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| Autor | Mensagem |
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Ceinwyn Deus(a) da Lua (moderação)

 N. de Mensagens: 3334 Raça: Gárgula Elemento: Terra/Rocha Deus: Ares (Guerra/Heroísmo/Conquista) Cor: Cinzento
 | Assunto: Re: Portugal ao abandono Ter Jan 18, 2011 2:01 am | |
| Encontrei agora este texto no Jugular que o Kraft vai adorar (nem de propósito...). | Citação: | Quem investiga por que é tão baixa a produtividade em Portugal acaba mais tarde ou mais cedo por tropeçar no tema da dispersão da nossa população.
Permanecemos um dos países menos urbanizados da Europa (segundo algumas fontes o menos urbanizado), o que implica custos elevadíssimos de infra-estruturação do território para proporcionar às populações serviços básicos de água, electricidade, telecomunicações, transportes, educação e saúde.
Um dos principais obstáculos à resolução destes problemas é a persistente ideologia ruralista que, invocando o bucolismo de qualquer aldeia miserável perdida no alto de um monte, combate a concentração urbana e exige que o Estado vá levar à porta de qualquer eremita tudo aquilo que ele entenda exigir.
O post que o José M. Castro Caldas escreveu sobre o eventual encerramento do ramal Lousã - Coimbra encaixa perfeitamente neste género literário. A dita linha férrea tem quase 30 kms de extensão e atravessa uma região insuficientemente povoada para justificar a utilização quotidiana intensiva de um comboio urbano (seja ele pesado ou ligeiro). Isso não comove, porém, o opinante.
Segundo depreendo, o grande argumento para continuar a haver essa ligação ferroviária é que dantes havia, mas eu tenho alguma dificuldade em me deixar impressionar pela força de tais razões.
Como seria de esperar, o José M. Castro Caldas considera desprezível a pequena dificuldade da, como ele escreve, "falta de verba". Ele vive na Lousã, dava-lhe jeito a automotora, que mais haverá a dizer? A verba tem que vir de algum sítio - provavelmente, do tal "imposto sobre as grandes fortunas" que duma vez por todas resolveria os problemas do país.
No mundo real, a "falta de verba" é uma dificuldade recorrente, de modo que é preciso fazer escolhas: ou ela vai para uma coisa, ou vai para outra. "Metros" na Lousã e em Mirandela não passarão certamente num teste de mérito comparativo face a outras alternativas mais prementes e racionais. |
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Certe canzoni attraversano le mura con sacre ironie e parlano, senza parole, quell'unica lingua ch'è il suono.
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|  | | Kraft durch Freude Rei/Rainha

N. de Mensagens: 1619 Raça: Povo das Arvores Deus: Ares (Guerra/Heroísmo/Conquista)
 | Assunto: Re: Portugal ao abandono Ter Jan 18, 2011 3:41 am | |
| | Floresta, Ex-Odal escreveu: | | Falando por mim, acho a paisagem do Alentejo muito... Vazia para o meu gosto. Sou fã de florestas e de montanhas... |
Tens bom remédio: não vás para o Alentejo. 
| Vampiria escreveu: | Eu ainda estou apaixonada por Lisboa, gosto de me mover anonimamente, poder ir para qualquer lado sem estar sujeita a olhares indiscretos. (Na minha terra existe demasiada cusquice, demasiados comentários sobre aparência... entre a inexistência de outras coisas...).
De qualquer forma, acho que há cidades ou vilas do interior norte com potencial para crescer! |
Eu percebo o que tu dizes. No entanto, parece-me que isso até é mais uma das consequências da estagnação e pequenez a que tudo o que não é Lisboa/litoral está votado actualmente. Imagino um interior utópico cheio de gente e de vida. "Toda a gente conhecer-se" não é uma premissa obrigatória para que tal fosse verdade. Essa cusquice, esses comentários e a pequenez de espírito... Só são mesmo possíveis devido à dimensão que estas terras ainda têm. Duvido que tal se mantivesse se tivéssemos aproveitado a oportunidade que essas terras nos ofereceram, se tivessem crescido e hoje tivéssemos um interior realmente vivo. Há muitas terras que ainda lutam por isto e algumas têm tido algum sucesso... Mas, lá está: tenho a sensação de que perdemos mais nos últimos anos do que aquilo que aproveitámos.
O amigo do Jugular é capaz de ter alguma razão. E pessoalmente, não acho que o problema aqui seja o fecho de linhas, o encerramento de estações ou qualquer caso em particular. O problema, a meu ver, é a debandada e abandono gerais que tem como origem e simultaneamente consequência as 1001 medidas que são tomadas no sentido de acabar com estas terras. Não sou fanático pelas linhas. Como o não sou pelas barragens nem pelos hospitais nem pelas escolas nem pelas estradas com boas condições de circulação nem pelo assegurar de condições sanitárias nem pela disponibilidade de electricidade nem pelas oportunidades de educação da população nem pela conservação das espécies autóctones nem pelo aproveitamento do potencial turístico nem pelos 1001 produtos de qualidade que podíamos exportar, com a marca "Portugal", para os quais definitivamente há mercado, e dos quais actualmente apenas temos meia dúzia de exemplos, a meu ver, muito pequeninos.
EDIT: Vídeo colocado online anteontem:
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|  | | Ceinwyn Deus(a) da Lua (moderação)

 N. de Mensagens: 3334 Raça: Gárgula Elemento: Terra/Rocha Deus: Ares (Guerra/Heroísmo/Conquista) Cor: Cinzento
 | Assunto: Re: Portugal ao abandono Ter Jan 18, 2011 5:24 am | |
| | Kraft durch Freude escreveu: | | O amigo do Jugular é capaz de ter alguma razão. E pessoalmente, não acho que o problema aqui seja o fecho de linhas, o encerramento de estações ou qualquer caso em particular. O problema, a meu ver, é a debandada e abandono gerais que tem como origem e simultaneamente consequência as 1001 medidas que são tomadas no sentido de acabar com estas terras. Não sou fanático pelas linhas. Como o não sou pelas barragens nem pelos hospitais nem pelas escolas nem pelas estradas com boas condições de circulação nem pelo assegurar de condições sanitárias nem pela disponibilidade de electricidade nem pelas oportunidades de educação da população nem pela conservação das espécies autóctones nem pelo aproveitamento do potencial turístico nem pelos 1001 produtos de qualidade que podíamos exportar, com a marca "Portugal", para os quais definitivamente há mercado, e dos quais actualmente apenas temos meia dúzia de exemplos, a meu ver, muito pequeninos. |
Não é uma questão de fanatismo. Mas os fechos das linhas, escolas, hospitais, etc é que são essas 1001 medidas que, uma a uma, acabam com as terras, são a destruição das poucas infraestruturas existentes no interior, sem as quais o desenvolvimento é impossível. É que ninguém quer ir viver e criar família num sítio onde não haja escolas e hospitais próximos, onde não haja meios de transporte além de andar de carro por estradas miseráveis. Nem ninguém vai cultivar os campos ou montar uma empresa no meio do nada, se não há gente na zona para escoar os produtos nem vias de ligação decentes para os transportar. _________________
Certe canzoni attraversano le mura con sacre ironie e parlano, senza parole, quell'unica lingua ch'è il suono.
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|  | | Vampiria Rei/Rainha

 N. de Mensagens: 1182 Local: Ilha dos Sonhos Raça: Povo das Arvores Elemento: Terra/Rocha Deus: Deméter (Terra/Natureza/Estações) Cor: Roxo
 | Assunto: Re: Portugal ao abandono Ter Jan 18, 2011 5:44 am | |
| Sim, retirando as infraestruturas fica complicado permanecer no interior. E depois quando se cria algo interessante, p.e., uma empresa, a mesma morre à nascença, porque só é interessante para a pessoa que teve a ideia brilhante. E isso é triste de ver (eu já vi acontecer). |
|  | | Kraft durch Freude Rei/Rainha

N. de Mensagens: 1619 Raça: Povo das Arvores Deus: Ares (Guerra/Heroísmo/Conquista)
 | Assunto: Re: Portugal ao abandono Ter Jan 18, 2011 6:06 am | |
| | Ceinwyn escreveu: | | Não é uma questão de fanatismo. Mas os fechos das linhas, escolas, hospitais, etc é que são essas 1001 medidas (...) |
Exacto. Disseste o mesmo que eu por outras palavras. O que eu disse (talvez não tenha ficado claro) é que não sou fanático por qualquer uma dessas medidas em particular. Quanto à situação no seu todo.... |
|  | | Ceinwyn Deus(a) da Lua (moderação)

 N. de Mensagens: 3334 Raça: Gárgula Elemento: Terra/Rocha Deus: Ares (Guerra/Heroísmo/Conquista) Cor: Cinzento
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