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 Portugal ao abandono

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Kraft durch Freude
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MensagemAssunto: Portugal ao abandono   Seg Maio 24, 2010 2:22 pm

Vi há pouco mais uma reportagem relativa a este tema. O título era algo como "O Último Homem da Aldeia".

Era sobre uma aldeia no Algarve onde vive apenas um senhor, de 80 e poucos anos, se não me engano. Todos os outros habitantes saíram da aldeia ou foram morrendo. Ele vive lá sozinho, com "a bicharada", os gatos e uma televisão que lhe faz companhia. Diziam que ele velava pela aldeia, que já tinha morrido há muito.

Passou hoje, 25 de Maio de 2010, no programa "Sinais de Fumo", na SIC.

______________________________

Homem de 68 anos é o último guardião da aldeia de Cabrum

Citação:
Manuel Pontes tem 68 anos e há quase quatro que é o único habitante de Cabrum - umas das povoações da freguesia de Calde, no concelho de Viseu - onde só chega quem conhece bem o local.
(...)
Ao todo, a povoação tem 18 pequenas moradias, algumas já em ruínas, mas só uma é habitada.
(...)
A chegada da equipa de reportagem da Lusa permitiu-lhe "desenferrujar a língua". A vontade de comunicar é tal que, durante horas, apenas se ouve a voz forte de um homem que mostra saber tudo o que se passa no mundo.

Notícia da RTP, 19 de Abril de 2008

______________________________

Há algum tempo vi também "O Pastor", uma reportagem da SIC sobre o Piódão, e a história de António Francisco Santos:

Citação:
Na aldeia do Piódão vivem 70 pessoas; uma delas foi notícia há 14 anos, por andar em sentido contrário ao da maioria e regressar a casa depois de quase duas décadas fora. E António Francisco Santos tinha um objectivo claro em mente: ser pastor.
(...)
No quarto dia de existência da SIC, a 10 de Outubro de 1992, "o Pastor" foi notícia por voltar a casa dos pais... para guardar um rebanho de cabras. Aos 29 anos, depois de percorrer o País fazendo de tudo um pouco, António regressa à aldeia do Piódão.


Perdidos e Achados, SIC, Janeiro de 2008


______________________________

Provavelmente já viram ou ouviram falar do filme "Ainda há Pastores?", de Jorge Pelicano. Segue o trailer:


Alguns dos comentários ao trailer no YouTube:

Citação:
a maior parte de Portugal vive assim...as pessoas deixam-se enganar pela capital e a capital é k é bom infelizmente gasta-se dinheiro em expos ccbs e casas da musica e "electricos de superficie" em vez de se tratar da desertificacao do nosso pais...na aldeia do meu pai em montalegre ainda hj nao existe agua canalizada nem saneamento e a luz publica so la chegou a 2, 3 anos...isto é o Portugal real

Citação:
Eu penso que esse documentário é fascinante pois mostra o retorno à inocência nesse mundo tão dominado por esse neoliberalismo e essa globalização que teima em destruir as raízes e patrimônios imateriais dos povos. Espero que ganhe todos os prêmios de sua categoria, sobretudo aqui no Brasil. Lindo ver esse estilo de vida que certamente foi o estilo de vida do meu avô na sua infância em Portugal. Saudações brasileiras. Fábio - RJ - Brasil.

Citação:
eu prorpio conheço a historia deste rapaz. Eu sou do distrito da guarda e tenho familia em manteigas terra de onde ele e natural e abandonou a casa dos pais por problemas familiares. Ainda hoje o costumo ver em manteigas, e tenho condiçoes de dizer k ele nao e pobre, apenas vive de maneira difrente e infelizmente na ignorancia... Ele vive como se vivia ha 40 ou 50 anos atras, nao significa pobreza!

Citação:
A maior parte das pessoas de Lisboa teem descendencia do interior esquecem-se é com muita facilidade...facil é partir dificil é ficar


Ainda Há Pastores?


______________________________

Portugal A Pé

O jornalista Nuno Ferreira decidiu percorrer Portugal a pé. Começou em Sagres em 2008.
Citação:
Por vezes, convidam-me para ficar a viver ali mesmo. “Se gosta tanto disto porque é que não vem viver para aqui?”, perguntou-me a Dona Mena, do Restaurante e Bar Ponto de Encontro em Trinta, a dez quilómetros da Guarda. “Traga aqui a sua mulher e os seus filhos”, convidou-me a Dona Donzília, em Sequeiros, à beira do Rio Paiva.
Ao fim de dois anos de travessia, é impossível e indisfarçável não carregar comigo a tristeza e dor do abandono a que foi votado o campo. Como me dizia há dias o Padre Fontes, em Vilar de Perdizes: “Estamos a assistir à elegia do país rural. Cada funeral que realizo é mais uma pedra no caixão do mundo rural. Mas não desisto, é preciso continuar a fazer recolhas, a escutar os antigos”.

Do blog do Portugal a Pé. Tem mesmo muita coisa. Recomendo a leitura disto e daquilo, um pouco por todo o blog. :-)


Última edição por Kraft durch Freude em Seg Maio 24, 2010 2:30 pm, editado 2 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Maio 24, 2010 2:23 pm

Vejo estes casos como fotografias (ainda) vivas de um passado que desaparece, morre abandonado e esquecido pela grande multidão. Custa-me assitir a isto sem nada fazer. Dão-me vontade de pegar na mochila, fazer-me à estrada e investigar por mim mesmo o que há por aí para ser descoberto. E, possivelmente, sujar as mãos para dar o meu contributo para inverter a situação.

O caso d"O Pastor" causa-me alguma estranheza. Em todos os outros, parece-me não ter havido muitas hipóteses de escolha. "O Pastor" teve, mas aparentemente quis voltar atrás no tempo, mesmo tendo tido a hipótese de viver no presente e contribuir para construir um futuro melhor. Infelizmente não consegui encontrar o documentário completo, que julgo que falava de outros casos e não apenas do dele (de que também não me recordo com precisão). Se bem me lembro, um dos outros exemplos era o de uma senhora que tinha voltado à mesma ou a uma terra próxima, criou ali uma pastelaria com produtos tradicionais e outras coisas que levou de Lisboa. Pelo menos à data da reportagem, a novidade estava a ter sucesso, a senhora vivia bem com os rendimentos daquilo que estava a fazer e não estava com vontade de voltar atrás.



Provavelmente o dramatismo da situação do interior acentua-se pela minha visão/teima de que a solução para os males do país não se encontra na concentração/atafulhação de gente em cidades, agudizando-se a situação quando se reserva este luxo para as zonas do litoral. Provavelmente é devido à minha inocência e falta de visão que ainda imagino que seria possível utilizarmos os recursos de que dispomos nesta terra riquíssima se a povoássemos e a vivêssemos em vez de a deixarmos ao abandono e partirmos em rebanho rumo a vidas que aparentam ser mais compensadoras, vidrados pela beleza do fácil, rápido e temporário. Enquanto isso, voltamos as costas ao que não voltaremos a ser e que, continuando assim, nos havemos de esquecer que fomos.


Depois de "liberto", Portugal quis olhar para fora. No meio do maravilhamento não conseguiu olhar para dentro, analisar o que poderia fazer para que o exterior se interessasse por si, e fixou-se apenas em absorver o que vem desse exterior. Perdendo o conhecimento de quem era e de quem é e, portanto, de quem quer ser, deixou de ser capaz de se mostrar interessante para os outros.
E continua ofuscado, a olhar directamente para as luzes que vêm de fora. E, sem conseguir perceber que atrás dessas luzes está muito trabalho e muita auto-estima, continua a perguntar-se o que tem de fazer para poder brilhar por si próprio... E vai olhando fixamente para as outras luzes, à espera que a solução se lhe apareça à frente, já pronta a usar e de preferência sem ser preciso suar muito.




Isto não é necessariamente uma opinião. Chamem-lhe uma deambulação mental se quiserem.
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Qui Jun 03, 2010 12:06 pm

É óbvio que a natureza do nosso regime, é, toda ela, errada e nociva para o país. A população está mal distribuída, o nosso tecido produtivo foi desmantelado, e transformámos-nos num país de serviços, e de decadência urbana. Os nossos jovens não são qualificados. E os que o são, já são demasiados para as necessidades do mercado. Precisaremos de mais alunos analfabetos e desinteressados no ensino secundário, já de si cada vez menos exigente? Não me parece. Precisamos sim de repovoar o interior, o Alentejo, de ressuscitar produções, e de requalificar as juventudes para esse efeito. O que será difícil. O trabalho rural/braçal é visto pela juventude como algo vergonhoso. E quem diz trabalho, diz a própria vivência numa aldeia, ou até numa vila. É absolutamente necessário parar com as importações de ilusões de sonhos e cultura americanos, de uma vida urbana e perfeita, que não é real. É urgente ressuscitar Portugal no seu pleno. E não estou a falar da selecção de futebol.
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Sex Jun 04, 2010 11:00 am

Aelle escreveu:
(...) Precisamos sim de repovoar o interior, o Alentejo, de ressuscitar produções, e de requalificar as juventudes para esse efeito. O que será difícil. O trabalho rural/braçal é visto pela juventude como algo vergonhoso. E quem diz trabalho, diz a própria vivência numa aldeia, ou até numa vila. (...)

Tenho a sensação que a juventude vê isso dessa forma porque só o conseguem imaginar a ser feito "à antiga". Provavelmente não se imaginam a fazer as coisas de forma lucrativa e actualizada.

Depois de entrarmos na União Europeia houve fundos que vieram para os agricultores e produtores modernizarem as suas produções para as tornarem mais competitivas: investindo em novos equipamentos, novas técnicas, etc. Em vez disso os produtores, sem formação nem espírito empreendedor (nherf) (como ainda hoje nós, portugueses em geral, não temos), meteram os fundos ao bolso e disseram "obrigadinho!".

A meu ver sim, o equilíbrio necessário para a nossa própria sobrevivência deve passar por aproveitar o que temos. Mas não necessariamente à custa de trabalho braçal puro como foi no passado. A tecnologia existe e, dada a nossa riqueza, a meu ver o investimento deveria compensar.
Se não conseguirmos valorizar e fazer valer o que cá temos, como é que podemos querer que, seja cá dentro ou lá fora, alguém nos queira comprar alguma coisa?

De vez em quando ouve-se falar dos esforços de um ou outro que tentam vingar com métodos mais modernos de exploração agrícola ou pecuária. Ou se fala muito pouco disso ou há muito poucos esforços nesse sentido.
Não sei, também acho que não conheço o país suficientemente bem para poder ter uma ideia mais realista do que se passa em concreto (daí vir pedir-vos a opinião a vocês, iluminados companheiros! Razz).
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Sex Jun 04, 2010 11:28 am

Dei em geografia que o Douro interior esta a ser procurado para turismo rural, nao propriamente as aldeias abandonadas mas as povoadas, de preferencia perto de alguma area balnear no rio. Temos condicoes para turismo de interior e o obectivco de tornar Portugal um pais de servicos esta relacionado com isso: os paises mais ricos tem uma maior percentagem da populacao a trabalhar em servicos ou no sector terceario e menos no sector primario (agricultura, mecanica, mao de obra e etc). A ideia e que no futuro vamos importar produtos agriculas de africa e os nossos agricultores vao trabalhar em profissoes do sector secundario, que produzem maior riqueza, algo do genero, produzir magalhaes para trocar 1 magalhaes por um camiao de fruta.
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Sex Jun 04, 2010 12:00 pm

Váli escreveu:
(...)algo do genero, produzir magalhaes para trocar 1 magalhaes por um camiao de fruta.


Só uma nota de rodapé: os Magalhães não são produzidos em Portugal.

Cá só são montados com a capinha azul escura e o logotipo para parecerem diferentes e para terem publicidade com o empurrão do governo. Por dentro não passam de Intel classmates como quaisquer outros. Confesso que por causa de certos detalhes da negociata me metem um certo nojo sem terem culpa nenhuma, os coitados.
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jul 05, 2010 5:05 am

Kraft durch Freude escreveu:
Váli escreveu:
(...)algo do genero, produzir magalhaes para trocar 1 magalhaes por um camiao de fruta.


Só uma nota de rodapé: os Magalhães não são produzidos em Portugal.

Cá só são montados com a capinha azul escura e o logotipo para parecerem diferentes e para terem publicidade com o empurrão do governo. Por dentro não passam de Intel classmates como quaisquer outros. Confesso que por causa de certos detalhes da negociata me metem um certo nojo sem terem culpa nenhuma, os coitados.


Agora é que disseste tudo. Smile
A história dos magalhães está cá uma trapalhada enorme que só revela o nível de (in)decência do nosso governo.
Eles são assemblados (neologismo) cá em Portugal mas são de facto intel classmate. Os componentes não são fabricados em Portugal.

A corrupção está em toda a parte no que toca o magalhães:

- O assemblador (JP Sá Couto) foi escolhido por adjudicação directa.
- A JP Sá Couto é uma empresa que foi apanhada em esquemas do chamado "carrossel do IVA"
- A própria Intel acabou há uns meses de levar nas orelhas pelas suas práticas monopolistas.
- O nosso Sócrates já se sabe. Dispensa links quanto ao seu currículo de escândalos.
- A TMN é que está a lucrar e bem com estes programas do e-escolinhas/e-escolas. Muitos são aqueles que se vêm aliciados pelo baixo preço mas depois são confrontadas com um contrato de permanência que as aprisionam e no final acabam pagar um valor total muito superior ao propagandeado.
- Muitas crianças ainda nem sequer receberam o seu... silent
- Diz "Made in Portugal" por fora mas a esmagadora maioria dos seus componentes vêm de outros países

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jul 05, 2010 7:22 am

Como disse o meu professor de Sistemas de Informação da Empresa: "Eu só tenho é pena de não ter sido EU a lembrar-me de fazer o Magalhães, porque a esta hora estava na minha ilha privada a beber e a festejar!"
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jul 05, 2010 7:35 am

Eu hoje até estava relativamente bem-disposto...
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jan 17, 2011 1:50 pm

Iniciativa "Fé nos Burros":



Citação:
A iniciativa " Fé nos Burros” pretende através da instalação fotográfica realizada em parceria com João Pedro Marnoto, enaltecer a utilidade e importância da relação homem-animal, com especial relevância para as burras, burros, mulas e machos. Esta cultura rural associada aos habitantes das nossas aldeias, retratada nas suas maneiras de trabalhar com a terra e animais, a sua cumplicidade na relação com os mesmos.

Apesar da AEPGA, ser uma associação cujo objectivo se centra na recuperação e manutenção da Raça Asinina de Miranda, o burro e o gado muar assumem neste projecto uma figura, que simboliza a riqueza cultural e natural desta região.

Através da presença deste animal iremos descobrir facetas do quotidiano dos seus donos, desde a sua cultura material, saberes artesanais, tradição oral, conhecimento popular, até aos seus sentimentos e emoções.

Iremos à procura da presença de um mundo antigo que ainda resiste à avalanche da modernidade, e sobretudo daqueles que assistem e resistem ao seu desaparecimento.

Original e em alta definição no Vimeo.

______________________________

A Ceinwyn lembrou-me do "Pare, Escute e Olhe", um documentário que tem sido bastante premiado e que pensava que já tinha aqui referido. Parece que estava enganado e que me tinha esquecido.

Do mesmo autor de "Ainda dá Pastores?", Jorge Pelicano. Fica o trailer:


Citação:
Dezembro de 91. Uma decisão política encerra metade da centenária linha ferroviária do Tua, entre Bragança e Mirandela. Quinze anos depois, o apito do comboio apenas ecoa na memória dos transmontanos. A sentença amputou o rumo de desenvolvimento e acentuou as assimetrias entre o litoral e o interior de Portugal, tornando-o no país mais centralista da Europa Ocidental.
Os velhos resistem nas aldeias quase desertificadas, sem crianças. A falta de emprego e vida na terra leva os jovens que restam a procurar oportunidades noutras fronteiras. Agora, o comboio que ainda serpenteia por entre fragas do idílico vale do Tua é ameaçado por uma barragem que inundará aquela que é considerada uma das três mais belas linhas
ferroviárias da Europa.
PARE, ESCUTE, OLHE é uma viagem por um Portugal profundo e esquecido, conduzida pela voz soberana de um povo inconformado, maior vítima de promessas incumpridas dos que juraram defender a terra. Esses partiram com o comboio, impunes. O povo ficou, isolado, no único distrito do país sem um único quilómetro de auto-estrada.


Estão mais informações sobre o documentário no site oficial: http://www.pareescuteolhe.com
Também se pode encomendar o DVD a partir de lá.


Última edição por Kraft durch Freude em Seg Jan 17, 2011 3:49 pm, editado 3 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jan 17, 2011 3:09 pm

Felizmente, há aldeias em que se verifica o oposto: a minha! Very Happy Eu não gosto de lá estar, mas sou uma excepção. A minha aldeia é bastante viva, tem imensa gente, os casais jovens não partem para outros sítios, criam família lá, e há até gente de fora que vai para lá morar.

Arrisco-me a dizer que temos mais crianças/jovens do que idosos. O jardim de infância e escola estão cheios de putos e todos os anos há mais "fornadas" de putos que nascem. Smile Há também MONTES de gente das nossas gerações.


E sim, isto é uma aldeia pequena perdida no meio do Alentejo, onde não há NADA. Mas há pessoas! Muitas pessoas (vá, para aí uns 1000 habitantes). Somos um exemplo feliz de que é possível manter as aldeias povoadas. Mas não sei bem como nem porquê, não sei qual é a fórmula mágica para lá ser assim e nas outras aldeias não. Neutral

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jan 17, 2011 3:22 pm

Lembrei-me de mostrar aqui uma curiosidade:

Vão a este site e, na barra lateral esquerda, cliquem na Casa Candeias, do arquitecto João Carrilho da Graça. É na minha aldeia. Smile

Foi apresentada numa exposição de arquitectura, em Veneza, com mais 3 casas portuguesas de arquitectos importantes, como Siza Vieira. Há várias notícias sobre isso por aí, basta googlar (aqui fica uma, já agora).


Spoiler:
 

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jan 17, 2011 5:40 pm

RedHead, o que tenho observado é que casos como esse de que falas são cada vez mais raros.

Hoje em dia, temos imensa gente atafulhada em centros urbanos e grande parte do país está abandonado. As povoações que ainda singram são cada vez menos.

Há 20~30 anos, o normal em grande parte das povoações do interior parecia ser esse que vês aí na tua aldeia: muita gente, muita canalha miúda, muita alegria, mas também muito trabalho e muita pobreza. Não só em meia dúzia de povoações, mas na grande maioria do país. Grande parte desta vida nas regiões do interior (e não só!) desapareceu. Pura e simplesmente. Não aproveitámos essa vida, deixámo-la fugir, a pobreza ficou e a inversão de sentido para muitos parece ser impossível.

Aparentemente estamos a registar os últimos fôlegos da geração que ainda persistiu na terra que o viu nascer. E a cada ano que passa estamos a perder as últimas oportunidades de guardarmos o que essa geração ainda tem (tinha) para nos oferecer e ensinar.


Deixo aqui mais um vídeo, com a segunda parte de uma entrevista que o Jorge Pelicano deu, aquando da exibição do "Pare, Escute, Olhe" no Cinema Londres, em Lisboa (pois Rolling Eyes ). A primeira parte também está interessante e deve aparecer nas sugestões, se forem à página desse vídeo no YouTube.




Ele refere algumas vezes o "esquecimento" a que o interior está votado. Eu chamar-lhe-ia antes "abandono".
Não sei quanto a vocês, mas eu tenho cada vez mais vontade de arregaçar as mangas e fazer algo...
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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jan 17, 2011 11:31 pm

Falando por mim, acho a paisagem do Alentejo muito... Vazia para o meu gosto. Sou fã de florestas (quem fizer piada, vai de graça ver os Blut aus Nord What a Face ou não) e de montanhas...

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MensagemAssunto: Re: Portugal ao abandono   Seg Jan 17, 2011 11:49 pm

Eu ainda estou apaixonada por Lisboa, gosto de me mover anonimamente, poder ir para qualquer lado sem estar sujeita a olhares indiscretos. (Na minha terra existe demasiada cusquice, demasiados comentários sobre aparência... entre a inexistência de outras coisas...).

De qualquer forma, acho que há cidades ou vilas do interior norte com potencial para crescer!
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