectá-la sem deformação. Assim sendo, resta-nos tentar encontrar a projecção que se aproxime o mais possível da proporção real entre a área real e a projectada.

Duas das mais precisas parecem ser a Winkel Tripel:
...e a Projecção de Robinson:


Uma constatação interessante ao observar qualquer destas projecções é que a percepção que temos da dimensão da Europa relativamente aos outros continentes muda bastante consoante a projecção escolhida. Na de Mercator parece mesmo bem maior em termos relativos do que nas outras.
Voltando ao assunto inicial, compare-se por exemplo o tamanho da Escandinávia e Reino Unido com o de Portugal nas várias projecções. É bastante óbvio que a Escandinávia perde muita da sua imponência relativa quando vista em qualquer uma que não seja a de Mercator. Aliás, toda a Europa Central e do Norte parece tornar-se significativamente mais pequena, relativamente às regiões mais a Sul! Dá que pensar, não dá?


Deixo-vos com mais uma comparação interessante, que vi num artigo do site io9:

Deixo-vos mais um mapa de que gostei especialmente, para vos trocar as voltas: Razz

Podem encontrar mais alguns aqui (foi daqui que veio o anterior): https://imgur.com/a/zBnx9

E aqui fica outro artigo sobre distorção e mais tipos de mapas, que podem ser usados para transmitir outro tipo de informação: http://io9.com/this-is-how-map-projections-warp-your-understanding-of-1499317119


O que é que acham sobre isto? Também vos faz comichão quando ouvem alguém dizer que o nosso fado é ficarmos na cauda porque somos mais pequenos que os outros?
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Aelle
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MensagemAssunto: Re: A percepção da dimensão dos países   Dom Jul 20, 2014 12:50 pm

Não se trata, com efeito, do tamanho do território! Aliás, no tempo do Império Colonial, a extensão de Portugal era gigantesca.

É uma questão de mentalidade. Há uma doutrina que venceu, que vingou, que subjugou as outras. O Português indolente, corrupto, passivo, cobarde, venceu. Não somos todos assim, mas o Ser Humano é programável, "monkey see, monkey do", e aqueles que eventualmente até alinhariam por uma linha correcta, honesta, não tendo elevação e coragem suficientes, acabam por se adaptar à mentalidade dominante.

A passividade perante tudo isto equivale a uma acção negativa e auto-destrutiva. E então, o Português-tipo, precisa de todos os pretextos e mais alguns para justificar a sua falta de carácter. O "Portugal é um país pequeno", é apenas mais um.

Pensemos na Dinamarca, que é um país cujo território é minúsculo, e dá cartas - sempre deu - em todos os campos. E enfim, os restantes países Escandinavos, cujo território é grande, mas cuja população é, no caso da Noruega, metade da nossa, e no caso da Suécia, sensivelmente a mesma. Se pensarmos que metade da Suécia é floresta brava, no fundo, vai dar ao mesmo. Não consta que os lobos e restantes animais se interessem muito pelos negócios dos homens, portanto...

E temos a Rússia, que é um país gigantesco, e tem a particularidade de se render a todas as adversidades, mesmo quando vence as guerras! Auto-destruiu-se, quando líder da URSS, entregando a vitória da Guerra Fria ao bloco judaico-americano, simplesmente, porque sim.

Devíamos orgulhar-nos dos feitos dos Portugueses valorosos. Devíamos orgulhar-nos do facto de o regime antigo, de Salazar e posteriormente, de Caetano, ter decidido lutar por África até ao fim. Concorde-se ou não com a independência das colónias. Vejo por aqui toda a gente a venerar os Vikings, e os Romanos, enfim, não eram propriamente povos muito dados a atribuir a independência aos vencidos e ocupados, e a renderem-se, e a optar por tais modos de vida. Enfim, parece que as pessoas se contradizem, ou têm desejos reprimidos. Em boa verdade, os procedimentos dos nazis ao lado dos destes povos, nestas épocas, eram quase humanistas!

Os Romanos aniquilaram os Cartagineses, simplesmente porque levaram a mal estes terem tentado fazer-lhes frente. Não os venceram, apenas. Extinguiram-nos. Finito. E no entanto, estuda-se tudo o que é Romano nas faculdades de Letras, de Direito, etc, etc.

Enfim. Portugal é um país que nãó é pequeno, mas repleto de mentalidades microscópicas. Uma pergunta que pode, por conseguinte, ter duas respostas, dependendo do alcance.

Hoje, o nosso desígnio nacional é sermos bons e mansos vassalos do Império. Ridículo. Isto é que me provoca, não comichão, mas náuseas.
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