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 Excertos literários

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Averróis
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MensagemAssunto: Excertos literários   Qua Dez 01, 2010 10:16 pm

Há uns tempos disse isto, no tópico do "Que estás a ler agora?":

Averróis escreveu:
Ainda tenho muito para ler, mas hoje vi este, que já me tinha despertado o interesse em 2008, e decidi comprar.
Alguém já leu algo de Italo Calvino? Li "Sr. Palomar" há uns anos e gostei bastante. Identifico-me bastante com a forma como descreve as coisas e como raciocina.

Acontece que encontrei agora um excerto do livro "Sr. Palomar" num documento de texto que tinha feito em 2008.
Aqui fica para quem quiser ler. Já agora, e para aumentar a utilidade do tópico, fica aberto a mais excertos de outros livros.

Citação :
Italo Calvino - Excerto do livro “Sr. Palomar”



O senhor Palomar caminha ao longo de uma praia solitária. Encontra poucos banhistas. Uma mulher jovem está estendida na areia, apanhando sol com os seios descobertos. Palomar, homem discreto, volve o seu olhar para o horizonte marinho. Sabe que em semelhantes circunstâncias, quando um desconhecido se aproxima, as mulheres, geralmente, apressam-se a cobrir-se, e isso não lhe parece bem: porque é aborrecido para a banhista que apanha sol tranquilamente; porque o homem que passa sente que importuna; porque o tabu da nudez fica implicitamente confirmado; porque as convenções não inteiramente respeitadas propagam a insegurança e a incoerência no comportamento, em vez da liberdade e da franqueza.
Por isso, assim que vê aparecer à distância a nuvem brônzeo-rósea de um torso nu feminino, apressa-se a colocar a cabeça de molde a que a trajectória do seu olhar permaneça suspensa no vazio, como garante do seu respeito cívico pela fronteira invisível que circunda as pessoas.
No entanto – pensa ele continuando a caminhar e, mal o horizonte se encontra desocupado, retomando o livre movimento do globo ocular – eu, assim fazendo, ostento uma recusa de ver, eu próprio acabo por reforçar a convenção que considera ilícita a vista do seio, ou seja, instituo uma espécie de soutien mental, suspenso entre os meus olhos e aquele peito, o qual, a julgar pelo reflexo que dele chegou aos confins do meu campo visual, me pareceu fresco e agradável à vista. Em suma, o meu não olhar pressupõe que estou a pensar naquela nudez, que me preocupo com ela, o que no fundo ainda é uma atitude indiscreta e retrógrada.
Regressando do seu passeio, Palomar volta a passar diante daquela banhista e desta vez mantém o olhar fixo à sua frente, de modo a que este aflore com uma imparcial uniformidade a espuma das ondas que recuam, os cascos dos barcos postos em seco, a toalha turca estendida na areia, a pródiga lua cheia de pele mais clara com a auréola castanha do mamilo, o perfil da costa na bruma que contrasta, cinzenta, contra o céu.
Aí está – reflecte ele satisfeito consigo próprio, prosseguindo a caminhada – consegui fazer com que o seio fosse completamente absorvido pela paisagem e com que o meu olhar não tivesse mais peso do que o olhar de uma gaivota ou de um badejo.
Mas será verdadeiramente justo proceder assim? – Reflecte ainda Palomar. – Ou não será isso rebaixar a pessoa humana ao nível das coisas, considerá-la um objecto e, o que ainda é pior, considerar como um objecto aquilo que na pessoa é específico do sexo feminino? Não estarei eu talvez a perpetuar o velho hábito da supremacia masculina, enquistada através dos tempos numa insolência rotineira?
Volta-se e regressa sobre os seus próprios passos. Agora, ao obrigar o seu olhar a percorrer a praia com imparcial objectividade, procede de modo a que, mal o peito da mulher entre no seu campo visual, se note uma descontinuidade, um desvio, quase um sobressalto. O olhar avança até aflorar a pele tensa, recua, como que avaliando com um ligeiro arrepio a consistência diferente da visão e o valor especial que ela adquire, e fica por um momento a pairar no ar, descrevendo uma curva que acompanha o relevo do seio a uma certa distancia, de uma forma evasiva mas simultaneamente protectora, para depois retomar o seu curso, como se nada se tivesse passado.
Creio que assim a minha posição resulta bem clara – pensa Palomar – sem qualquer possibilidade de haver mal-entendidos. E, no entanto, este sobrevoar do olhar não poderia acabar por ser entendido como uma atitude de superioridade, um subestimar daquilo que um seio é e daquilo que ele significa, colocando-o, de algum modo, à parte, à margem, ou entre parêntesis? Lá estou eu outra vez a relegar o seio para a penumbra em que foi mantido por séculos de pudicícia sexo-maníaca e de pecado de concupiscência…
Semelhante interpretação vai contra as melhores intenções de Palomar que, apesar de pertencer a uma geração madura, para a qual a nudez do peito feminino era associada à ideia de intimidade amorosa, aplaude no entanto esta mudança nos usos e costumes, quer pelo que significa como reflexo de uma mentalidade mais aberta, quer porque uma tal visão lhe é particularmente grata. É esse apoio desinteressado que ele gostaria de conseguir exprimir no seu olhar.
Faz meia-volta. Com passos decididos, encaminha-se uma vez mais na direcção da mulher estendida ao sol. Desta vez o seu olhar, lambendo voluptuosamente a paisagem, deter-se-á sobre os seus seios com especial atenção, mas apressar-se-á a considerá-los como parte de um arrebatamento de benevolência e de gratidão pelo todo, pelo sol e pelo céu, pelos pinheiros inclinados, pela duna e a areia e os escolhos e as nuvens e as algas, pelo cosmos que gira em torno daqueles cumes aureolados.
Tanto deveria bastar para tranquilizar definitivamente a banhista solitária e para desembaraçar o ambiente de ilações deslocadas. Mas assim que ele volta a aproximar-se, ei-la que se levanta de repente, cobrindo-se e bufando aborrecida, afastando-se e encolhendo enfastiadamente os ombros, como se estivesse a fugir às molestas insistências de um sátiro.
O peso-morto de uma tradição de maus-costumes não permite que se apreciem com a devida justiça as intenções mais iluminadas, conclui amargamente o senhor Palomar.

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Seg Jan 17, 2011 5:15 am

Está ali um mamilo.




(Não li o excerto. Mas resolvi ver tópicos aleatórios para parvar e fazer spam.)

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Averróis
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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Seg Jan 17, 2011 5:20 am

RedHead escreveu:
Está ali um mamilo.




(Não li o excerto. Mas resolvi ver tópicos aleatórios para parvar e fazer spam.)


LOL.
Não é um mamilo... É um... nariz peculiar? E está à contra-luz geek

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Seg Jan 17, 2011 5:23 am

Averróis escreveu:
RedHead escreveu:
Está ali um mamilo.




(Não li o excerto. Mas resolvi ver tópicos aleatórios para parvar e fazer spam.)


LOL.
Não é um mamilo... É um... nariz peculiar? E está à contra-luz geek


Ah... Neutral


Está ali um nariz com uma verruga.

Spoiler:
 

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Seg Jan 17, 2011 5:30 am

RedHead escreveu:
Spoiler:
 

Que perversidade perfeitamente infundada! Surprised

Spoiler:
 

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Seg Jan 17, 2011 5:46 am

LOOOOL Eu estava a ver o nariz assim! xD





(Espero que isto se perceba)

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Seg Jan 17, 2011 5:49 am

RedHead escreveu:
LOOOOL Eu estava a ver o nariz assim! xD





(Espero que isto se perceba)

Que exagero! Shocked

Isso não era um nariz, era um cara de cu. .9.

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Seg Jan 17, 2011 8:10 am

Averróis escreveu:
RedHead escreveu:
LOOOOL Eu estava a ver o nariz assim! xD





(Espero que isto se perceba)

Que exagero! Shocked

Isso não era um nariz, era um cara de cu. .9.

lol!

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Ter Jan 18, 2011 1:41 pm

O destino tem uma lógica própria. São necessários cálculos complexos para perceber o que poderia ter acontecido em vez do que realmente aconteceu. Há demasiadas possibilidades para que aconteça sempre o mesmo. O mundo tem uma variedade e é longo. O mundo deveria ser um túnel, onde entravas de manhã e saías à noite. Sem ramificações. Uma canalização orientada, como existe nas casas. Abres a torneira e sabes que sai água. Ou então não sai água. Só existem duas possibilidades.

Gonçalo M. Tavares - Um Homem: Klaus Klump

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Averróis
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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Dom Jan 30, 2011 8:38 pm

Em 2006 ou 2007 eu li um artigo de Jared Diamond sobre a menopausa, intitulado "Why Women Change", onde ele busca as razões plausíveis pelas quais a menopausa se faz sentir na mulher tão cedo (tendo em conta a sua esperança média de vida de cerca de 80 anos). Nesse artigo ele explora uma visão bastante interessante e relata situações e possibilidades igualmente curiosas.
Fica um excerto e o link para quem quiser ler:



Jared Diamond @ Discover Magazine (Julho de 1996) escreveu:
Most wild animals remain fertile until they die. So do human males: although some may eventually become less fertile, men in general experience no shutdown of fertility, and indeed there are innumerable well- attested cases of old men, including a 94-year-old, fathering children.

But for women the situation is different. Human females undergo a steep decline in fertility from around the age of 40 and within a decade or so can no longer produce children. While some women continue to have regular menstrual cycles up to the age of 54 or 55, conception after the age of 50 was almost unknown until the recent advent of hormone therapy and artificial fertilization.

Human female menopause thus appears to be an inevitable fact of life, albeit sometimes a painful one. But to an evolutionary biologist, it is a paradoxical aberration in the animal world.

(...)

Naturally, menopausal grandmothers in traditional societies contribute more to their offspring than just food. They also act as baby-sitters for grandchildren, thereby helping their adult children churn out more babies bearing Grandma’s genes. And though they work hard for their grandchildren, they’re less likely to die as a result of exhaustion than if they were nursing infants as well as caring for them.

(...)

But menopause has another virtue, one that has received little attention. That is the importance of old people to their entire tribe in preliterate societies, which means every human society in the world from the time of human origins until the rise of writing in Mesopotamia around 3300 B.C.

(...)

But natural selection is a more skilled mathematician because it has had millions of years in which to do the calculation. It concluded that menopause’s benefits outweigh its costs, and that women can make more by making less.

http://discovermagazine.com/1996/jul/whywomenchange817

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Dom Mar 20, 2011 11:50 pm

Citação :
"Aye, aye, men!" cried Ahab. "Look up at it; mark it well; the white flame but lights the way to the White Whale! Hand me those mainmast links there; I would fain feel this pulse, and let mine beat against it; blood against fire! So."

Then turning- the last link held fast in his left hand, he put his foot upon the Parsee; and with fixed upward eve, and high-flung right arm, he stood erect before the lofty tri-pointed trinity of flames.

"Oh! thou clear spirit of clear fire, whom on these seas I as Persian once did worship, till in the sacramental act so burned by thee, that to this hour I bear the scar; I now know thee, thou clear spirit, and I now know that thy right worship is defiance. To neither love nor reverence wilt thou be kind; and e'en for hate thou canst but kill; and all are killed. No fearless fool now fronts thee. I own thy speechless, placeless power; but to the last gasp of my earthquake life will dispute unconditional, unintegral mastery in me. In the midst of the personified impersonal, a personality stands here. Though but a point at best; whenceso'er I came; whereso'er I go; yet while I earthly live, the queenly personality lives in me, and feels her royal rights. But war is pain, and hate is woe. Come in thy lowest form of love, and I will kneel and kiss thee; but at thy highest, come as mere supernal power; and though thou launchest navies of full-freighted worlds, there's that in here that still remains indifferent. Oh, thou clear spirit, of thy fire thou madest me, and like a true child of fire, I breathe it back to thee."

[Sudden, repeated flashes of lightning; the nine flames leap lengthwise to thrice their previous height; Ahab, with the rest, closes his eyes, his right hand pressed hard upon them.]

"I own thy speechless, placeless power; said I not so? Nor was it wrung from me; nor do I now drop these links. Thou canst blind; but I can then grope. Thou canst consume; but I can then be ashes. Take the homage of these poor eyes, and shutter-hands. I would not take it. The lightning flashes through my skull; mine eyeballs ache and ache; my whole beaten brain seems as beheaded, and rolling in some stunning ground. Oh, oh! Yet blindfold, yet will I talk to thee. Light though thou be, thou leapest out of darkness; but I am darkness leaping out of light, leaping out of thee! The javelins cease; open eyes; see, or not? There burn the flames! Oh, thou magnanimous! now I do glory in my genealogy. But thou art but my fiery father; my sweet mother, I know not. Oh, cruel! what hast thou done with her? There lies my puzzle; but thine is greater. Thou knowest not how came ye, hence callest thyself unbegotten; certainly knowest not thy beginning, hence callest thyself unbegun. I know that of me, which thou knowest not of thyself, oh, thou omnipotent. There is some unsuffusing thing beyond thee, thou clear spirit, to whom all thy eternity is but time, all thy creativeness mechanical. Through thee, thy flaming self, my scorched eyes do dimly see it. Oh, thou foundling fire, thou hermit immemorial, thou too hast thy incommunicable riddle, thy unparticipated grief. Here again with haughty agony, I read my sire. Leap! leap up, and lick the sky! I leap with thee; I burn with thee; would fain be welded with thee; defyingly I worship thee!"

Herman Melville - Moby Dick

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Seg Mar 21, 2011 2:42 am

Ceinwyn escreveu:
Citação :
"Aye, aye, men!" cried Ahab. "Look up at it; mark it well; the white flame but lights the way to the White Whale! Hand me those mainmast links there; I would fain feel this pulse, and let mine beat against it; blood against fire! So."

Then turning- the last link held fast in his left hand, he put his foot upon the Parsee; and with fixed upward eve, and high-flung right arm, he stood erect before the lofty tri-pointed trinity of flames.

"Oh! thou clear spirit of clear fire, whom on these seas I as Persian once did worship, till in the sacramental act so burned by thee, that to this hour I bear the scar; I now know thee, thou clear spirit, and I now know that thy right worship is defiance. To neither love nor reverence wilt thou be kind; and e'en for hate thou canst but kill; and all are killed. No fearless fool now fronts thee. I own thy speechless, placeless power; but to the last gasp of my earthquake life will dispute unconditional, unintegral mastery in me. In the midst of the personified impersonal, a personality stands here. Though but a point at best; whenceso'er I came; whereso'er I go; yet while I earthly live, the queenly personality lives in me, and feels her royal rights. But war is pain, and hate is woe. Come in thy lowest form of love, and I will kneel and kiss thee; but at thy highest, come as mere supernal power; and though thou launchest navies of full-freighted worlds, there's that in here that still remains indifferent. Oh, thou clear spirit, of thy fire thou madest me, and like a true child of fire, I breathe it back to thee."

[Sudden, repeated flashes of lightning; the nine flames leap lengthwise to thrice their previous height; Ahab, with the rest, closes his eyes, his right hand pressed hard upon them.]

"I own thy speechless, placeless power; said I not so? Nor was it wrung from me; nor do I now drop these links. Thou canst blind; but I can then grope. Thou canst consume; but I can then be ashes. Take the homage of these poor eyes, and shutter-hands. I would not take it. The lightning flashes through my skull; mine eyeballs ache and ache; my whole beaten brain seems as beheaded, and rolling in some stunning ground. Oh, oh! Yet blindfold, yet will I talk to thee. Light though thou be, thou leapest out of darkness; but I am darkness leaping out of light, leaping out of thee! The javelins cease; open eyes; see, or not? There burn the flames! Oh, thou magnanimous! now I do glory in my genealogy. But thou art but my fiery father; my sweet mother, I know not. Oh, cruel! what hast thou done with her? There lies my puzzle; but thine is greater. Thou knowest not how came ye, hence callest thyself unbegotten; certainly knowest not thy beginning, hence callest thyself unbegun. I know that of me, which thou knowest not of thyself, oh, thou omnipotent. There is some unsuffusing thing beyond thee, thou clear spirit, to whom all thy eternity is but time, all thy creativeness mechanical. Through thee, thy flaming self, my scorched eyes do dimly see it. Oh, thou foundling fire, thou hermit immemorial, thou too hast thy incommunicable riddle, thy unparticipated grief. Here again with haughty agony, I read my sire. Leap! leap up, and lick the sky! I leap with thee; I burn with thee; would fain be welded with thee; defyingly I worship thee!"

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Dom Maio 22, 2011 11:24 pm

Fairy Reel by Neil Gaiman

If I were young as once I was, and dreams and death more distant then,

I wouldn't split my soul in two, and keep half in the world of men,

So half of me would stay at home, and strive for Fäerie in vain,

While all the while my soul would stroll up narrow path, down crooked lane,

And there would meet a fairy lass and smile and bow with kisses thee,

She'd pluck wild eagles from the air and nail me to a lightning tree

And if my heart would run from her or flee from her, be gone from her,

She'd wrap it in a nest of stars and then she'd take it on with her

Until one day she'd tire of it, all bored with it and done with it

She'd leave it by a burning brook, and off brown boys would run with it.

They'd take it and have fun with it and stretch it long and cruel and thin,

They'd slice it into four and then they'd string with it a violin.

And every day and every night they'd play upon my heart a song

So plaintive and so wild and strange that all who heard it danced along

And sang and whirled and sank and trod and skipped and slipped and reeled and rolled

Until, with eyes as bright as coals, they'd crumble into wheels of gold...



But I am young no longer now; for sixty years my heart's been gone

To play its dreadful music there, beyond the valley of the sun.

I watch with envious eyes and mind, the single-souled, who dare not feel

The wind that blows beyond the moon, who do not hear the Fairy Reel.

If you don't hear the Fairy Reel, they will not pause to steal your breath.

When I was young I was a fool. So wrap me up in dreams and death.
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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Ter Maio 31, 2011 11:33 am

Não havia como fugir. Os dias que ela forjara haviam-se rompido na crosta e a água escapava. Estava diante da ostra. E não havia como não olhá-la. De que tinha vergonha? É que já não era mais piedade, não era só piedade: seu coração se enchera com a pior vontade de viver.

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Ter Maio 31, 2011 12:55 pm

"Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela Política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura."


Eça de Queirós, in "Correspondência (1891)"


(Fogo... aos anos que isto foi escrito e o pensamento está bastante actual. Será que alguma vez seremos um país sem crise?!?!)
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Ártemis
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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Dom Out 16, 2011 11:16 am

“You are part of my existence, part of myself. You have been in every line I have ever read, since I first came here, the rough common boy whose poor heart you wounded even then. You have been in every prospect I have ever seen since – on the river, on the sails of the ships, on the marshes, in the clouds, in the light, in the darkness, in the wind, in the woods, in the sea, in the streets. You have been the embodiment of every graceful fancy that my mind has ever become acquainted with. The stones of which the strongest London buildings are made, are not more real, or more impossible to displace with your hands, than your presence and influence have been to me, there and everywhere, and will be. Estella, to the last hour of my life, you cannot choose but remain part of my character, part of the little good in me, part of the evil.”

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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Dom Out 16, 2011 4:21 pm

Ártemis escreveu:
“You are part of my existence, part of myself. You have been in every line I have ever read, since I first came here, the rough common boy whose poor heart you wounded even then. You have been in every prospect I have ever seen since – on the river, on the sails of the ships, on the marshes, in the clouds, in the light, in the darkness, in the wind, in the woods, in the sea, in the streets. You have been the embodiment of every graceful fancy that my mind has ever become acquainted with. The stones of which the strongest London buildings are made, are not more real, or more impossible to displace with your hands, than your presence and influence have been to me, there and everywhere, and will be. Estella, to the last hour of my life, you cannot choose but remain part of my character, part of the little good in me, part of the evil.”

Great Expectations - Charles Dickens

Adorei esse livro, e adorei essa parte..., made me feel sad, mas entendi perfeitamente, senti-me identificado até.

Deixo aqui dois excertos literários de uma obra:

Emer, esposa do herói celta irlandês Cuchulain, após a sua morte:

And Emer took the head of Cuchulain in her hands, and she washed it clean, and put a silk cloth about it, and she held it to her breast; and she began to cry heavily over it, and it is what she said:

"Ochone!" said she, "it is good the beauty of this head was, though it is low this day, and it is many of the kings and princes of the world would be keening it if they knew the way it is now, and the poets and the Druids of Ireland and of Alban; and many were the goods and the jewels and the rents and the tributes that you brought home to me from the countries of the world, with the courage and the strength of your hands!"And she made this complaint:

"Och, head! Ochone, O head! you gave death to great heroes, to many hundreds; my head will lie in the same grave, the one Stone will be made for both of us.

"Och, hand! Ochone, hand that was once gentle. It is often it was put under my head; it is dear that hand was to me!

"Dear mouth! Ochone, kind mouth that was sweet-voiced telling stories; since the time love first came on your face, you never refused either weak or strong!

"Dear the man, dear the man, that would kill the whole of a great host; dear his cold bright hair, and dear his bright cheeks!

"Dear the king, dear the king, that never gave a refusal to any; thirty days it is to-night since my body lay beside your body.

"Och, two spears! Ochone, two spears, Och, shield! Och, deadly sword! Let them be given to Conall of the battles; there was never any wage given like that.

"I am glad, I am glad, Cuchulain of Muirthemne, I never brought red shame on your face, for any unfaithfulness against you.

"Happy are they, happy are they, who will never hear the cuckoo again for ever, now that the Hound has died from us.

"I am carried away like a branch on the stream; I will not bind up my hair to-day. From this day I have nothing to say that is better than Ochone!"

Retirado de:
"The Death of Cuchulain" in GREGORY, Lady Augusta, "Lady Gregory's Complete Irish Mythology".

Nota: "Ochone" é gaélico para pesar, tristeza..., ressentimento...

Segundo excerto:

Deirdre, que era cobiçada pelo Rei da província de Ulster, Conchubar Mac Nessa, fugiu com Naoise, seu verdadeiro amor, e com os dois irmãos deste, Ardan e Ainle, os três também guerreiros celtas da elite do próprio Rei. Durante anos fugiram de Conchubar em aventuras por toda a Irlanda e Escócia. Conchubar convidou-os de volta com falsas promessas de amizade, e com traição e encantamentos druídicos, matou os três irmãos. Este foi o lamento de Deirdre, quando Conchubar a tentou buscar após a morte de Naiose e seus irmãos:

"Make keening for the heroes that were killed on their coming to Ireland; stately they used to be, coming to the house, the three great sons of Usnach.

"The sons of Usnach fell in the fight like three branches that were growing straight and nice, and they destroyed in a heavy storm that left neither bud nor twig of them.

"Naoise, my gentle, well-learned comrade, make no delay in crying him with me; cry for Ardan that killed the wild boars, cry for Ainnle whose strength was great.

"It was Naoise that would kiss my lips, my first man and my first sweetheart; it was Ainnle would pour out my drink, and it was Ardan would lay my pillow.

"Though sweet to you is the mead that is drunk by the soft-living son of Ness, the food of the sons of Usnach was sweeter to me all through my lifetime.

"Whenever Naoise would go out to hunt through the woods or the wide plains, all the meat he would bring back was better to me than honey.

"Though sweet to you are the sounds of pipes and of trumpets, it is truly I say to the king, I have heard music that is sweeter.

"Delightful to Conchubar, the king, are pipes and trumpets; but the singing of the sons of Usnach was more delightful to me.

"It was Naoise had the deep sound of the waves in his voice; it was the song of Ardan that was good, and the voice of Ainnle towards their green dwelling-place.

"Their birth was beautiful and their blossoming, as they grew to the strength of manhood; sad is the end to-thy, the sons of Usnach to be cut down.

"Dear were their pleasant words, dear their young, high strength; in their going through the plains of Ireland there was a welcome before the coming of their strength.

"Dear their grey eyes that were loved by women, many looked on them as they went; when they went freely searching through the woods, their steps were pleasant on the dark mountain.

"I do not sleep at any time, and the colour is gone from my face; there is no sound can give me delight since the sons of Usnach do not come.

"I do not sleep through the night; my senses are scattered away from me, I do not care for food or drink. I have no welcome to-day for the pleasant drink of nobles, or ease, or comfort, or delight, or a great house, or the palace of a king.

"Do not break the strings of my heart as you took hold of my young youth, Conchubar; though my darling is dead, my love is strong to live. What is country to me, or land, or lordship? What are swift horses? What are jewels and gold? Och! it is I will be lying to-night on the strand like the beautiful sons of Usnach."

Retirado de:
"The Fate of the Sons of Usnach" in: GREGORY, Lady Augusta, "Complete Irish Mythology".


Última edição por Diarmuid em Dom Out 16, 2011 4:39 pm, editado 1 vez(es)
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MensagemAssunto: Re: Excertos literários   Sex Out 12, 2012 3:02 am

Aqui fica um excerto de um livro que estou a ler sobre algumas figuras marcantes da história da filosofia. Neste bocadinho descreve-se a visão que Epicuro (341 a.C. - 271 a.C.) tinha sobre a morte.

"A morte não é um acontecimento da vida." - Ludwig Wittgenstein

"Epicuro sugeria que, quando imaginamos a nossa própria morte, a maioria de nós comete o erro de pensar que continuará a existir alguma coisa de nós que sente, independentemente do que aconteça ao corpo morto. Mas isto é uma compreensão errada daquilo que somos. Estamos ligados aos nossos corpos particulares, à nossa carne e aos nossos ossos. Epicuro dizia que somos compostos de átomos (embora aquilo que quisesse dizer com este termo fosse um pouco diferente do significado que lhe dão os cientistas modernos). Quando estes átomos se desagregam, após a morte, deixamos de existir como indivíduos autoconscientes. Mesmo que alguém, mais tarde, pudesse recompor todos os átomos e insuflasse vida ao meu corpo reconstruído, nada teria a ver comigo. O novo corpo vivo não seria eu, apesar de se parecer comigo. Eu não sentiria as suas dores, porque, quando o corpo deixa de funcionar, nada o pode fazer ressuscitar. A cadeia da identidade estaria quebrada.

Outra maneira como Epicuro pensava poder curar os seus discípulos do medo da morte consistia em mostrar a diferença entre aquilo que sentimos sobre o futuro e o que sentimos sobre o passado. Preocupamo-nos com um mas não com o outro. Pense no tempo antes de ter nascido. Houve todo esse tempo no qual não existiu. Não só as semanas em que esteve no útero da sua mãe, quando podia ter nascido mais cedo, ou até o momento antes de ter sido concebido, em que era apenas uma possibilidade para os seus pais, mas também os biliões de anos antes de ter nascido. Normalmente, não nos preocupamos com a nossa inexistência durante todos esses milénios antes do nosso nascimento. Por que razão deveria alguém preocupar-se com todo esse tempo durante o qual não existia? Mas então, a ser verdade, por que razão nos devemos preocupar tanto com todos os éons de inexistência após a morte? O nosso pensamento é assimétrico. Interessa-nos mais o tempo posterior à nossa morte do que o tempo anterior ao nosso nascimento. No entanto, Epicuro considerava isto um erro. Depois de percebermos isto, devemos começar a pensar no tempo posterior à nossa morte da mesma maneira que pensamos no tempo anterior. Deixará então de ser uma grande preocupação."

- Niguel Warburton sobre Epicuro em "Uma Pequena História da Filosofia".

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