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 Portugal ao abandono

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Kraft durch Freude
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MensagemAssunto: Portugal ao abandono   Ter Maio 25, 2010 1:22 am

Vi há pouco mais uma reportagem relativa a este tema. O título era algo como "O Último Homem da Aldeia".

Era sobre uma aldeia no Algarve onde vive apenas um senhor, de 80 e poucos anos, se não me engano. Todos os outros habitantes saíram da aldeia ou foram morrendo. Ele vive lá sozinho, com "a bicharada", os gatos e uma televisão que lhe faz companhia. Diziam que ele velava pela aldeia, que já tinha morrido há muito.

Passou hoje, 25 de Maio de 2010, no programa "Sinais de Fumo", na SIC.

______________________________

Homem de 68 anos é o último guardião da aldeia de Cabrum

Citação :
Manuel Pontes tem 68 anos e há quase quatro que é o único habitante de Cabrum - umas das povoações da freguesia de Calde, no concelho de Viseu - onde só chega quem conhece bem o local.
(...)
Ao todo, a povoação tem 18 pequenas moradias, algumas já em ruínas, mas só uma é habitada.
(...)
A chegada da equipa de reportagem da Lusa permitiu-lhe "desenferrujar a língua". A vontade de comunicar é tal que, durante horas, apenas se ouve a voz forte de um homem que mostra saber tudo o que se passa no mundo.
Notícia da RTP, 19 de Abril de 2008

______________________________

Há algum tempo vi também "O Pastor", uma reportagem da SIC sobre o Piódão, e a história de António Francisco Santos:

Citação :
Na aldeia do Piódão vivem 70 pessoas; uma delas foi notícia há 14 anos, por andar em sentido contrário ao da maioria e regressar a casa depois de quase duas décadas fora. E António Francisco Santos tinha um objectivo claro em mente: ser pastor.
(...)
No quarto dia de existência da SIC, a 10 de Outubro de 1992, "o Pastor" foi notícia por voltar a casa dos pais... para guardar um rebanho de cabras. Aos 29 anos, depois de percorrer o País fazendo de tudo um pouco, António regressa à aldeia do Piódão.
Perdidos e Achados, SIC, Janeiro de 2008


______________________________

Provavelmente já viram ou ouviram falar do filme "Ainda há Pastores?", de Jorge Pelicano. Segue o trailer:

Alguns dos comentários ao trailer no YouTube:

Citação :
a maior parte de Portugal vive assim...as pessoas deixam-se enganar pela capital e a capital é k é bom infelizmente gasta-se dinheiro em expos ccbs e casas da musica e "electricos de superficie" em vez de se tratar da desertificacao do nosso pais...na aldeia do meu pai em montalegre ainda hj nao existe agua canalizada nem saneamento e a luz publica so la chegou a 2, 3 anos...isto é o Portugal real
Citação :
Eu penso que esse documentário é fascinante pois mostra o retorno à inocência nesse mundo tão dominado por esse neoliberalismo e essa globalização que teima em destruir as raízes e patrimônios imateriais dos povos. Espero que ganhe todos os prêmios de sua categoria, sobretudo aqui no Brasil. Lindo ver esse estilo de vida que certamente foi o estilo de vida do meu avô na sua infância em Portugal. Saudações brasileiras. Fábio - RJ - Brasil.
Citação :
eu prorpio conheço a historia deste rapaz. Eu sou do distrito da guarda e tenho familia em manteigas terra de onde ele e natural e abandonou a casa dos pais por problemas familiares. Ainda hoje o costumo ver em manteigas, e tenho condiçoes de dizer k ele nao e pobre, apenas vive de maneira difrente e infelizmente na ignorancia... Ele vive como se vivia ha 40 ou 50 anos atras, nao significa pobreza!
Citação :
A maior parte das pessoas de Lisboa teem descendencia do interior esquecem-se é com muita facilidade...facil é partir dificil é ficar

Ainda Há Pastores?


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Portugal A Pé

O jornalista Nuno Ferreira decidiu percorrer Portugal a pé. Começou em Sagres em 2008.
Citação :
Por vezes, convidam-me para ficar a viver ali mesmo. “Se gosta tanto disto porque é que não vem viver para aqui?”, perguntou-me a Dona Mena, do Restaurante e Bar Ponto de Encontro em Trinta, a dez quilómetros da Guarda. “Traga aqui a sua mulher e os seus filhos”, convidou-me a Dona Donzília, em Sequeiros, à beira do Rio Paiva.
Ao fim de dois anos de travessia, é impossível e indisfarçável não carregar comigo a tristeza e dor do abandono a que foi votado o campo. Como me dizia há dias o Padre Fontes, em Vilar de Perdizes: “Estamos a assistir à elegia do país rural. Cada funeral que realizo é mais uma pedra no caixão do mundo rural. Mas não desisto, é preciso continuar a fazer recolhas, a escutar os antigos”.
Do blog do Portugal a Pé. Tem mesmo muita coisa. Recomendo a leitura disto e daquilo, um pouco por todo o blog. :-)


Última edição por Kraft durch Freude em Ter Maio 25, 2010 1:30 am, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Maio 25, 2010 1:23 am

Vejo estes casos como fotografias (ainda) vivas de um passado que desaparece, morre abandonado e esquecido pela grande multidão. Custa-me assitir a isto sem nada fazer. Dão-me vontade de pegar na mochila, fazer-me à estrada e investigar por mim mesmo o que há por aí para ser descoberto. E, possivelmente, sujar as mãos para dar o meu contributo para inverter a situação.

O caso d"O Pastor" causa-me alguma estranheza. Em todos os outros, parece-me não ter havido muitas hipóteses de escolha. "O Pastor" teve, mas aparentemente quis voltar atrás no tempo, mesmo tendo tido a hipótese de viver no presente e contribuir para construir um futuro melhor. Infelizmente não consegui encontrar o documentário completo, que julgo que falava de outros casos e não apenas do dele (de que também não me recordo com precisão). Se bem me lembro, um dos outros exemplos era o de uma senhora que tinha voltado à mesma ou a uma terra próxima, criou ali uma pastelaria com produtos tradicionais e outras coisas que levou de Lisboa. Pelo menos à data da reportagem, a novidade estava a ter sucesso, a senhora vivia bem com os rendimentos daquilo que estava a fazer e não estava com vontade de voltar atrás.



Provavelmente o dramatismo da situação do interior acentua-se pela minha visão/teima de que a solução para os males do país não se encontra na concentração/atafulhação de gente em cidades, agudizando-se a situação quando se reserva este luxo para as zonas do litoral. Provavelmente é devido à minha inocência e falta de visão que ainda imagino que seria possível utilizarmos os recursos de que dispomos nesta terra riquíssima se a povoássemos e a vivêssemos em vez de a deixarmos ao abandono e partirmos em rebanho rumo a vidas que aparentam ser mais compensadoras, vidrados pela beleza do fácil, rápido e temporário. Enquanto isso, voltamos as costas ao que não voltaremos a ser e que, continuando assim, nos havemos de esquecer que fomos.


Depois de "liberto", Portugal quis olhar para fora. No meio do maravilhamento não conseguiu olhar para dentro, analisar o que poderia fazer para que o exterior se interessasse por si, e fixou-se apenas em absorver o que vem desse exterior. Perdendo o conhecimento de quem era e de quem é e, portanto, de quem quer ser, deixou de ser capaz de se mostrar interessante para os outros.
E continua ofuscado, a olhar directamente para as luzes que vêm de fora. E, sem conseguir perceber que atrás dessas luzes está muito trabalho e muita auto-estima, continua a perguntar-se o que tem de fazer para poder brilhar por si próprio... E vai olhando fixamente para as outras luzes, à espera que a solução se lhe apareça à frente, já pronta a usar e de preferência sem ser preciso suar muito.




Isto não é necessariamente uma opinião. Chamem-lhe uma deambulação mental se quiserem.
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Qui Jun 03, 2010 11:06 pm

É óbvio que a natureza do nosso regime, é, toda ela, errada e nociva para o país. A população está mal distribuída, o nosso tecido produtivo foi desmantelado, e transformámos-nos num país de serviços, e de decadência urbana. Os nossos jovens não são qualificados. E os que o são, já são demasiados para as necessidades do mercado. Precisaremos de mais alunos analfabetos e desinteressados no ensino secundário, já de si cada vez menos exigente? Não me parece. Precisamos sim de repovoar o interior, o Alentejo, de ressuscitar produções, e de requalificar as juventudes para esse efeito. O que será difícil. O trabalho rural/braçal é visto pela juventude como algo vergonhoso. E quem diz trabalho, diz a própria vivência numa aldeia, ou até numa vila. É absolutamente necessário parar com as importações de ilusões de sonhos e cultura americanos, de uma vida urbana e perfeita, que não é real. É urgente ressuscitar Portugal no seu pleno. E não estou a falar da selecção de futebol.
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Sex Jun 04, 2010 10:00 pm

Aelle escreveu:
(...) Precisamos sim de repovoar o interior, o Alentejo, de ressuscitar produções, e de requalificar as juventudes para esse efeito. O que será difícil. O trabalho rural/braçal é visto pela juventude como algo vergonhoso. E quem diz trabalho, diz a própria vivência numa aldeia, ou até numa vila. (...)
Tenho a sensação que a juventude vê isso dessa forma porque só o conseguem imaginar a ser feito "à antiga". Provavelmente não se imaginam a fazer as coisas de forma lucrativa e actualizada.

Depois de entrarmos na União Europeia houve fundos que vieram para os agricultores e produtores modernizarem as suas produções para as tornarem mais competitivas: investindo em novos equipamentos, novas técnicas, etc. Em vez disso os produtores, sem formação nem espírito empreendedor (nherf) (como ainda hoje nós, portugueses em geral, não temos), meteram os fundos ao bolso e disseram "obrigadinho!".

A meu ver sim, o equilíbrio necessário para a nossa própria sobrevivência deve passar por aproveitar o que temos. Mas não necessariamente à custa de trabalho braçal puro como foi no passado. A tecnologia existe e, dada a nossa riqueza, a meu ver o investimento deveria compensar.
Se não conseguirmos valorizar e fazer valer o que cá temos, como é que podemos querer que, seja cá dentro ou lá fora, alguém nos queira comprar alguma coisa?

De vez em quando ouve-se falar dos esforços de um ou outro que tentam vingar com métodos mais modernos de exploração agrícola ou pecuária. Ou se fala muito pouco disso ou há muito poucos esforços nesse sentido.
Não sei, também acho que não conheço o país suficientemente bem para poder ter uma ideia mais realista do que se passa em concreto (daí vir pedir-vos a opinião a vocês, iluminados companheiros! Razz).
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Sex Jun 04, 2010 10:28 pm

Dei em geografia que o Douro interior esta a ser procurado para turismo rural, nao propriamente as aldeias abandonadas mas as povoadas, de preferencia perto de alguma area balnear no rio. Temos condicoes para turismo de interior e o obectivco de tornar Portugal um pais de servicos esta relacionado com isso: os paises mais ricos tem uma maior percentagem da populacao a trabalhar em servicos ou no sector terceario e menos no sector primario (agricultura, mecanica, mao de obra e etc). A ideia e que no futuro vamos importar produtos agriculas de africa e os nossos agricultores vao trabalhar em profissoes do sector secundario, que produzem maior riqueza, algo do genero, produzir magalhaes para trocar 1 magalhaes por um camiao de fruta.
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Sex Jun 04, 2010 11:00 pm

Váli escreveu:
(...)algo do genero, produzir magalhaes para trocar 1 magalhaes por um camiao de fruta.

Só uma nota de rodapé: os Magalhães não são produzidos em Portugal.

Cá só são montados com a capinha azul escura e o logotipo para parecerem diferentes e para terem publicidade com o empurrão do governo. Por dentro não passam de Intel classmates como quaisquer outros. Confesso que por causa de certos detalhes da negociata me metem um certo nojo sem terem culpa nenhuma, os coitados.
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jul 05, 2010 4:05 pm

Kraft durch Freude escreveu:
Váli escreveu:
(...)algo do genero, produzir magalhaes para trocar 1 magalhaes por um camiao de fruta.

Só uma nota de rodapé: os Magalhães não são produzidos em Portugal.

Cá só são montados com a capinha azul escura e o logotipo para parecerem diferentes e para terem publicidade com o empurrão do governo. Por dentro não passam de Intel classmates como quaisquer outros. Confesso que por causa de certos detalhes da negociata me metem um certo nojo sem terem culpa nenhuma, os coitados.

Agora é que disseste tudo. Smile
A história dos magalhães está cá uma trapalhada enorme que só revela o nível de (in)decência do nosso governo.
Eles são assemblados (neologismo) cá em Portugal mas são de facto intel classmate. Os componentes não são fabricados em Portugal.

A corrupção está em toda a parte no que toca o magalhães:

- O assemblador (JP Sá Couto) foi escolhido por adjudicação directa.
- A JP Sá Couto é uma empresa que foi apanhada em esquemas do chamado "carrossel do IVA"
- A própria Intel acabou há uns meses de levar nas orelhas pelas suas práticas monopolistas.
- O nosso Sócrates já se sabe. Dispensa links quanto ao seu currículo de escândalos.
- A TMN é que está a lucrar e bem com estes programas do e-escolinhas/e-escolas. Muitos são aqueles que se vêm aliciados pelo baixo preço mas depois são confrontadas com um contrato de permanência que as aprisionam e no final acabam pagar um valor total muito superior ao propagandeado.
- Muitas crianças ainda nem sequer receberam o seu... silent
- Diz "Made in Portugal" por fora mas a esmagadora maioria dos seus componentes vêm de outros países

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jul 05, 2010 6:22 pm

Como disse o meu professor de Sistemas de Informação da Empresa: "Eu só tenho é pena de não ter sido EU a lembrar-me de fazer o Magalhães, porque a esta hora estava na minha ilha privada a beber e a festejar!"
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jul 05, 2010 6:35 pm

Eu hoje até estava relativamente bem-disposto...
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 12:50 am

Iniciativa "Fé nos Burros":


Citação :
A iniciativa " Fé nos Burros” pretende através da instalação fotográfica realizada em parceria com João Pedro Marnoto, enaltecer a utilidade e importância da relação homem-animal, com especial relevância para as burras, burros, mulas e machos. Esta cultura rural associada aos habitantes das nossas aldeias, retratada nas suas maneiras de trabalhar com a terra e animais, a sua cumplicidade na relação com os mesmos.

Apesar da AEPGA, ser uma associação cujo objectivo se centra na recuperação e manutenção da Raça Asinina de Miranda, o burro e o gado muar assumem neste projecto uma figura, que simboliza a riqueza cultural e natural desta região.

Através da presença deste animal iremos descobrir facetas do quotidiano dos seus donos, desde a sua cultura material, saberes artesanais, tradição oral, conhecimento popular, até aos seus sentimentos e emoções.

Iremos à procura da presença de um mundo antigo que ainda resiste à avalanche da modernidade, e sobretudo daqueles que assistem e resistem ao seu desaparecimento.
Original e em alta definição no Vimeo.

______________________________

A Ceinwyn lembrou-me do "Pare, Escute e Olhe", um documentário que tem sido bastante premiado e que pensava que já tinha aqui referido. Parece que estava enganado e que me tinha esquecido.

Do mesmo autor de "Ainda dá Pastores?", Jorge Pelicano. Fica o trailer:

Citação :
Dezembro de 91. Uma decisão política encerra metade da centenária linha ferroviária do Tua, entre Bragança e Mirandela. Quinze anos depois, o apito do comboio apenas ecoa na memória dos transmontanos. A sentença amputou o rumo de desenvolvimento e acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal, tornando-o no país mais centralista da Europa Ocidental.
Os velhos resistem nas aldeias quase desertificadas, sem crianças. A falta de emprego e vida na terra leva os jovens que restam a procurar oportunidades noutras fronteiras. Agora, o comboio que ainda serpenteia por entre fragas do idílico vale do Tua é ameaçado por uma barragem que inundará aquela que é considerada uma das três mais belas linhas
ferroviárias da Europa.
PARE, ESCUTE, OLHE é uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra. Esses partiram com o comboio, impunes. O povo ficou, isolado, no único distrito do país sem um único quilómetro de auto-estrada.

Estão mais informações sobre o documentário no site oficial: http://www.pareescuteolhe.com
Também se pode encomendar o DVD a partir de lá.


Última edição por Kraft durch Freude em Ter Jan 18, 2011 2:49 am, editado 3 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 2:09 am

Felizmente, há aldeias em que se verifica o oposto: a minha! Very Happy Eu não gosto de lá estar, mas sou uma excepção. A minha aldeia é bastante viva, tem imensa gente, os casais jovens não partem para outros sítios, criam família lá, e há até gente de fora que vai para lá morar.

Arrisco-me a dizer que temos mais crianças/jovens do que idosos. O jardim de infância e escola estão cheios de putos e todos os anos há mais "fornadas" de putos que nascem. Smile Há também MONTES de gente das nossas gerações.


E sim, isto é uma aldeia pequena perdida no meio do Alentejo, onde não há NADA. Mas há pessoas! Muitas pessoas (vá, para aí uns 1000 habitantes). Somos um exemplo feliz de que é possível manter as aldeias povoadas. Mas não sei bem como nem porquê, não sei qual é a fórmula mágica para lá ser assim e nas outras aldeias não. Neutral

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 2:22 am

Lembrei-me de mostrar aqui uma curiosidade:

Vão a este site e, na barra lateral esquerda, cliquem na Casa Candeias, do arquitecto João Carrilho da Graça. É na minha aldeia. Smile

Foi apresentada numa exposição de arquitectura, em Veneza, com mais 3 casas portuguesas de arquitectos importantes, como Siza Vieira. Há várias notícias sobre isso por aí, basta googlar (aqui fica uma, já agora).


Spoiler:
 

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 4:40 am

RedHead, o que tenho observado é que casos como esse de que falas são cada vez mais raros.

Hoje em dia, temos imensa gente atafulhada em centros urbanos e grande parte do país está abandonado. As povoações que ainda singram são cada vez menos.

Há 20~30 anos, o normal em grande parte das povoações do interior parecia ser esse que vês aí na tua aldeia: muita gente, muita canalha miúda, muita alegria, mas também muito trabalho e muita pobreza. Não só em meia dúzia de povoações, mas na grande maioria do país. Grande parte desta vida nas regiões do interior (e não só!) desapareceu. Pura e simplesmente. Não aproveitámos essa vida, deixámo-la fugir, a pobreza ficou e a inversão de sentido para muitos parece ser impossível.

Aparentemente estamos a registar os últimos fôlegos da geração que ainda persistiu na terra que o viu nascer. E a cada ano que passa estamos a perder as últimas oportunidades de guardarmos o que essa geração ainda tem (tinha) para nos oferecer e ensinar.


Deixo aqui mais um vídeo, com a segunda parte de uma entrevista que o Jorge Pelicano deu, aquando da exibição do "Pare, Escute, Olhe" no Cinema Londres, em Lisboa (pois Rolling Eyes ). A primeira parte também está interessante e deve aparecer nas sugestões, se forem à página desse vídeo no YouTube.



Ele refere algumas vezes o "esquecimento" a que o interior está votado. Eu chamar-lhe-ia antes "abandono".
Não sei quanto a vocês, mas eu tenho cada vez mais vontade de arregaçar as mangas e fazer algo...
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 10:31 am

Falando por mim, acho a paisagem do Alentejo muito... Vazia para o meu gosto. Sou fã de florestas (quem fizer piada, vai de graça ver os Blut aus Nord What a Face ou não) e de montanhas...

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 10:49 am

Eu ainda estou apaixonada por Lisboa, gosto de me mover anonimamente, poder ir para qualquer lado sem estar sujeita a olhares indiscretos. (Na minha terra existe demasiada cusquice, demasiados comentários sobre aparência... entre a inexistência de outras coisas...).

De qualquer forma, acho que há cidades ou vilas do interior norte com potencial para crescer!
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 1:01 pm

Encontrei agora este texto no Jugular que o Kraft vai adorar (nem de propósito...).

Citação :
Quem investiga por que é tão baixa a produtividade em Portugal acaba mais tarde ou mais cedo por tropeçar no tema da dispersão da nossa população.

Permanecemos um dos países menos urbanizados da Europa (segundo algumas fontes o menos urbanizado), o que implica custos elevadíssimos de infra-estruturação do território para proporcionar às populações serviços básicos de água, electricidade, telecomunicações, transportes, educação e saúde.

Um dos principais obstáculos à resolução destes problemas é a persistente ideologia ruralista que, invocando o bucolismo de qualquer aldeia miserável perdida no alto de um monte, combate a concentração urbana e exige que o Estado vá levar à porta de qualquer eremita tudo aquilo que ele entenda exigir.

O post que o José M. Castro Caldas escreveu sobre o eventual encerramento do ramal Lousã - Coimbra encaixa perfeitamente neste género literário. A dita linha férrea tem quase 30 kms de extensão e atravessa uma região insuficientemente povoada para justificar a utilização quotidiana intensiva de um comboio urbano (seja ele pesado ou ligeiro). Isso não comove, porém, o opinante.

Segundo depreendo, o grande argumento para continuar a haver essa ligação ferroviária é que dantes havia, mas eu tenho alguma dificuldade em me deixar impressionar pela força de tais razões.

Como seria de esperar, o José M. Castro Caldas considera desprezível a pequena dificuldade da, como ele escreve, "falta de verba". Ele vive na Lousã, dava-lhe jeito a automotora, que mais haverá a dizer? A verba tem que vir de algum sítio - provavelmente, do tal "imposto sobre as grandes fortunas" que duma vez por todas resolveria os problemas do país.

No mundo real, a "falta de verba" é uma dificuldade recorrente, de modo que é preciso fazer escolhas: ou ela vai para uma coisa, ou vai para outra. "Metros" na Lousã e em Mirandela não passarão certamente num teste de mérito comparativo face a outras alternativas mais prementes e racionais.

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Certe canzoni attraversano le mura con sacre ironie e parlano, senza parole, quell'unica lingua ch'è il suono.

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 2:41 pm

Floresta, Ex-Odal escreveu:
Falando por mim, acho a paisagem do Alentejo muito... Vazia para o meu gosto. Sou fã de florestas e de montanhas...
Tens bom remédio: não vás para o Alentejo. Smile

Vampiria escreveu:
Eu ainda estou apaixonada por Lisboa, gosto de me mover anonimamente, poder ir para qualquer lado sem estar sujeita a olhares indiscretos. (Na minha terra existe demasiada cusquice, demasiados comentários sobre aparência... entre a inexistência de outras coisas...).

De qualquer forma, acho que há cidades ou vilas do interior norte com potencial para crescer!
Eu percebo o que tu dizes. No entanto, parece-me que isso até é mais uma das consequências da estagnação e pequenez a que tudo o que não é Lisboa/litoral está votado actualmente.
Imagino um interior utópico cheio de gente e de vida. "Toda a gente conhecer-se" não é uma premissa obrigatória para que tal fosse verdade. Essa cusquice, esses comentários e a pequenez de espírito... Só são mesmo possíveis devido à dimensão que estas terras ainda têm. Duvido que tal se mantivesse se tivéssemos aproveitado a oportunidade que essas terras nos ofereceram, se tivessem crescido e hoje tivéssemos um interior realmente vivo.
Há muitas terras que ainda lutam por isto e algumas têm tido algum sucesso... Mas, lá está: tenho a sensação de que perdemos mais nos últimos anos do que aquilo que aproveitámos.

O amigo do Jugular é capaz de ter alguma razão. E pessoalmente, não acho que o problema aqui seja o fecho de linhas, o encerramento de estações ou qualquer caso em particular. O problema, a meu ver, é a debandada e abandono gerais que tem como origem e simultaneamente consequência as 1001 medidas que são tomadas no sentido de acabar com estas terras. Não sou fanático pelas linhas. Como o não sou pelas barragens nem pelos hospitais nem pelas escolas nem pelas estradas com boas condições de circulação nem pelo assegurar de condições sanitárias nem pela disponibilidade de electricidade nem pelas oportunidades de educação da população nem pela conservação das espécies autóctones nem pelo aproveitamento do potencial turístico nem pelos 1001 produtos de qualidade que podíamos exportar, com a marca "Portugal", para os quais definitivamente há mercado, e dos quais actualmente apenas temos meia dúzia de exemplos, a meu ver, muito pequeninos.


EDIT:
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 4:24 pm

Kraft durch Freude escreveu:
O amigo do Jugular é capaz de ter alguma razão. E pessoalmente, não acho que o problema aqui seja o fecho de linhas, o encerramento de estações ou qualquer caso em particular. O problema, a meu ver, é a debandada e abandono gerais que tem como origem e simultaneamente consequência as 1001 medidas que são tomadas no sentido de acabar com estas terras. Não sou fanático pelas linhas. Como o não sou pelas barragens nem pelos hospitais nem pelas escolas nem pelas estradas com boas condições de circulação nem pelo assegurar de condições sanitárias nem pela disponibilidade de electricidade nem pelas oportunidades de educação da população nem pela conservação das espécies autóctones nem pelo aproveitamento do potencial turístico nem pelos 1001 produtos de qualidade que podíamos exportar, com a marca "Portugal", para os quais definitivamente há mercado, e dos quais actualmente apenas temos meia dúzia de exemplos, a meu ver, muito pequeninos.
Não é uma questão de fanatismo. Mas os fechos das linhas, escolas, hospitais, etc é que são essas 1001 medidas que, uma a uma, acabam com as terras, são a destruição das poucas infraestruturas existentes no interior, sem as quais o desenvolvimento é impossível. É que ninguém quer ir viver e criar família num sítio onde não haja escolas e hospitais próximos, onde não haja meios de transporte além de andar de carro por estradas miseráveis. Nem ninguém vai cultivar os campos ou montar uma empresa no meio do nada, se não há gente na zona para escoar os produtos nem vias de ligação decentes para os transportar.

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 4:44 pm

Sim, retirando as infraestruturas fica complicado permanecer no interior.
E depois quando se cria algo interessante, p.e., uma empresa, a mesma morre à nascença, porque só é interessante para a pessoa que teve a ideia brilhante. E isso é triste de ver (eu já vi acontecer).
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 5:06 pm

Ceinwyn escreveu:
Não é uma questão de fanatismo. Mas os fechos das linhas, escolas, hospitais, etc é que são essas 1001 medidas (...)
Exacto. Disseste o mesmo que eu por outras palavras. O que eu disse (talvez não tenha ficado claro) é que não sou fanático por qualquer uma dessas medidas em particular. Quanto à situação no seu todo.... .g.
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Ter Jan 18, 2011 5:10 pm

Kraft durch Freude escreveu:
Ceinwyn escreveu:
Não é uma questão de fanatismo. Mas os fechos das linhas, escolas, hospitais, etc é que são essas 1001 medidas (...)
Exacto. Disseste o mesmo que eu por outras palavras. O que eu disse (talvez não tenha ficado claro) é que não sou fanático por qualquer uma dessas medidas em particular. Quanto à situação no seu todo.... .g.
E o que eu quero dizer é que os vários casos particulares fazem o todo. Think globally, act locally Smile

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Dom Out 14, 2012 12:06 am

Mais desenvolvimentos tristes sobre a situação da linha do Tua:
Jornal Sol escreveu:
UNESCO: Portugal tem de dar resposta às recomendações até Fevereiro

10 de Outubro, 2012
O embaixador português na UNESCO afirmou hoje que Portugal tem de dar resposta até Fevereiro de 2013 a algumas questões colocadas no relatório da UNESCO, o qual compatibiliza a barragem de Foz Tua com o Douro Património Mundial.

Contactado pela agência Lusa sobre o relatório da missão conjunta do Comité do Património Mundial da UNESCO, que o Governo português recebeu terça-feira, Francisco Seixas da Costa remeteu informações sobre o assunto para o seu blogue ‘Duas ou três coisas’.

No essencial, e segundo o embaixador, nas conclusões do relatório fica “evidente que o empreendimento não é incompatível com a preservação do estatuto de Património Mundial do Alto Douro Vinhateiro (ADV).

«A missão concluiu que, de acordo com informações oriundas de diferentes fontes, que a construção da barragem [de Foz Tua] parece ter um impacto global limitado no valor excepcional universal do bem patrimonial e na sua integridade e autenticidade em termos de impactos na paisagem que reflecte os processos de vinicultura», referiu.

No entanto, segundo Francisco Seixas da Costa, «nem tudo está ainda concluído».

«Embora do relatório da missão (…) resulte uma implícita autorização de prosseguimento das obras de construção da barragem, se bem que a um ritmo limitado (mas já não uma redução significativa deste ritmo), Portugal tem de dar resposta, até 1 de Fevereiro de 2013, a algumas questões que são colocadas pelo relatório», salientou.

O embaixador não especificou quais são essas questões.

À agência Lusa, o Ministério da Agricultura, Ambiente, Mar e Ordenamento do Território (MAMAOT) referiu que Governo está a «estudar cuidadosamente» as recomendações da UNESCO, de forma a garantir a sua plena execução, sem também dizer quais são essas recomendações.

A missão técnica da UNESCO, composta por três especialistas, esteve no Douro entre 30 de Julho e 03 de Agosto, tendo reunido com autarcas, associações e organizações, com posições a favor e contra a construção da barragem.

Francisco Seixas da Costa não tem dúvidas que alguns sectores vão continuar a contestar a construção do aproveitamento hidroeléctrico, no entanto, considerou que estes deixam, a partir de agora, de poder esgrimir o argumento da «eventual incompatibilidade da construção da barragem com o estatuto do ADV como Património Mundia».

Antes do início da construção do empreendimento, entre Alijó e Carrazeda de Ansiães, o Estado português não fez uma notificação prévia à UNESCO.

A barragem vai ocupar 2,9 hectares do ADV, o que representa 0,001 por cento do total da área classificada. A obra incide na zona de protecção do ADV.

Em sequência, a organização enviou, em 2011, a Portugal uma missão para avaliar os impactos da obra, a qual produziu um relatório com duras críticas e que levou à apresentação de uma proposta de suspensão imediata dos trabalhos na barragem.

Em Junho, na reunião do comité da UNESCO em São Petersburgo, Rússia, a organização aceitou a proposta portuguesa no sentido de haver uma redução significativa do ritmo dos trabalhos até à divulgação do relatório da nova missão, o que aconteceu hoje.
Fonte da notícia: http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Bragan%E7a&Concelho=Mirandela&Option=Interior&content_id=2642895&page=-1
Post no blog do embaixador: http://duas-ou-tres.blogspot.pt/2012/10/a-barragem-do-tua.html

Curioso como não há uma única palavra sobre a linha do Tua nem sobre a mobilidade das populações que ainda habitam aquela região por parte do dito embaixador.

E aqui está a resposta dos movimentos contra a construção da barragem:
Jornal Sol escreveu:
Medidas impostas pela UNESCO são mais caras do que parar Barragem do Tua

12 de Outubro, 2012
Ambientalistas, defensores da Linha do Tua e quintas do Douro afirmaram hoje que a concretização das medidas pedidas pela UNESCO para «tolerar» a Barragem de Foz Tua «será mais cara do que parar o empreendimento».

O Ministério da Agricultura e Ambiente divulgou quarta-feira que o relatório da missão da UNESCO ao Douro concluiu que a construção do aproveitamento hidroeléctrico de Foz Tua, de acordo com o projecto revisto, é compatível com a manutenção do Alto Douro Vinhateiro (ADV) na Lista do Património Mundial.

Depois de consultarem o relatório, diversas entidades opositoras do empreendimento acusam o Governo de revelar uma «alegação parcial e errada».

O comunicado é assinado, entre outros, pelo Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente (GEOTA), Liga para a Protecção da Natureza (LPN), Quercus, Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens (FAPAS), Quinta do Crasto e Quinta dos Murças (Esporão SA).

«A UNESCO tolera a barragem, mas faz críticas muito duras ao processo e exige medidas difíceis, cuja concretização será mais cara do que parar a barragem», referem.

Os signatários do comunicado defendem que, «só o custo de enterramento da central eléctrica, alteração da subestação e linha custará mais do que o resgate da concessão da barragem».

«Podemos estimar que os custos para os consumidores contribuintes de a barragem avançar serão 20 a 30 vezes superiores ao custo da paragem imediata da barragem», frisam as entidades subscritoras.

A UNESCO «exige» a criação de um “Plano de Gestão da Zona”, com força de lei, que proteja o Douro «dos impactos cumulativos de infra-estruturas como barragens, linhas eléctricas e estradas, como por impactes incrementais resultantes da ausência de políticas de gestão consistentes».

Este plano terá de ser submetido à organização até 1 de Fevereiro 2013.

Ainda segundo o comunicado, a UNESCO concorda com o enterramento da central eléctrica, mas exige conhecer e pré-aprovar soluções para a subestação e para a linha de muito alta tensão, para as quais ainda não existem projectos.

Os signatários referem que, no relatório, a UNESCO «critica duramente o Estado pelo incumprimento de medidas de gestão, salvaguarda e reporte sobre o Alto Douro Vinhateiro ao longo dos últimos onze anos, em particular os procedimentos que levaram à aprovação da barragem de Foz Tua».

A organização critica ainda a inutilização da Linha Ferroviária do Tua, considerando que solução de mobilidade proposta pela EDP e pelo Governo (com teleférico e barco) “não satisfaz minimamente as necessidades, quer das populações locais, quer do turismo, e exige uma solução alternativa.

Os opositores da barragem admitem que neste relatório «há um recuo, o qual consideram ter um carácter político e não técnico», mas defendem que a «decisão é condicional».

«Até que todas estas questões estejam cabalmente resolvidas, o que poderá demorar anos, a UNESCO exige que as obras se mantenham a ritmo lento», acrescentaram.

Em conclusão, exigem a suspensão imediata das obras da barragem e a revogação da portaria, que prevê a atribuição de 300 milhões de euros de subsídios a fundo perdido às empresas eléctricas, considerando que isto daria «folga orçamental para resgatar a concessão».
Fonte da notícia: http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=60935
Post no site do MCLT (recomendo a leitura): http://www.linhadotua.net/3w/index.php?option=com_content&task=view&id=792&Itemid=38
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Dom Out 28, 2012 4:02 pm

Descobri mais um filme a propósito do chamado interior.
Este "documentário" é um pouco diferente. Está feito em estilo de novela, cujo casal protagonista vem da cidade para documentar Trás-os-Montes... E renasce com aquelas gentes, a sua história, a vida e vitalidade da Natureza que ali vinga por toda a parte, que contrastam com a idade da maior parte dos seus habitantes actuais.

Para Que Este Mundo Não Acabe

Sinopse escreveu:
"Vinde ver este mundo a acabar!" – escreveu o padre António Fontes, o padre da medicina popular e da "queimada das bruxas" de Vilar de Perdizes, um apelo desesperado, na sua preciosa monografia da região do Barroso. E eu [João Botelho - Jornalista] fui. Então vi a gente e a terra. Assombro na descoberta. Aperto no coração. "Deus é bom mas o diabo não é nada mau!” – aprendi com esta gente de hábitos comunitários e que é grande, dura e generosa. E também aprendi que não há lugar mais justo para uma demanda da vida e até da fugidia felicidade que ali, garanto-vos, é sempre possível. Este é o 1º filme da trilogia de João Botelho dedicada a Trás-os-Montes.


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